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28 Novembro 2014, 15:13 por Isabel Aveiro | ia@negocios.pt
 
Último inquérito às explorações agrícolas nacionais feito pelo INE dá conta de um aumento de 10,2% da área regada pelo Alqueva entre 2009 e 2013. São mais 20 mil hectares. 

O valor de produção da exploração por um hectare de superfície agrícola utilizada (SAU) em que a área é maioritariamente regada é quatro vezes superior à média das restantes explorações em Portugal.

A conclusão é do Instituto Nacional de Estatística (INE), está patente no "Inquérito à Estrutura das Exploração Agrícolas" publicado esta sexta-feira, 28 de Novembro, tem 2013 como último ano de recolha de dados e o quinquénio de 2008 a 2012 como referencia base.

Escreve o INE no resumo publicado que "o VPPT [valor de produção padrão total] gerado por um hectare de superfície agrícola utilizada nas explorações predominantemente de regadio atinge os cinco mil euros".

Este valor é "quatro vezes superior à média nacional e sete vezes maior que o das explorações exclusivamente de sequeiro". Um exemplo da cultura de sequeiro, utilizada em áreas menos expostas a pluviosidade, são os cereais de Inverno, como o trigo e a cevada.

Sobre os efeitos da irrigação na agricultura nacional, o INE destaca anda as consequências da barragem do Alqueva, que o actual Executivo espera ter concluído até ao final do próximo ano. "O desenvolvimento do regadio no Alentejo, promovido pela infra-estrutura do Alqueva, é comprovado pelo aumento de cerca de 20 mil hectares da superfície regada"  - ou mais 10,2% - desde 2009.

Nos mesmos cinco anos (2009 a 2013), a área regada em Portugal aumentou, no total, 2,3%:  metade (50,8%) das explorações nacionais regaram 479,8 mil hectares.

 

Olival cresce, vinha diminui

 

As culturas permanentes, que no final de 2013 representavam 19,5% da superfície agrícola utilizada (SAL) existente em Portugal (os restantes 49,9% eram pastagens permanentes e 30,2% terras aráveis) também sofreram alterações entre 2009 e 2013.

Naquele período, a sua superfície aumentou 2,6%, muito à custa do olival, que aumentou 4,4 mil hectares e passou a representar, em final de 2013, 48% da área de culturas permanentes .

A produção de frutos teve um crescimento significativo entre 2009 e 2013, constata ainda o INE. As culturas permanentes de frutos pequenos de baga, leia-se silvestres ou "vermelhos" (como amoras, framboesas, mirtilos, etc), registaram um aumento de 175,7%; e de frutos de casca rija (nozes, amêndoas, avelãs) progrediram 21,6%.

Pior teve a vinha, diz o INE, cuja superfície decresceu 8,8% entre 2009 e 2013. Foi a "única excepção" dentro do crescimento verificado, em área, nas culturas permanentes naquele período

 

Como mede o INE o valor de produção?

O INE contabiliza como VPP – valor de podução padrão – o "valor monetário médio de produção agrícola numa dada região, obtido a partir dos preços de venda à porta da exploração. "É expresso em euros por hectare ou cabeça de gado" e "corresponde à valorização mais frequente que as diferentes produções agrícolas têm em determinada região". O VPPT – valor de produção padrão total da exploração – é, por seu turno, a "soma dos diferentes VPP obtidos para cada actividade", multiplicando os mesmos, "pelo número de unidades existentes dessa actividade na exploração". O INE adianta que, para o inquérito agora publicado "o período de referência dos dados de base dos VPP cobriu o quinquénio de 2008 a 2012".  

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ARMANDO SEVINATE PINTO Público | 20/09/2014 - 20:45

 

Embora gostasse de estar enganado, estou convencido de que há muitos alunos de escolas superiores de agricultura que chegam ao fim dos seus cursos sem nunca terem visto de perto um exemplar das estatísticas agrícolas. No entanto, o Instituo Nacional de Estatística (INE) publica-as com regularidade e, actualmente, com bastante oportunidade. Se tal for o caso, isso só pode ser explicado pelo facto de o mesmo ter acontecido com alguns dos seus professores.

