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Robert S. Loomis (1928-2015)

por papinto, em 13.05.15

Robert S. Loomis


 LOOMIS, Robert S. |

Robert Simpson Loomis died peacefully at home in Davis, Calif. on March 27, 2015, at age 86. Bob was born October 11, 1928, in Ames, IA, the second son of Walter Earl and Helen Loomis. He graduated from high school early to attend Iowa State University. While at ISU, he met Lois Ann Morris in freshman chemistry class, always maintaining that she was the prettiest girl in the class. They were married in 1951 and enjoyed 58 years of marriage until Ann's passing in 2010. Bob did graduate work at the University of Wisconsin and, after service in the U.S. Air Force in atmospheric research at the A.F. Cambridge Research Center, returned to the University of Wisconsin to earn his Ph.D. in Botany in 1956. Bob joined the faculty of Agronomy at UC Davis in 1956, where he remained until his retirement in 1991. His early research focused on nutrient and water stress in sugarbeet crops. He was a pioneer in computer modeling of growth in various crops. His colleagues often commented on his broad overview of agricultural systems. In addition to teaching duties, he mentored many M.S. and Ph.D. students. After retiring in 1991, he continued to work as an editor for several journals and, with David Connor (University of Melbourne, Australia) and Kenneth Cassman (University of Nebraska, 2nd edition), wrote "Crop Ecology: Productivity and Management in Agricultural Systems." During college Bob spent two summers as a lookout fireguard in the Clearwater National Forest in Idaho, where he manned a fire lookout tower and maintained trails. This experience led to a passion for the outdoors that he shared with his family and friends on many camping and backpacking trips over the years. He was an avid sailor and longtime member of Lake Washington Sailing Club. He enjoyed many travels that included sabbaticals to Boston, New Zealand, The Netherlands and Australia as well as visits to his family, friends, colleagues and former students around the world. Bob is missed by daughters Susan, Sarah (Rodney Paul) and Caroline; grandsons Alex, Thomas, Robert and Matthew May. A memorial service will be held at the Unitarian Universalist Church of Davis on May 30 at 10:30 am. In lieu of flowers, the family suggests memorial gifts to the Robert S. and Lois Ann Loomis Graduate Award in Agronomy, payable to UC Davis Foundation and mailed to Janet Berry, UC Davis Conference Center, 2nd floor, One Shields Ave, Davis CA 95616 or to a charity of your choosing.


Published in The Sacramento Bee on May 2, 2015

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NEWSLETTER_04_Em Memoria Do Armando Sevinate Pinto

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Armando Sevinate Pinto (1946-1955)

por papinto, em 30.03.15

No ambiente agrícola e agronómico do nosso país das últimas dezenas de anos a figura do Engenheiro Agrónomo Armando Sevinate Pinto é incontornável pela liberdade, razoabilidade e desassombro das suas posições, bem como pela visibilidade que as suas intervenções tiveram no ambiente da comunicação social generalista.

A homenagem que lhe faço agora consiste em juntar aqui todas as vezes que, ao longo destes últimos anos, o blog Agronomia lhes fez referência. 

Pedro Aguiar Pinto

 

2015.03.15 Bendita água

2015.02.16 A mais recente "fotografia" da agricultura

2015.01.18 E por que não tentarmos salvar os sobreiros?

2014.12.12 A nossa floresta agridoce

2014.11.02 Os preços e os subsídios agrícolas

2014.10.14 As duas agriculturas

2014.09.20 A importância das estatísticas agrícolas

2014.08.30 Os agricultores e as políticas agrícolas

2014.08.11 A importância do conhecimento na agricultura

2014.07.20 Os investimentos e a agricultura

2014.06.22 Será fácil ser-se agricultor?

2014.06.01 Dois dos mitos agrícolas

2014.05.10 A Agricultura e a Integração Europeia

2014.04.19 O futuro da agricultura e da alimentação

2012.01.16 Os pressupostos para uma visão optimista da Agricultura

2011.07.08 AGRICULTURA Economia, Economistas e Comentadores

2011.03.08 O Público olha para o Portugal agrícola

2010.08.19 Quase 100 mil hectares de regadio público ultrapassaram o seu tempo de vida útil

2010.01.27 Uma nova PAC na União Europeia? Um novo debate - Preocupações e Propostas Nos vinte anos da Agro.Ges

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observador | 29 mar 2015

Armando Sevinate Pinto foi também ex-consultor de Cavaco Silva para os assuntos agrícolas e rurais. Morreu esta madrugada.

