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Agricultura Urbana

por papinto, em 08.01.14

Manual Agricultura Urbana

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Público, 2011.01.17 Por Mariana Correia Pinto

Movimento pretende aproveitar terrenos abandonados para fazer agricultura sem recurso a químicos. Qualquer pessoa pode cultivar um lote no centro do Porto. Sem qualquer custo


 

Encontrar terrenos abandonados nos quais se possam desenvolver projectos de agricultura sem recurso a produtos químicos. Numa frase, talvez seja esta a melhor forma de definir o projecto Quinta Musas da Fontinha, que arrancou sábado e que juntou cerca de 40 pessoas só no primeiro dia.

A ideia de Francisco Flórido, membro do movimento Terra Solta e mentor do projecto, é simples: encontrar terrenos para distribuir lotes de terra agricultável no centro do Porto. Tudo sem submissão a qualquer tipo de "lógica economicista", nota Francisco Flórido, um engenheiro agrónomo para quem a grande vantagem deste projecto é provar que o "espírito cooperativo entre cidadãos pode funcionar".

Na Rua do Bonjardim, no Porto, foram já distribuídos os primeiros 11 lotes (que têm entre 25 e 75 metros quadrados). Os terrenos são geralmente privados, mas estão abandonados ou sem qualquer utilidade. "O que propomos ao proprietário é uma espécie de contrato de comodato", explica o engenheiro agrónomo. "As pessoas cedem-nos o terreno e, em troca, comprometemo-nos a mantê-lo limpo e produtivo." A única obrigação assumida por quem cultivar o lote é utilizar técnicas que respeitem a agicultura biológica, biodinâmica ou permacultura.

A ideia parece ter pegado: no sábado, entre associações ambientais, sociais e recreativas e participantes a título individual (apareceram casais desde os 30 aos 70 anos), passaram cerca de 40 pessoas pela Associação Musas da Fontinha, que cedeu o principal terreno para o projecto (com 400 metros quadrados). Nem todas estavam interessadas em adquirir lotes e esse foi um dos pontos que mais impressionou Francisco Flórido: "Houve gente que apareceu só para ajudar." E ajudar significou sobretudo meter mãos à obra e limpar terreno - a primeira das etapas do processo.

Cada um levava o que tinha - moto-serra, luvas, sementes - e todos iam participando. "Criámos uma comunidade em autogestão", orgulhou-se o mentor do projecto.

As linhas de acção e as regras não estão completamente definidas, mas há muitas ideias no ar: criar espaços para a preservação de fauna e flora natural, lagos, um forno de adobe (barro), limpar o poço existente no terreno, integrar animais (abelhas incluídas) no espaço para melhorar o ecossistema, criar periodicamente feiras para venda de alguns produtos, são algumas delas. E ainda organizar workshops sobre agricultura sustentável do ponto de vista ambiental.

A entrada para o terreno faz-se pelo n.º 998 da Rua do Bonjardim, a sede da Musas. É também lá - e através do e-mail da associação Terra Solta - que os interessados podem obter mais informações sobre o projecto.

A ideia agora é ir desbravando terreno adjacente: um dos vizinhos do Musas já cedeu a sua propriedade (90 metros quadrados, destinados à Associação Vida Alternativa) e acredita-se que outros poderão seguir o mesmo caminho. "O espaço onde estamos agora já esteve abandonado e, depois de muito trabalho, conseguimos fazer agricultura aqui. É isso que pretendemos que aconteça aos outros terrenos", explicou Hugo Sousa, da Associação Musas da Fontinha.

Há todo um processo de "transferência de saberes" que interessa particularmente a Hugo Sousa. E as diferentes associações que foram comparecendo ao longo de sábado sugerem que essa tarefa não será complexa. A Associação Colectivo Germinal, por exemplo, que trabalha com crianças desfavorecidas, já "arrendou" um espaço com objectivo bem definido: fazer hortas pedagógicas para os mais novos. É um "ponto de partida", diz Francisco Flórido, para quem está demontrado que as hortas urbanas também suscitam interesse no Porto, apesar de esta cidade ainda mal ter acordado para a tendência.

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Museu do Traje aluga terras para cultivo

por papinto, em 26.12.10
http://www.boasnoticias.pt/ 26 Dezembro de 2010

 

[Fotografia: © Miguel Lopes / LUSA]

 

 

 

Em outubro, o Núcleo de Hortas do Parque Botânico do Museu Nacional do Traje, em Lisboa, colocou à disposição do público interessado trinta talhões para cultivo. Entre aqueles que os arrendaram, alguns fizeram-no pelo contacto com a Natureza, outros por razões económicas.

Todos os talhões, distribuídos por um terreno de três mil metros quadrados, foram adquiridos por um ano e mediante licitações. Os valores variaram entre os 0,80 euros e os 2,50 euros por metro quadrado.