Saber de que recursos naturais dispomos, de que forma são utilizados, por quem e por quantos, com que estruturas, o que se produz, com que custos e a que preços, o que consumimos, o que importamos e/ou exportamos e muitas outras informações estatísticas, deveria fazer parte da cultura geral de todos e ser objecto de estudo por parte daqueles que têm mais obrigações de o fazer. Bem sei que, em muitos casos, as estatísticas resultam de encadeamentos de estimativas, de operações complexas, de conceitos em permanente alteração e que, em alguns casos, têm de ser utilizadas com cuidados particulares, evitando-se querer conferir rigor analítico a resultados cujas bases são obrigatoriamente imprecisas.

Utilizarei apenas um exemplo para ilustrar a importância destas informações, através de uma breve análise das estatísticas do comércio externo de produtos alimentares de base agrícola.

Diz o Governo, e eu concordo, que, nesta área, o equilíbrio em valor entre aquilo que importamos e exportamos deve constituir um objectivo central da sua política agrícola. Dito de outra forma, sermos auto-suficientes em valor, o que é muito diferente de sermos auto-aprovisionados (conceito quantitativo, totalmente diferente, que só pode ser calculado sector a sector).

É de facto um bom objectivo! Mas será alcançável? De que maneira? Com que instrumentos de política? Exportando mais? Importando menos? Consumindo menos? Que produtos?

Só a análise rigorosa do comércio externo nos poderá ajudar a ser precisos na identificação de alguns elementos de resposta a estas questões.

 

No quadro simples que se apresenta, constam os valores globais de importação e de exportação de produtos alimentares de origem agrícola, em 2013 e, para ambos os casos, os quatro primeiros grupos de produtos, em valor, destacando-se, em cada grupo, os dois primeiros produtos, por ordem de importância.

Apesar de se tratar de um exercício rudimentar, da sua análise resulta um “mar” de conclusões preliminares, ainda que com certezas misturadas com muitas dúvidas, que só o recurso a análises complementares pode esclarecer.

A primeira conclusão é de que o nosso “calcanhar de Aquiles” se situa na área das carnes, sobretudo de bovino e de suíno, a que se seguem os cereais, sobretudo o milho e o trigo, as oleaginosas, sobretudo a soja e o girassol, e o leite e lacticínios, sobretudo os queijos, os iogurtes e outras preparações de tipo semelhante.

A segunda conclusão resulta do aprofundamento da primeira e diz-nos que o sector das carnes e do leite, associado a uma parte dos cereais e oleaginosas, necessário para a alimentação pecuária, poderá “valer” entre dois terços e três quartos do nosso défice comercial alimentar de base agrícola (cerca de 3 mil milhões de euros).

A terceira conclusão é de que somos fortes em várias produções, mas não o suficiente para compensar as fraquezas. É o caso das bebidas (vinhos e cervejas), das gorduras (óleos incluindo azeite, que equilibram as importações neste capítulo), das preparações de hortícolas (tomates e conservas de outras hortícolas) e das frutas (maças, peras e citrinos). A quarta conclusão é de que somos fortes na maioria dos produtos oriundos do regadio e fracos em produtos que têm mais a ver com produções não regadas.

Quanto às dúvidas, a primeira e mais importante, é se, no sector alimentar, poderemos alguma vez ser auto-suficientes em valor. Embora, à partida, ache que sim, para o confirmar é necessário avaliar os nossos recursos e ver se poderemos produzir em condições de competitividade relativamente aos países de onde importamos a carne, os cereais, as oleaginosas e os lacticínios.

Os resultados deste tipo de análise variam com o tempo e com um grande número de factores, entre os quais, além das questões técnicas de que resultam as produtividades físicas, da quantidade e do custo dos consumos intermédios, as taxas de câmbio também são por vezes determinantes.

Esse tipo de exame implica a determinação das razões que permitem aos exportadores estarem em condições de conquistar os nossos mercados e, também, de que maneira poderíamos fazer face às eventuais desigualdades que lhes são favoráveis.

Simultaneamente, teríamos de analisar a maneira de reforçar as nossas exportações para compensar as importações. Tratando-se basicamente de bebidas e de hortofrutícolas, será que poderemos ir além do que já vamos, sabendo que se trata de produções que necessitam de água para rega?

