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Uma colega a quem muito agradeço, recordou-me conhecimento antigo: 

 

Vejam o que aconselhava a obra Ratio atque Institutio Studiorum (1599)

 

"Nada deve ser mais importante nem mais desejável

(...) do que preservar a boa disposição dos professores (...). É nisso que reside o maior segredo do bom funcionamento das escolas (...)."

 

"Com amargura de espírito, os professores não poderão prestar um bom serviço, nem responder convenientemente às [suas] obrigações."

 

"A solicitude por parte dos superiores anima muito os súbditos e reconforta-os no trabalho."

 

"Quando um professor desempenha o seu ministério com zelo e diligência, não seja esse o pretexto para o sobrecarregar ainda mais e o manter por mais tempo naquele encargo. De outro modo os professores começarão a desempenhar os seus deveres com mais indiferença e negligência, para que não lhes suceda o mesmo."

 

"Em meses alternados, pelo menos, o reitor deverá chamar os professores (...) e perguntar-lhes-á, com benevolência, se lhes falta alguma coisa, se algo os impede de avançar nos estudos e outras coisas do género. Isto se aplique não só com todos os professores em geral, nas reuniões habituais, mas também com cada um em particular, a fim de que o reitor possa dar-lhes mais livremente sinais da sua benevolência, e eles próprios possam confessar as suas necessidades, com maior liberdade e confiança. Todas estas coisas concorrem grandemente para o amor e a união dos mestres com o seu superior. Além disso, o superior tem assim possibilidade de fazer com maior proveito algum reparo aos professores, se disso houver necessidade."

 

Para conservar (...) um bom nível de conhecimento (...), e para assegurar como que uma escola de mestres, o provincial deverá garantir a existência de pelo menos dois ou três indivíduos que se distingam notoriamente em matéria de letras e de eloquência. Para que assim seja, alguns dos que revelarem maior aptidão ou inclinação para estes estudos serão designados pelo provincial para se dedicarem imediatamente àquelas matérias - desde que já possuam, nas restantes disciplinas, uma formação que se considere adequada. Com o seu trabalho e dedicação, poder-se-á manter e perpetuar como que uma espécie de viveiro para uma estirpe de bons professores.

 

"O reitor terá o cuidado de estimular o entusiasmo dos professores com diligência e com religiosa afeição. Evite que eles sejam demasiado sobrecarregados pelos trabalhos domésticos."

 

 

Ratio Studiorum (trad. inglesa)

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Ratio Studiorum

por papinto, em 11.05.09
Ratio_Studiorum

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Conselho de Ministros
Governo aprova revisão do Estatuto da Carreira Docente para o ensino superior
02.04.2009 - 15h12  Romana Borja-Santos


O Governo aprovou hoje, na generalidade, a revisão dos estatutos da carreira docente para o ensino universitário e superior politécnico que poderão agora ser negociados junto dos representantes sindicais. Os decretos-lei estipulam, por exemplo, “os princípios da avaliação de desempenho, periódica e obrigatória, de todos os docentes” e eliminam “os mecanismos de progressão automática entre categorias”.

De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, desta forma, “tornam-se idênticos muitos dos princípios gerais por que se regem as carreiras, designadamente em matéria de transparência, avaliação, qualificação na base da carreira e exigência de concurso para mudanças de categoria”.

Por outro lado, o Executivo decidiu manter o paralelismo entre as carreiras de investigação e docente. Das alterações introduzidas destaca-se que o doutoramento passa a ser o grau de entrada na carreira e a obrigatoriedade de concursos internacionais para professores, com júris maioritariamente externos à instituição.

Com as alterações introduzidas, a colaboração entre as universidades e outras instituições passa a ser mais fácil assim como a entrada de pessoas mais novas que podem “concorrer aos lugares de topo com base exclusivamente no seu mérito próprio”.

Estabilização dos professores

No que diz respeito aos politécnicos, é reforçada a especialização “exigindo-se o título de especialista ou, em alternativa, o grau de doutor, garantindo-se que parte significativa do corpo docente mantém uma relação principal com a vida profissional exterior à instituição”. Ainda segundo o comunicado do Governo, “promove-se a estabilização do corpo docente nos institutos politécnicos por concurso, removendo a precariedade de vínculos que se tinha tornado dominante em algumas instituições”.

Por fim, em concursos em que a instituição não detenha competência específica será necessário formar um júri nacional e está prevista a resolução extra-judicial de conflitos. O objectivo em geral, lê-se em comunicado, é completar “a profunda reforma do ensino superior português que se tem vindo a realizar” para “modernizar” e “reforçar” o contributo deste sector para o desenvolvimento do país. Além disso, quer nos politécnicos quer nas universidades, haverá um “simplex”: as instituições passarão a ter procedimentos administrativos menos burocráticos e a contar com mais autonomia na gestão dos docentes.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e os sindicatos dos professores iniciaram a 24 de Novembro as negociações para um estatuto de carreira específico para os docentes do ensino superior. Na altura, João Cunha Serra, dirigente da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) responsável pela área do ensino superior, explicou havia “o reconhecimento e a aceitação por parte do ministério” de que a carreira docente no ensino superior deveria ter regras específicas e não as gerais aplicáveis à Função Pública.

