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Público, 2010-09.03
Por Nicolau Ferreira

Os menus terão que mudar nas próximas décadas. Não por questões gastronómicas mas para termos culturas adaptadas a um clima mais quente e seco. A meio do século XXI vamos ser mais dois mil milhões de pessoas


Em quatro décadas a Terra vai ter que alimentar nove mil milhões de bocas. Para Cary Fowler, director executivo do Global Crop Diversity Trust, o maior desafio não é a urbanização ou a falta de terreno agrícola, mas as alterações climáticas que vão exigir novas variedades de alimentos capazes de resistir ao calor e à seca. A salvação pode estar na natureza.

O norte-americano Cary Fowler não tem dúvidas: é necessário adaptar as culturas agrícolas que temos aos tempos que vêm aí. Ou escolhermos outras, que hoje não reconheceríamos se estivessem nos nossos pratos, se forem mais resistentes ao clima que cada região vai viver nas próximas décadas. A alternativa é vermos a produção decair e tornar-se mais cara. Tendo em conta que em 2050 a estimativa média da população mundial vai ser de nove mil milhões de pessoas - um terço a mais do que quando aterrámos no novo milénio - e a necessidade de comida vai subir 70 por cento do que é hoje, a alternativa é a fome.

O Governo britânico está preocupado com esta questão e decidiu olhar para todos os factores que vão influenciar a alimentação mundial. Saíram por isso recentemente 21 artigos de revisão na revista científica britânica Philosophical Transactions of the Royal Society B, acessíveis a todos.

O prefácio, escrito por John Beddington, o principal conselheiro científico do Governo, diz que "o desafio não é apenas aumentar a produção de uma forma sustentável, reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa e preservando a biodiversidade". É também necessário "tornar o sistema dos alimentos mais resiliente à volatilidade, tanto económica como climática".

A avaliação global dos 21 artigos dá uma perspectiva ligeiramente animadora do futuro da alimentação. Uma visão não partilhada pelo director executivo da Global Crop Diversity Trust - uma parceria público-privada para a manutenção da diversidade biológica das variedades de culturas agrícolas, que recebe dinheiro de vários países e de fundações como a Rockefeller ou a Bill & Melinda Gates.

"Acho muito interessante que os economistas façam projecções sobre 2050 e digam coisas como "o mundo tem de produzir mais comida". Do meu ponto de vista, não há nada de automático nisso", disse Cary Fowler em conversa com o PÚBLICO quando esteve em Lisboa, para dar uma palestra no 28.º Congresso Internacional de Horticultura. "O mundo não precisa de produzir mais comida para a nossa espécie, as culturas agrícolas são domesticadas, não são selvagens, dependem de nós para se adaptarem a novas condições."

Em 1950, quando Fowler nasceu, a população mundial ainda não tinha chegado aos três mil milhões. Mas, desde aí, apesar da terra cultivada só ter aumentado dez por cento, a comida por pessoa aumentou 23 por cento, mesmo que a população seja hoje mais do dobro. As desigualdades na distribuição é que fazem com que um sétimo da humanidade passe fome e outro sétimo tenha comida a mais. Como é que isto é possível? "A terra com agricultura irrigada duplicou, a quantidade de água utilizada triplicou, a quantidade de fertilizantes é 23 vezes mais, a quantidade de pesticida é 53 vezes mais", explicou o especialista.

Não será possível continuar simplesmente a dedicar cada vez mais terra à produção de alimentos. A agricultura tornou-se intensiva, o que permitiu um rendimento muito maior, mas este impulso não é infinito. "Não vejo que possamos produzir alimentos da mesma forma no futuro, porque a água, a terra, a energia e os fertilizantes não vão estar disponíveis como estiveram no passado. Para mim, isso devolve a questão à agronomia, às práticas agrícolas e à reprodução de plantas", apontou Fowler.

O artigo da Royal Society dedicado às alterações climáticas, apesar de ter inúmeras referências a projecções relacionadas com o aumento de temperatura, a variabilidade da precipitação ou o aumento de dióxido de carbono na atmosfera, defende que não existem dados suficientes para se saber quais os impactos reais destes factores. Outro artigo, que se concentra no futuro do rendimento das culturas, conclui que em 2050 o rendimento por unidade de área vai ser entre 50 e 75 por cento maior do que em 2007. Os autores calcularam o rendimento das culturas mundiais tendo em conta modelos de crescimento, o efeito das concentrações do dióxido de carbono e do ozono.

Cenário negro

Cary Fowler contrapõe com exemplos para mostrar um cenário mais negro. "Se a temporada de crescimento agrícola for mais quente, com picos de calor em certos momentos, os agricultores vão querer alterar as datas de plantação para evitar estes picos. Será que a chuva também virá em alturas diferentes?" Outro exemplo: "Para o arroz, o aumento de um grau na temperatura nocturna diminui a produção em dez por cento, e ninguém está à espera de uma subida de apenas um grau." O calor também afecta os polinizadores, o que potencialmente pode contribuir para a redução do rendimento das plantações.