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 O ex-ministro da Agricultura do governo de Durão Barroso morreu durante esta madrugada. Armando Sevinate Pinto foi também ex-consultor de Cavaco Silva para os assuntos agrícolas e rurais.

Sevinate Pinto, 69 anos, “tinha sido hospitalizado há dois ou três dias e infelizmente não resistiu”, afirmou à Lusa João Machado, presidente da Confederação de Agricultores Portugueses (CAP).

Francisco Avillez, antigo professor catedrático de Economia e Política Agrícola do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa e uma das pessoas que mais de perto colaborou com Sevinate Pinto, descreve o antigo ministro como alguém de “uma grande seriedade, honestidade, sentido de humor e otimismo”. Um otimismo que só o “abandonou nas últimas três semanas, quando foi detetada a doença o que levou de entre nós”, afirmou ao Observador.

O fundador da empresa de consultadoria Agro.Ges, da qual Sevinate Pinto era coordenador técnico, lamentou a morte do “maior amigo”, de um “homem que conhecia desde sempre” e “que teve uma importância enorme e decisiva para agricultura portuguesa”.

“Ele [Sevinate Pinto] foi um dos que mais se esforçou para encontrar soluções que se adaptassem à nossa agricultura portuguesa” sobretudo depois “da entrada do país na Comunidade Europeia”, lembrou Francisco Avillez a propósito de alguém que “esteve sempre ao lado dos agricultores, mas com espírito crítico”. “Tenho uma pena profunda de ter perdido um grande amigo”, disse, por fim, Avillez.

Paulo Portas também já reagiu à morte do ex-governante, de quem, segundo afirma, tantos conselhos recebeu. “Era um ser humano excecional e um criador de políticas agrícolas notável e persistente”, disse o presidente do CDS

“No governo e nas instituições, na universidade e nas empresas, deu o melhor de si mesmo e deixou um legado de conhecimento, saber, pensar e saber fazer agricultura em Portugal verdadeiramente único, e que deve ser continuado. Acreditava num mundo rural forte e num país agrícola competitivo. Batia-se pelo interesse nacional – tanto em Lisboa como em Bruxelas – com patriotismo e razão. Muito do que sei e defendo em matéria de Agricultura devo ao conselho amigo e inteligente de Armando Sevinate Pinto. Era um amigo pessoal, com um testemunho de presença e lealdade nos momentos mais difíceis”, disse.

Armando José Cordeiro Sevinate Pinto nasceu em Ferreira do Alentejo a 1 de janeiro de 1946, era casado e tinha dois filhos. Trabalhava como coordenador técnico da empresa AGRO.GES.

Licenciado em Engenharia Agrónomica pelo Instituto Superior de Agronomia, Sevinate Pinto foi ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas do XV Governo Constitucional PSD/CDS-PP, era Durão Barroso primeiro-ministro. Foi entre abril de 2002 e 17 de julho de 2004. Dois anos depois, e dada a experiência como consultor em várias empresas, foi também consultor do Presidente da República para as questões relacionadas com a Agricultura e com o Mundo Rural. Serviço que acumulou, durante dois anos, com o cargo de presidente da FILCORK, Associação Interprofissional da Cortiça. Deixou se ser consultor de Cavaco no ano passado, em 2014.

O seu percurso profissional começou como técnico, para mais tarde se tornar diretor e, depois, diretor-geral do Ministério da Agricultura. Em 1987 acabaria nomeado para dirigir a Comissão Europeia em Bruxelas (do FEOGA/Orientação, das Estruturas e Investimentos Agrícolas, das Florestas, da Investigação Agrária e do Desenvolvimento Rural), de onde saiu a seu pedido.

Sevinate Pinto foi membro do Conselho de Avaliação e Qualificação da Ordem dos Engenheiros e da Comissão de Avaliação do Ensino Superior do Ministério da Educação. Era membro da Academia de Engenharia, chegou a ser vice-presidente do Conselho Geral da Universidade de Évora e membro do Conselho de Avaliação e Qualidade do Instituto Politécnico de Beja

A 10 de junho de 2005 recebeu das mãos de então presidente da República, Jorge Sampaio, a Grã-cruz da Ordem de Cristo. Uma condecoração feita numa cerimónia no Pavilhão Multiusos de Guimarães.