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Plataforma deGóis

por papinto, em 08.01.09

Um amigo e colega falou-me no "deGóis". é um sistema de gestão de curricula, bastante mais aperfeiçoado do que é presentementte usado no FCTSIG. AFCT já aceitou os curricula geridos pelo DeGóis.

O deGóis é uma plataforma residente na U. do Minho (Engenharia). Ainda não explorei em profundidade.

Entretanto quem queiser explorar, encontra aqui o deGóis

 

O que o deGóis diz de si próprio:

Plataforma de Curricula DeGóis

A Plataforma de Curricula DeGóis é um instrumento de recolha, disponibilização e análise da produção intelectual, científica e outras informações curriculares dos Investigadores Portugueses. Consiste num portal cujas principais funcionalidades são a gestão individual do curriculum por parte do utilizador, a consulta de indicadores e a visualização de curricula mediante pesquisas baseadas em critérios relacionados com o conteúdo do curriculum.


 

A FCT apoia o desenvolvimento da plataforma DeGois que oferece funcionalidades mais avançadas que as actualmente disponíveis no FCTSIG para o registo de currículos. Espera-se lançar em 2008 o primeiro concurso em que as funcionalidades do DeGois estarão presentes. A FCT irá disponibilizar uma área para informações relativas a este processo.

 

Mais notícias brevemente

Pedro Aguiar Pinto

 

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A arte de construir jardins e o seu significado
Público, 07.12.2008
 

Primeiro volume de um conjunto de obras dedicadas aos jardins dos vice-reis. Fruto de várias fases de investigação da arquitecta paisagista Cristina Castel-Branco, chega amanhã às livrarias
 


 