Naturalmente, teríamos igualmente de analisar até que ponto poderíamos produzir competitivamente quantidades superiores de muitos dos produtos que, por si só, não se traduzem em grandes valores e, por isso, não aparecem no quadro anterior, mas que em conjunto têm bastante importância.

Entre dúvidas e conclusões, creio que chegaríamos facilmente àquela que considero dever estar entre as grandes questões agrícolas do nosso tempo e à qual urge dar resposta. O que poderemos fazer com praticamente todo o território nacional, de sequeiro e sem condições de vir a ser regado?

Como poderemos, ou até se queremos, viabilizar a actividade agrícola e a produção em mais de três quartos da nossa superfície agrícola?

Finalmente, pode-se sempre pôr a questão de saber se podemos consumir menos, sobretudo certos produtos que não temos em quantidade suficiente.

Em primeiro lugar, penso que, com a ajuda das grandes superfícies se poderia fazer uma significativa economia.

Em segundo lugar, sem querer tirar protagonismo à minha amiga Isabel Jonet (presidente do Banco Alimentar), que se envolveu na célebre polémica dos bifes, também pergunto se poderíamos consumir menos bifes, sobretudo dos importados.

É que, se o INE não cometeu nenhum erro, os residentes em Portugal consomem, per capita, 105 kg de carne por ano, o que dá a excessiva média de 289 gr por dia. Sabendo que muita gente nem condições tem para comprar carne, isso quer dizer que muitos outros passam o dia a comer carne.

Não será demais? Se as contas estão certas, não terei dúvidas em assegurar que sim.

É manifestamente demais e só pode fazer mal à saúde. Estão a ver a importância das estatísticas?

Engenheiro Agrónomo (ISA)

 

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TSF on-line 16.12.2010

Uma em cada quatro explorações agrícolas deixou de existir, sobretudo pequenos terrenos, na Beira Litoral, Ribatejo, Oeste e Algarve. Ainda assim, as explorações ocupam metade do território nacional.

Em dez anos, desapareceu uma em cada quatro explorações agrícolas. Ao todo, deixaram de existir 112 mil, sobretudo pequenas explorações, na Beira litoral, Ribatejo, Oeste e Algarve.

O recenseamento mostra outros recuos de terras aráveis e do número de explorações pecuárias. Há menos porcos, ovelhas e cabras, uma queda que chega aos 25 por cento. Só o número de bovinos se mantém estável.

Há uma área menor para a vinha, menos batatas e cereais para grão, menos pomares de frutos frescos, menos limões e laranjas.

Em contrapartida, a produção de frutos subtropicais subiu, com destaque para o kiwi, e aumentou o número de tractores.

Quanto ao perfil dos agricultores, são homens, em média estão mais velhos quatro anos, quase metade tem mais de 65 anos e mais de metade tem apenas a antiga 4ª classe.

A família é responsável por cerca de 80 por cento do trabalho agrícola e as pensões e reformas representam o principal rendimento para estes homens da terra.

Estes dados preliminares do recenseamento agrícola de 2009 foram revelados, quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), numa operação que custou cerca de 17 milhões de euros e que envolvendo mais de dois mil colaboradores.


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Rendimento Agrícola em Portugal em 2008

por papinto, em 11.01.09

pelo Prof. Francisco Avillez

 

Agroportal, 6/01/2009 ver aqui

 

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Pode-se, assim, como conclusão final, afirmar que, apesar, de se ter verificado em 2008 uma melhoria do rendimento da actividade agrícola por unidade de trabalho utilizada em Portugal (+2,1%), esta teve subjacente uma quebra significativa no rendimento do conjunto do sector agrícola português (-2,5%) e, sobretudo, da sua componente que resulta exclusivamente das actividades de produção vegetal e animal (-7%). O resultado final positivo assim alcançado foi, portanto, consequência do efeito conjugado dos acréscimos verificados nos apoios públicos aos produtores agrícolas (+4,3%) e dos decréscimos nas UTA utilizadas (-4,3%) que, em conjunto, mais que compensaram as perdas do rendimento sectorial em causa.

Francisco Avillez
Professor Emérito do ISA, UTL

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