O funeral do antigo ministro da Agricultura realiza-se na segunda-feira em Cascais, de acordo com informação da agência funerária. O corpo de Sevinate Pinto vai estar em câmara ardente a partir das 18h30 deste domingo na igreja da Ressurreição em Cascais e as cerimónias religiosas vão ter início às 14h00 de segunda-feira já na Igreja Paroquial de Cascais, seguindo o cortejo para o cemitério da Guia, na mesma vila.

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Faleceu o Prof. Zózimo

por papinto, em 20.12.14

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Zózimo João Pimenta de Castro Rego 
(29.03.1924 - 20.12.2014)
Professor Catedrático do Instituto Superior de Agronomia
(Engenharia Rural)

 

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Morreu Sousa Veloso

por papinto, em 27.11.14


SIC Notícias | 09:59 27.11.2014






 

Morreu hoje, em Lisboa, o engenheiro Sousa Veloso. Licenciado em agronomia, tornou-se conhecido quando começou a apresentar na RTP, nos anos 60, o programa TV Rural.  




Durante 31 anos, impreterivelmente ao domingo, o engenheiro Sousa Veloso entrou pelas casas portuguesas divulgado os avanços da agricultura portuguesa. 

"Despeço-me com amizade até ao próximo programa" era a frase com que terminava o TV Rural, todos os domingos na RTP, onde entrou em 1959 quando a estação pediu ajuda ao Ministério da Agricultura para um programa especializado. 

Em 1960, a TV Rural tornou-se um programa autónomo e acabou por dominar o percurso profissional de Sousa Veloso, engenheiro agrónomo que acabou por se dedicar quase em exclusivo à televisão.  

No TV Rural chegou mesmo a fazer produção, edição e realização, para além da apresentação. Sousa Veloso foi ainda o primeiro apresentador português de televisão a citar os técnicos com quem tinha trabalhado, no final de cada reportagem.








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Professor de Zootecnia no Instituto Superior de Agronomia (1975-2012)

 

 

 Professor de Zootecnia no Instituto Superior de Agronomia (1975-2012)

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Público, 12.02.2011
Teresa Firmino


Andou pelo país e pelas antigas colónias. Inseparável da sua Leica, Orlando Ribeiro fotografava tudo e, em cadernos de campo, anotava e desenhava. O seu livro Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico é das obras mais marcantes do século XX português. Retrato do grande mestre da geografia amanhã, na RTP2. Para ouvir, como uma sinfonia de Bruckner.

O portão da moradia de Vale de Lobos, Sintra, dá as boas-vindas aos espectadores, entre árvores e flores. Instantes depois, a geógrafa Suzanne Daveau leva-nos, escadas acima, até ao interior da casa que partilhou durante anos com Orlando Ribeiro. Na sala cheia de livros, põe um disco de vinil no gira-discos, música de Anton Bruckner, como início da banda sonora da viagem que se seguirá sobre Orlando Ribeiro, o geógrafo, o viajante, o fotógrafo, o melómano.

Fundador da geografia moderna portuguesa, Orlando Ribeiro nasceu a 16 de Fevereiro em 1911, em Lisboa, e morreu a 17 de Novembro de 1997. O documentário Orlando Ribeiro - Itinerâncias de Um Geógrafo, da autoria e realização de António João Saraiva e Manuel Carvalho Gomes, marca o centenário do seu nascimento. Estreia-se amanhã na RTP2, às 21h. (Na terça-feira, às 17h30, na Academia de Marinha, em Lisboa, dois dos seis filhos de Orlando Ribeiro, do casamento anterior, Fernando e António, falarão dele como pai, como homem de cultura e das influências que recebeu do sogro, o historiador Manuel Ramos, especialista na fundação de Portugal e de quem foi aluno na universidade.)