A Quinta de Fronteira está localizada no vale de Benfica e ocupa uma área de aproximadamente seis hectares. Consiste num palácio, jardins formais e uma capela, uma área arborizada com vegetação autóctone, uma vinha, hortas e pomares. É uma propriedade nobre que começou por servir como pavilhão de caça e depois foi adaptada para se converter na residência principal da família Mascarenhas.
O corpo principal do palácio e os jardins foram construídos no terceiro quartel do século XVII, no pequeno vale rural de Benfica, na protegida encosta nordeste da serra de Monsanto. Vários nobres, incluindo o marquês de Fronteira, costumavam caçar ali e tinham lá os seus pavilhões de caça, rodeados de áreas rurais e floresta. Nem toda a construção da quinta foi feita no século XVII. A ala poente só foi construída depois do terramoto de 1755, quando a família teve de abandonar as ruínas do seu palácio na cidade, no Chiado, perto do coração de Lisboa, e ir para o pavilhão de caça de Benfica.
(...) O pavilhão de caça, em Benfica, a dez quilómetros do centro de Lisboa, resistiu ao tremor de terra. Um mapa geológico oferece uma explicação para a sua sobrevivência a um choque como aquele que abalou a capital. O palácio de Benfica foi construído sobre uma camada de basalto, enquanto o centro de Lisboa tinha sido construído sobre calcários e zonas de depósitos de argilas. Benfica tinha-se mostrado um lugar bem mais seguro para se viver e os Mascarenhas mudaram-se para lá e transformaram o pavilhão de caça em residência permanente até aos dias de hoje.
Para além da segurança do substrato rochoso, outras qualidades físicas do vale de Benfica tornavam o local apetecível, e a localização do pavilhão do século XVII mostra que os proprietários de Fronteira estudaram aprofundadamente o local e desenharam o palácio e os jardins de forma a responder às principais dificuldades da região: os fortes ventos de noroeste e a escassez de água no Verão. Os efeitos do vento eram reduzidos pela colina protectora de Monsanto, permitindo também uma exposição a nascente, mais agradável para a instalação do palácio e dos jardins. Sendo a água um elemento crucial na manutenção dos jardins mediterrânicos, o facto de haver nascentes naturais dentro da propriedade era uma vantagem. A suave encosta da colina, combinada com a disponibilidade da água, desempenhou um papel importante na disposição dos parterres, pois o sistema de irrigação depende da gravidade.
Outro factor determinante para a localização do palácio foi a presença de um convento dominicano que já existia antes da construção do palácio. Na paisagem portuguesa, a presença de conventos, alguns já do século XII, é um indicador de uma excelente localização para a agricultura e actividades afins. Os monges tinham estudado e acumulado conhecimentos milenares sobre a selecção dos locais mais adequados para construir e viver. Uma descrição do século XVII, escrita por um monge dominicano, resume bem as qualidades do vale de Benfica, as suas características naturais e a presença do convento e das quintas: "A huma piquena legoa da cidade, pela estrada que corre pera Sintra, pouco desviado d'ella pera a parte do Poente, fica como escondido, e furtado a comunicação da gente hum pequeno vale, que sendo naturalmente aprasivel por frescura de fontes e arvoredo, mereceo, ao que se póde crer, o nome que tem de Bem-fica (...). De huma e outra parte (do convento), correm quintas, que cercão os outeiros, e vale em roda, algumas de bom edificio, outras mais ao natural: todas ricas de bosques, e pumares, e cercadas de suas vinhas, com que a mór parte do ano mantém o vale huma frescura, e verdura perpetua."
O vale também oferecia solos férteis. Um mapa de Fronteira do século XIX mostra os diferentes níveis da propriedade, plantados com uma variedade de culturas. Havia um pomar, uma vinha, uma horta e um jardim de roseiras. Este mapa, apesar de ter sido desenhado dois séculos depois, não se deve afastar muito do projecto original do século XVII. Nele aparece representada a mata, cujo coberto vegetal apresenta nesta quinta uma situação única. Ao contrário daquilo que sucede noutras quintas situadas em zonas rurais, em que as matas existem no exterior dos muros da quinta e dentro dela a vegetação natural foi substituída, aqui sucede o contrário; Fronteira tem dentro dos seus muros a única mata original de Monsanto. Esta mata é um exemplo típico da floresta Perenifolia desta região. A composição desta mata de quatro andares demonstra uma associação perfeitamente desenvolvida, onde pouco foi perturbada a vegetação climácica. A floresta é composta por um plano superior de árvores de grandes dimensões tais como a Quercus rotundifolia e a Olea europea, seguido por um andar arbustivo de porte médio, tal como o Laurus nobilis, o Arbutus unedo e a Phillyrea latifolia.
Um andar de plantas herbáceas vivazes, como o Ruscus aculeatus e a Coronilla valentina, e uma camada de plantas rasteiras em que domina a Vinca difformis, que se estende sobre a camada de detritos, sendo esta última um bom indicador da existência e diversidade do coberto vegetal superior.
(...) A propriedade está cercada por um muro que envolve toda a mata e, como os passeios a cavalo e a caça já aí não se praticam há mais de um século, a vegetação desenvolveu-se com poucas perturbações. O reduzido número de utentes não afectou o ecossistema acima descrito e a mata é, por isso, uma comunidade única isolada no meio da vegetação da serra de Monsanto a qual foi, pelo contrário, profundamente "manuseada" durante a década de 40 do século XX.
Em resultado da sobre-exploração agrícola de Monsanto, a erosão transformara-a numa terra de baixa produtividade. Na década de 1940, Duarte Pacheco, presidente da Câmara Municipal de Lisboa e ministro das Obras Públicas, propôs a reflorestação da área de Monsanto, que foi projectada sob a supervisão de um agrónomo, Francisco Flores, pelo arquitecto Keil do Amaral, e foram plantadas 10 000 árvores, essencialmente Cupressus, Eucalyptus e Pinus, de acordo com um programa extraordinariamente rápido que pretendia preservar a serra de Monsanto como área verde não urbanizada. Arbustos e árvores foram plantados de forma quase geométrica numa área anteriormente cultivada com cereais. Atingiram agora a maturidade e constituem o "pulmão verde", de cerca de mil hectares, de Lisboa. É esta floresta plantada no século XX que rodeia a mata de Fronteira, servindo de pano de fundo a toda a quinta.
Ainda no século XIX e, segundo um relatório de 1838 escrito por um feitor, na zona mais baixa da quinta, onde a mata acaba, foram plantados pomares e vinhas cujos rendimentos são descritos nas contas agrícolas da quinta. "O Palacio com todas as oficinas, palheiros, cavalariças e abeguarias, jardim, pomar, vinha, arvores de fruto, e alguma hortaliça, a sua produção n'este semestre, he laranja que se vendeu por duzentos e vinte mil reis..." José Cassiano Neves, que publicou este documento na monografia que temos vindo a citar, escreveu também que a tradição oral dizia que na Quinta dos Loureiros tinha havido um imponente laranjal, e acrescenta: "D. Francisco Mascarenhas manda vir da China para Goa a primeira laranjeira, que trouxe para Lisboa em 1635, plantando-a no seu jardim."


Os Jardins dos Vice-Reis - Fronteira
Autor: Cristina Castel-Branco
Editor: Oceanos
192 págs.
40 euros

 

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Bes

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É que, como alguém escreveu,

"nada deve ser mais importante nem mais desejável (...) do que preservar a boa disposição dos professores (...). É nisso que reside o maior segredo do bom funcionamento das escolas (...). Com amargura de espírito, os professores não poderão prestar um bom serviço, nem responder convenientemente às [suas] obrigações."
Este conselho, que mão amiga me fez ontem chegar, foi extraído do Ratio Studiorum da Companhia de Jesus, uma obra de... 1599. Ora se, passados mais de quatro séculos, os jesuítas continuam a gerir algumas das escolas mais procuradas em todo o mundo (Bill Clinton estudou numa delas, a celebrada Universidade de Georgetown) é porque algum nexo teriam as regras que sempre seguiram.
 

in: "O recuo tardio que pode não trazer paz de volta às escolas", José Manuel Fernandes, Público, 21.11.2008

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Memorando sobre doutoramentos

por papinto, em 20.02.08

MemorandoSobreDoutoramentosISA

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Dl448 Est Carreiradocente

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