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Alimentos para fugir à monotonia

por papinto, em 26.02.11
O Sol 26 de Fevereiro, 2011Por Maria Francisca Seabra

 

Usada no séc. XIX, a cherovia perdeu importância. Mas é uma boa alternativa ao feijão verde cozido

Foi no Alto da Ajuda, em Lisboa, que Fortunato da Câmara aprendeu a lidar com «o tomate, os pimentos e as ervas aromáticas», que o pai cultivava num pedaço de terreno ao lado de um «bonito jardim».

Confessa ao SOL que a habilidade para saber onde deveria cair a semente na terra não era o seu «forte». Mas que ao comer os produtos biológicos que colhia com o irmão nasceu uma paixão pelo sabor da cozinha, que explora até hoje.

Alimentos, ao Sabor da História (Colares Editora) é o resultado de anos de trabalho em torno dos legumes, dos frutos e das plantas. O livro revela como os alimentos fizeram o seu percurso no tempo até ao lugar que ocupam hoje em casa ou no restaurante. E destaca alguns tipicamente portugueses ou que a História fez com que ficassem ligados à cultura nacional. Como é o caso do ruibarbo.

Segundo Fortunato, os portugueses foram os primeiros a comercializar este fruto, depois da descoberta do caminho marítimo para a Índia. «Mas infelizmente não há rasto do ruibarbo em Portugal». Pelo contrário, nos Estados Unidos, fazem-se sobremesas com esta espécie de aipo vermelho.

Outro exemplo é a cherovia, importante alimento da zona da Covilhã, no séc. XIX, e que hoje está afastada dos pratos, apesar de o gastrónomo reconhecer nela um grande potencial. «Dá--se bem nos solos gelados da Beira Interior e deveria ser um produto mais explorado, para evitar importarmos tantos legumes», salienta.

É esta cenoura branca, com a textura de um nabo, sabor ligeiro e aroma a avelã, que Fortunato redescobriu nas suas pesquisas pelas bibliotecas, à procura de histórias para o seu livro. Aconselha a cozinhá-la tal qual o marmelo - porque é adstringente quando crua, mas doce depois de reduzida a puré.

Fortunato da Câmara realça também a importância da salicórnia. Esta erva salgada, que nasce na Figueira da Foz ou em Alcácer do Sal, serve para acompanhar peixes. «A salicórnia tem também a particularidade de, a partir da sua cinza, ser possível extrair um composto para o fabrico de sabão ou vidro», explica.

Aconselha a usá-la numa receita de risoto para acompanhar costeletas de borrego grelhadas. Esta é uma das muitas sugestões de Alimentos, ao Sabor da História: «Brincadeiras que faço para os amigos, que considero as cobaias das minhas experiências».

Na verdade, o gastrónomo já transformou essas experiências em pratos que confecciona com frequência. Se há lição que aprendeu ao escrever este livro foi a de que «variar torna a alimentação muito mais interessante».

Por isso, recomenda «fugir da monotonia» do feijão verde e da cenoura cozidos. E também «da praga das batatas fritas e do arroz branco que acompanham 90% das refeições nos restaurantes».

francisca.seabra@sol.pt

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Público, 2011.02.20
Declarações do presidente do Banco Mundial

 


Os preços das matérias-primas alimentares já estão num nível de alerta e poderão gerar mais instabilidade política. O aviso foi ontem feito pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, à margem do encontro dos ministros das Finanças e dos banqueiros centrais em Paris.

"Atingimos um nível de alerta", disse Zoellick à imprensa, reproduzindo as declarações que fez ontem aos representantes dos 20 países ricos e emergentes, e que representam cerca de 85 por cento da riqueza do planeta. De acordo com o presidente do Banco Mundial, a subida dos preços dos alimentos vai incentivar o aumento da produção agrícola, mas, nos próximos dois anos, poderá contribuir para um aumento da instabilidade e até para a queda de alguns governos. A escalada das matérias-primas tem estado por detrás dos movimentos de protesto no Médio Oriente e no Norte de África.

"Devemos ser muito sensíveis ao que se passa em termos dos preços dos alimentos e aos efeitos que podem ter na estabilidade política", avisou Zoellick, apelando para que os dirigentes do G20 "considerem a alimentação como uma prioridade em 2011".

De acordo com dados recentes da instituição, a escalada dos preços dos alimentos atirou mais 44 milhões de pessoas para uma situação de pobreza extrema entre Junho e Dezembro. O cenário é mais grave nos países em desenvolvimento, onde as populações são mais vulneráveis às oscilações de preços, porque cativam mais de metade do seu rendimento para a compra de alimentos. A.R.F.

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World Bank Food Price Watch Feb 2011

por papinto, em 20.02.11
Food Price Watch Feb 2011 Final Version

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The Dietary Guidelines for Americans has been published jointly every 5 years since 1980 by the Department of Health and Human Services (HHS) and the Department of Agriculture (USDA). The Guidelines provide authoritative advice for people two years and older about how good dietary habits can promote health and reduce risk for major chronic diseases. They serve as the basis for Federal food and nutrition education programs.