Neste momento, a meta para o Global Crop Diversity Trust e para os investigadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, com quem a organização colabora, é 2030, um ano para o qual já existem dados sobre os efeitos das alterações climáticas. "Podemos esperar uma diminuição na produção de milho no Sul de África se tivermos as mesmas culturas de hoje. O milho é a principal cultura da região, totalizando 50 por cento da nutrição", disse Fawlor, acrescentando que, se nada se alterar, aquelas populações vão enfrentar crises alimentares enormes.

A alternativa é começar agora à procura de novas variedades, de plantas selvagens que sejam parentes das culturas que produzimos e que vivam naturalmente em zonas extremas, onde já estão habituadas à seca e ao calor. "Precisamos de recolher estas plantas porque temos de ser capazes de as utilizar no futuro para a reprodução e isso demora pelo menos dez anos", contabiliza o investigador. Serão necessários mais dez anos para estas novas variedades estarem prontas para o cultivo.

As novas culturas podem estar em qualquer lugar, nas margens de desertos, em montanhas. O norte-americano defende que uma comitiva de investigadores devia olhar para as mais diversas culturas que são produzidas pelos países e para os seus parentes selvagens. "Acho que se voltarmos a Portugal daqui a cem anos, as dietas não serão as mesmas", adivinhou o cientista, apontando o inhame, o sorgo ou as chícharas como alimentos com possibilidade de estarem na ementa do futuro (ver caixa). Algumas culturas poderão aumentar na produção mundial do futuro, outras poderão diminuir. O importante será salvaguardar estes tesouros naturais até serem necessários.

Para uma empreitada destas seria necessário um esforço global, e isso continua a ser um problema. "Os líderes mundiais só respondem a problemas de curto prazo, temos uma liderança mundial que é bastante ignorante e despreocupada com a fundação biológica da civilização, que é a agricultura. É muito perigoso quando a sociedade assume que vai tudo correr bem", defendeu.

O especialista refere que, mais uma vez, são os países em desenvolvimento, muitos deles produtores de alimentos para o mundo ocidental, que podem pagar o preço mais alto - mesmo que a sua responsabilidade nas alterações climáticas seja menor.

"Eu apostaria que entre hoje e 2030 vamos viver aquilo que os media descrevem como crises alimentares. Tivemos uma pequena crise há dois anos [referindo-se à escalada dos preços do arroz em 2008], mas essa não foi nada comparando com o que está para acontecer."

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ScienceDaily (May 6, 2010) — Climate and agricultural researchers, policy makers, donors, and development agencies, both governmental and non-governmental, from all over the world have just met in Nairobi for a one-day conference, 'Building Food Security in the Face of Climate Change'. The conference was an important part of a big international Mega Programme on Climate Change, Agriculture and Food Security (CCAFS). The programme's secretariat is based at LIFE- Faculty of Life Sciences at University of Copenhagen.

Climate change represents an immediate and unprecedented threat to the food security of hundreds of millions of people who depend on small-scale agriculture and natural resource management for their livelihoods. At the same time, agriculture and forestry also contributes to climate change, by intensifying greenhouse gas emissions and altering the land surface.

To facilitate new research on the interactions between climate change, agriculture, natural resource management and food security, the Consultative Group on International Agricultural Research (CGIAR) and the Earth System Science Partnership (ESSP) have initiated a Mega Programme on Climate Change, Agriculture and Food Security (CCAFS). CCAFS will create unique possibilities in the search for solutions to climate change and food security problems.

"Many farmers in developing countries live in areas that are particularly affected by climate change. In order to secure better living conditions for the farmers, we need to find the right solutions to creating a stable food production that also takes into account the environment. The conference is an important part of that work," says Deputy Director for administration and communication in CCAFS, Torben Timmermann, who helped organise the conference in World Agroforestry Centre in Nairobi.

New ten-year research initiative

Climate Change Agriculture and Food Security (CCAFS) is a large-scale ten-year research initiative which, from its start in 2010, will seek solutions to how to adapt the world's agricultural areas to a different climate with new conditions for production and agriculture and help reduce agriculture's emission of greenhouse gases. The Secretariat for CCAFS is placed at LIFE -- Faculty of Life Sciences at University of Copenhagen. CCAFS will primarily focus on three regions: South Asia, West Africa and East Africa.

Professor at LIFE and member of UN's Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), John R. Porter is pleased with the new research initiative and points out:

" In the months and years to come, together with leading experts from the whole world, we will focus on developing tools to understand climate change with a view to making the world community ready to tackle the challenges we are facing. At the same time, Danish agricultural research will help contribute to solving the most important challenges in the future, climate change and food security," continues John Porter.


University of Copenhagen (2010, May 6). Climate experts aim to build food security in the face of climate change. ScienceDaily. Retrieved May 6, 2010, from http://www.sciencedaily.com­ /releases/2010/05/100506102907.htm

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Agroportal, 2010.05.06

O Brasil vai ser o maior produtor alimentar do mundo até 2025, defendeu o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) ao destacar que o país deve aproveitar o contexto favorável de cooperação internacional com países em desenvolvimento.