Com a ajuda das duas filhas mais velhas, Ana Mourão foi a primeira a ver o fruto do seu trabalho naqueles talhões: uma pequena alface. Ali instalou também um tanque de compostagem que regularmente é alimentado com restos orgânicos. Não trabalha a terra por necessidades económicas, mas espera fazer desta horta a origem de parte significativa dos legumes que a família consome.

"Para já, vale pela experiência, pelo prazer do tempo de convívio familiar passado na natureza", revelou Ana Mourão à agência Lusa.

Já o arquiteto responsável pelos jardins do museu, Rui Costa, reconhece que a crise motivou uma espécie de "corrida" aos talhões; o número de hortelões aumentou para perto do dobro. "As pessoas tentam complementar a sua alimentação com os legumes que aqui plantam", disse à Lusa.

Couves, feijão, alface, ervas aromáticas, favas, alhos ou brócolos são as culturas que mais preenchem os terrenos do Museu do Traje, onde cada um aposta nas mais criativas formas de afastar os predadores. Há ainda uma regra a cumprir: os talhões não podem ser vedados, sendo que quem passeia por lá pode apreciá-los.

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por Diana Garrido, Publicado i-online em 29 de Maio de 2010
Não é preciso viver no campo para ter uma horta. Nos EUA já fazem parte das cidades. O i explica-lhe como começar a sua
Entre canteiros feitos com restos de tábuas e sulcos cavados por braços determinados crescem toda a espécie de legumes. Abóboras, tomates, cebolas, feijão, alfaces verdes e roxas, tão brilhantes que parecem de plástico, tremoços, favas e batatas. Há pessegueiros e flores cheias de abelhas, borboletas e toda a espécie de fauna esvoaçante. E por momentos não nos lembramos que estamos no meio da cidade de Lisboa, com calçada portuguesa de um lado e tubos de escape do outro. Na horta popular da Mouraria-Graça (www.horta-popular.blogspot.com) toda a gente é bem-vinda. Inês Clematis, uma artista plástica de 36 anos e impulsionadora do projecto, explica porquê: "Este espaço é de lazer e de descanso. Aqui há partilha de conhecimentos e as pessoas podem conviver. É quase uma terapia."

E é mesmo. A psicóloga Maria João Matos Silva explicou ao i que dentro das várias correntes da psicologia actuais, "todas estão de acordo em relação aos benefícios do contacto com a terra". Ou seja, "assim como na criação artística há um processo de sublimação, na criação e na manutenção das hortas também há, ainda que a um nível mais primitivo". Mexer na terra, plantar alimentos e cuidar deles, para além de dar prazer, "apazigua e permite uma autodescoberta". Até o hospital psiquiátrico Júlio de Matos foi construído tendo como base a ergoterapia, um processo terapêutico que compreende a ocupação dos doentes, através de trabalhos manuais ou da agricultura.

Convívio de enxada na mão
Para Miguel Morais, 23 anos e licenciado em Sociologia, a agricultura amadora e biológica, é "uma forma de convívio". Todos os domingos de manhã, o ritual repete-se: Miguel e um núcleo duro de quatro amigos sobem à horta do Monte Abraão, em Queluz, e arregaçam as mangas. Deles dependem as alfaces, as couves, as cebolas, as abóboras, os rabanetes e demais vegetais que há dois anos decidiram plantar num terreno cedido pela câmara. "É divertido. Fazemos experiências de cultura biológica e trocamos conhecimentos. Depois distribuímos entre nós o que colhemos e também oferecemos a outras pessoas. Não é uma forma de subsistência, é mais pela piada da coisa." A maior dificuldade, assim como na horta da Mouraria - Graça, é a rega. A água é escassa e a câmara, quer de Lisboa, quer de Sintra, não ajuda. "No Verão é preciso muita vontade e persistência para a manter", conta Inês Clematis.

Horta = trendy
Nos EUA a febre da agricultura já invadiu as cidades e impôs-se como uma tendência. Seja em terrenos seja nos telhados dos arranha-céus: verde é a cor da estação. A dedicação à causa é tão grande que algumas empresas americanas já fabricam vasos para plantar vegetais... de cabeça para baixo. (www.topsygardening.com), para aproveitar melhor o espaço.

Se anda desejoso de pôr as mãos na terra e não tem um terreno, não se preocupe. Se as hortas comunitárias não o entusiasmam, também não há problema. Nenhuma das questões serve de desculpa para fugir à tendência ecoterapêutica: uma varanda é mais que suficiente. Aqui ao lado explicamos como, com quê e quando. Experimente: vai ver que não quer outra coisa. E nada tema, nem é preciso sujar as mãos.

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