Quando tinha quatro anos, a mãe morreu e ele foi criado nos arredores de Almada, em Runa, com o avô materno, major reformado que lhe despertou o gosto pelo estudo. O filho António Ribeiro, geólogo também conhecido, recorda essas raízes no documentário: "Uma das pessoas que mais o influenciou na infância e na juventude foi o avô materno, Augusto Carvela, que era uma pessoa com uma certa formação. Tinha sido oficial do Exército e tinha uma cultura geral bastante vasta."

É na companhia do avô que tem o primeiro contacto com o campo, em Runa e Viseu, de onde a família era originária e onde ia passar férias. "Tudo lugares onde o campo está perto, onde era possível estar só, passear por sítios aprazíveis, apanhar amoras e, na beira dos caminhos, cortar canas para fazer brinquedos", contou nos seus escritos, reunidos em Memórias de Um Geógrafo (Edições João Sá da Costa, 2003), e que ouvimos agora narrado pela voz do jornalista Fernando Alves. "O gosto da geografia devo-o ao amor da natureza e da vida do campo, desenvolvido em longos passeios a pé", continuava. "A partir destas recordações de infância, sinto-me profundamente enraizado na vida obscura do meu povo. Criado entre gente simples e humilde, fiquei sempre fiel às origens, ao gosto de uma vida sóbria (...)."

Aos oito anos, regressou a Lisboa, a casa do pai, o "senhor António da drogaria", como era conhecido na Rua da Escola Politécnica. Frequentou o Liceu Passos Manuel entre 1921 e 1928, onde foi admitido com 20 valores. Formou-se em História e Geografia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e aí contactou pela primeira vez com o etnógrafo Leite de Vasconcellos, já aposentado, a quem chamava "mestre". Em 1934, começou a fazer várias viagens por Portugal, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, e a preparar a tese de doutoramento Arrábida - Esboço Geográfico, que terminou dois anos depois. No ano seguinte, 1937, partiu como leitor de português para a Universidade Paris-Sorbonne, onde esteve até 1940, e aí também estudou geografia. Nesse período, entre 1936 e 1940, no intervalo dos anos lectivos, correu Portugal de uma ponta a outra, sobretudo a Beira Baixa, zona de contraste entre o Norte e o Sul, rica para um trabalho em que se aplicassem os métodos da geografia moderna - sempre acompanhado por um objecto precioso, uma máquina fotográfica, dando azo a uma das suas paixões.

Com o primeiro dinheiro que ganhou com as aulas de Português em Paris, fez logo uma compra. "Uma boa máquina fotográfica, que conservou ao longo da vida", conta Suzanne Daveau, que conheceu o geógrafo numa conferência em Estocolmo e veio a casar-se com ele em 1965. "Ficou tão contente com esta compra que escreveu logo ao mestre, Leite de Vasconcellos: "Comprei uma máquina Leica, que me custou chorudos um conto e oitocentos [nove euros a preços actuais] - e não 18 tostões -, mas que faz tudo o que é preciso e só tem o inconveniente de tornar as excursões mais caras. Era, porém, um traste indispensável que fica incondicionalmente ao seu dispor nas excursões que fizermos juntos.""



Uma pérola da cultura

O seu trabalho mais famoso é Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, editado pela primeira vez em 1945 (actualmente publicada pela Livraria Sá da Costa Editora). Palavras de Orlando Ribeiro ditas por Fernando Alves no documentário: "Publiquei um livro ambicioso no título e no conteúdo: Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, primeiro ensaio de síntese na destrinça de influências e relações que se entrelaçam na terra de Portugal."

Entremos de novo na sala em Vale de Lobos, para ouvir Suzanne Daveau falar deste livro e do que descobriu enquanto arrumava papeladas para entregar à Biblioteca Nacional, que ficou com a guarda do espólio de Orlando Ribeiro, incluindo os 24 cadernos de viagem, correspondência e os manuscritos das suas obras. "Encontrei nesta agenda minúscula do ano 1941 um apontamento muito curioso. No dia 31 de Maio, está esta indicação: "O editor da Coimbra Editora pediu-me um livro para a Colecção Universitas. Grande alegria minha."" E na agenda consta um título provisório, Portugal, Produtor de Homens: "Não tenho dúvida de que é o pedido que levou à realização do livro mais conhecido do Orlando, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico."