"A tendência do Brasil é ser o maior 'player' mundial. Temos todas as condições de o fazer de forma sustentada e manter a força em termos de biodiversidade", disse Pedro Arraes num encontro com a imprensa estrangeira.

O país, segundo o presidente da Embrapa, deve utilizar melhor seus recursos naturais e "contribuir efectivamente para suprir alimentos no mundo" num conceito que alia a "agricultura sustentável à preservação do meio ambiente".

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Mais de mil milhões de pessoas no mundo têm fome, devido à crise económica e à subida dos preços dos alimentos nos últimos três anos, afirmou hoje o director geral da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO).

"Em 2009, o número daqueles que sofrem de fome no mundo aumentou 105 milhões em relação a 2008 e o número ultrapassa hoje os mil milhões", afirmou Jacques Diouf, na abertura dos trabalhos da XXXI Conferência Regional da FAO para a América Latina e as Caraíbas, que está a decorrer no Panamá.

Destes mil milhões de pessoas, 642 milhões vivem na Ásia e no Pacífico, 265 milhões em África, 42 milhões na América Latina e nas Caraíbas e 15 milhões nos países desenvolvidos, adiantou Diouf.

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WSFS09 Declaration

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20091116discursospapaFAO

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Green revolution may ensure enough food

por papinto, em 17.02.09



 

‘Green revolution’ can ensure enough food for entire world – UN environment agency


17 February 2009 –Unless major changes are made – including the way food is produced, handled and disposed of around the world – last year’s food crisis which plunged millions back into hunger may foreshadow an even bigger crisis in the years to come, the UN Environment Programme (UNEP) said in a new report.

The Environmental Food Crisis: The environment’s role in averting future food crises, released at the 25th session of the UNEP Governing Council/Global Ministerial Environment Forum in Nairobi, outlines a plan to reduce the risk of hunger and rising food insecurity for this century.

The agency predicts that food prices may increase 30 to 50 per cent within decades, forcing those living in extreme poverty to spend 90 per cent of their income on food.

The report, compiled by a wide group of experts from both within and outside UNEP, stressed that changing the ways in which food is produced, handled and disposed of across the globe – from farm to store and from fridge to landfill – can both feed the world’s rising population and help the environmental services that are the foundation of agricultural productivity in the first place.

“We need a Green Revolution in a Green Economy but one with a capital G,” said UNEP Executive Director Achim Steiner.

“We need to deal with not only the way the world produces food but the way it is distributed, sold and consumed, and we need a revolution that can boost yields by working with rather than against nature,” added Mr. Steiner

He noted that over half of the food produced today is lost, wasted or discarded as a result of inefficiency in the human-managed food chain.

“There is evidence within the report that the world could feed the entire projected population growth alone by becoming more efficient while also ensuring the survival of wild animals, birds and fish on this planet,” said Mr. Steiner.

The report also underscored the fact that over one-third of the world’s cereal harvest is being used as animal feed and by 2050 the ratio will rise to 50 per cent.

“Continuing to feed cereals to growing numbers of livestock will aggravate poverty and environmental degradation,” UNEP warned in its press statement.

Among the key points in its plan, the report suggested that recycling food wastes and deploying new technologies, aimed at producing biofuels, to produce sugars from discards such as straw and nutshells could be a key environmentally-friendly alternative to increased use of cereals for livestock.

The amount of unwanted fish currently discarded at sea – estimated at 30 million tons a year – could alone sustain more than a 50 per cent increase in fish farming, a rise needed to maintain per capita fish consumption at current levels by 2050 without increasing pressure on an already stressed marine environment.

The report highlights a number of other measures, including the reorganization of food market infrastructure to regulate prices, a micro-financing fund to boost small-scale farming, the removal of agricultural subsidies, managing and better harvesting extreme rainfall and adopting more diversified and ecologically-friendly farming systems.

Secretary-General Ban Ki-moon has appealed to environment ministers gathered in Nairobi to help promote a green economy to tackle climate change and wasteful resource consumption, as well as re-energize economies, creating opportunities for new and better livelihoods.

“Soaring food prices brought intense focus not just on the issues of agriculture and trade but on the inflationary role of biofuel production,” Mr. Ban said in a message to the weeklong meeting.

“Wildly fluctuating crude oil costs illustrated once again our dependence on the fossil fuels that are causing climate change, and the short-sighted economic vision that has precipitated the current financial turmoil is also bankrupting our resource base,” he stated.

“UNEP has been instrumental in developing the concept of the green economy, and is now identifying the tools for achieving it, but UNEP needs your support,” Mr. Ban stressed.

During the Forum, UNEP and technology giant Microsoft signed an agreement to work together using information and communication technology (ICT) solutions to help address today’s environmental challenges.

The partnership focuses on helping environmental organizations, such as UNEP, Governments, non-governmental organizations (NGOs) and researchers, work more effectively by making use of new technologies.

“We view our partnership with Microsoft as key to delivering solutions on a scalable level to a community of more than 190 nations and the UN system as a whole,” said Mr. Steiner.

“Without equitable access to information and the capacity for developing countries to engage on an equal level in negotiating key agreements like the climate change treaty or the biodiversity convention, we will not make much progress,” he added.

 

 

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