No depoimento que presta no documentário, o sociólogo António Barreto diz: "Considero este livrinho uma verdadeira pérola da cultura portuguesa. É certamente dos melhores livros de todo o século XX e um dos grandes livros de toda a literatura portuguesa, científica ou não. Neste caso, científica." E acrescenta: "É um livro maravilhosamente bem escrito, de um precisão, de um rigor, de uma modéstia académica, em que ele sugere, propõe, define. Devia ser sempre, sempre, lido nas escolas."

Também José Mattoso sublinha a importância deste livro. "Na altura, os historiadores não se aperceberam de que isso obrigava a uma nova concepção da História de Portugal, tanto mais que o regime salazarista tinha uma ideologia extremamente unitária do país e fundamentava a sua ideologia na unidade fundamental de Portugal", diz o historiador. "E o que o professor Orlando Ribeiro veio trazer foi a demonstração de que não havia unidade, há diversidade."

Ele fundou, em 1943, o Centro de Estudos Geográficos (CEG) da Universidade de Lisboa, a primeira instituição nacional de investigação na disciplina, e a que presidiu até 1973. A geografia em Portugal ganhou então uma dimensão internacional e muitos foram os discípulos que Orlando Ribeiro deixou, como Raquel Soeiro de Brito, Ilídio do Amaral ou Jorge Gaspar.



Onze mil imagens

É no CEG que está a colecção de imagens do geógrafo, cerca de 11 mil. Tem dez mil fotografias a preto e branco e as restantes imagens são diapositivos. Tirou-as não só em Portugal, mas nos vários países que calcorreou, desde o Brasil e México até Marrocos, Egipto e as ex-colónias, com excepção de Timor. E não só fotografava, como desenhava muito nos cadernos de campo, que depois usava como documentação.

Em Portugal, as deambulações faziam-se numa carrinha 4L. "Era um carro alto, que conseguia atravessar os caminhos maus, os rios", diz Suzanne Daveau. "O Orlando conhecia a fundo Portugal. Queria mostrar-me os lugares que conhecia. Mas de vez em quando chegávamos a uma aldeia e ele dizia: "Ah, nesta aldeia nunca estive!" Ficava felicíssimo por descobrir uma coisa que não conhecia."

Um dos momentos mais deliciosos do documentário é aquele em que Orlando Ribeiro surge na ilha do Faial, tendo como cenário o vulcão dos Capelinhos, que entrou em erupção a 27 de Setembro de 1957, e onde ele e Raquel Soeiro de Brito chegaram poucos dias depois. É o único momento em que ouvimos a voz de Orlando Ribeiro, a ser entrevistado para a RTP, que tinha iniciado as emissões regulares meses antes: "Infelizmente não é possível oferecer - como é que se chamam as pessoas que escutam isto?... os telespectadores, são os telespectadores - os ruídos do vulcão, de modo que para os substituir, muito tristemente, aliás, vamos dizer alguma coisa sobre a erupção."

Tal como no vulcão dos Capelinhos, documentou e fotografou profusamente a erupção na ilha do Fogo, em Cabo Verde, em 1951. No livro A Ilha do Fogo e as Suas Erupções, de 1954, não se esqueceu também das provações por que passava a população com a seca e as fomes, no capítulo As crises: miséria e redenção. Ao contrário do resto do livro, enviado à Junta de Investigações do Ultramar, esse capítulo seguiu logo para a tipografia, para evitar que fosse censurado. "O Orlando já era conhecido internacionalmente. Como na altura era vice-presidente da União Geográfica Internacional, não tiveram a coragem de suprimir o livro", conta Suzanne Daveau.

Também não fica esquecida a sua paixão pela música, a ponto de Ilídio do Amaral se lembrar de um episódio: "Resolveu que num dia da semana, salvo erro sexta-feira, o seu grupo de assistentes ouviria música clássica. Comprámos um gira-discos, eu trouxe da minha colecção, ele trouxe da dele, punha-se a tocar. E ele, Orlando Ribeiro, explicava." Paixão que transparece nas Memórias de Um Geógrafo, nomeadamente pelo Adágio da Sétima Sinfonia de Bruckner, "muito solene e muito lento", dizia. "É qualquer coisa de arrepiantemente exacto e subtil - qualquer coisa que só o poder divino é capaz de insuflar, quase para além do humano e, no entanto, terrivelmente sentido por um espírito ávido de precisão."

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