 

Uma excelente colecção de tabelas em Apêndices! Necessidades energéticas por grupo etário e valor calórico de um grande grupo de alimentos

Dietary Guidelines 2010

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Future of food and Farming Report

por papinto, em 24.01.11
Future of Food and Farming Report

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40% of food produced worldwide is wasted

por papinto, em 14.01.11

in:Earthtimes

2011.01.13

 

Four out of ten kilos of food produced worldwide is wasted before being consumed, a new report by the Worldwatch Institute recently revealed. In its State of the World 2011: Innovations that Nourish the Planet, the non-profit says that African farmers, who make up 80% of the continent's population, need to be supported by more targeted and substantial aid.

Despite new and old initiatives underway, including the Obama administration's Feed the Future program and the United Nations World Food Programme, hunger still afflicts a large part of the world population - it is estimated that 925 million people are undernourished.

Due to the recession, global aid has fallen over the years, with agricultural funding representing 16% of all development aid in the 1980s to just 4% in the 2000s. According to the Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD) in 2008 just $1.7 billion in official development assistance was earmarked to support agricultural projects in Africa.

“The international community has been neglecting entire segments of the food system in its efforts to reduce hunger and poverty,” said Danielle Nierenberg, co-director of Worldwatch's Nourishing the Planet project. “The solutions won't necessarily come from producing more food, but from changing what children eat in schools, how foods are processed and marketed, and what sorts of food businesses we are investing in.”

The report explores various initiatives underway, and gages whether they've been successful or not - and if they're worth replicating. In one example, urban farmers in a dense urban neighbourhood in Nairobi, Kenya, grew vertical gardens, placing sacks of dirt poked with holes along buildings, in order to feed their families. Almost two thirds of Africans are expected to live in cities by 2050, as compared to just one third now, and this method was highlighted as a means to cope with one of the many food sourcing issues the world faces.

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by admin on January 12, 2011
Report provides a roadmap for food security and agricultural investment, revealing
15 high- and low-tech solutions that are helping to reduce hunger and poverty in Africa
New York, New York (12 January 2011)--Worldwatch Institute today released its report State of the World 2011: Innovations that Nourish the Planet, which spotlights successful agricultural innovations and unearths major successes in preventing food waste, building resilience to climate change, and strengthening farming in cities. The report provides a roadmap for increased agricultural investment and more-efficient ways to alleviate global hunger and poverty. Drawing from the world's leading agricultural experts and from hundreds of innovations that are already working on the ground, the report outlines 15 proven, environmentally sustainable prescriptions.
"The progress showcased through this report will inform governments, policymakers, NGOs, and donors that seek to curb hunger and poverty, providing a clear roadmap for expanding or replicating these successes elsewhere," said Worldwatch Institute President Christopher Flavin. "We need the world's influencers of agricultural development to commit to longstanding support for farmers, who make up 80 percent of the population in Africa."
State of the World 2011 comes at a time when many global hunger and food security initiatives--such as the Obama administration's Feed the Future program, the Global Agriculture and Food Security Program (GAFSP), the United Nations World Food Programme (WFP), and the Comprehensive Africa Agriculture Development Programme (CAADP)--can benefit from new insight into environmentally sustainable projects that are already working to alleviate hunger and poverty.
Nearly a half-century after the Green Revolution, a large share of the human family is still chronically hungry. While investment in agricultural development by governments, international lenders, and foundations has escalated in recent years, it is still nowhere near what is needed to help the 925 million people who are undernourished. Since the mid-1980s when agricultural funding was at its height, agriculture's share of global development aid has fallen from over 16 percent to just 4 percent today.
In 2008, $1.7 billion in official development assistance was provided to support agricultural projects in Africa, based on statistics from the Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD)--a miniscule amount given the vital return on investment. Given the current global economic conditions, investments are not likely to increase in the coming year. Much of the more recently pledged funding has yet to be raised, and existing funding is not being targeted efficiently to reach the poor farmers of Africa.
"The international community has been neglecting entire segments of the food system in its efforts to reduce hunger and poverty," said Danielle Nierenberg, co-director of Worldwatch's Nourishing the Planet project. "The solutions won't necessarily come from producing more food, but from changing what children eat in schools, how foods are processed and marketed, and what sorts of food businesses we are investing in."
Serving locally raised crops to school children, for example, has proven to be an effective hunger- and poverty-reducing strategy in many African nations, and has strong parallels to successful farm-to-cafeteria programs in the United States and Europe. Moreover, "roughly 40 percent of the food currently produced worldwide is wasted before it is consumed, creating large opportunities for farmers and households to save both money and resources by reducing this waste," according to Brian Halweil, Nourishing the Planet co-director.
State of the World 2011 draws from hundreds of case studies and first-person examples to offer solutions to reducing hunger and poverty. These include:
  • In 2007, some 6,000 women in The Gambia organized into the TRY Women's Oyster Harvesting producer association, creating a sustainable co-management plan for the local oyster fishery to prevent overharvesting and exploitation. Oysters and fish are an important, low-cost source of protein for the population, but current production levels have led to environmental degradation and to changes in land use over the last 30 years. The government is working with groups like TRY to promote less-destructive methods and to expand credit facilities to low-income producers to stimulate investment in more-sustainable production.
  • In Kibera, Nairobi, the largest slum in Kenya, more than 1,000 women farmers are growing "vertical" gardens in sacks full of dirt poked with holes, feeding their families and communities. These sacks have the potential to feed thousands of city dwellers while also providing a sustainable and easy-to-maintain source of income for urban farmers. With more than 60 percent of Africa's population projected to live in urban areas by 2050, such methods may be crucial to creating future food security. Currently, some 33 percent of Africans live in cities, and 14 million more migrate to urban areas each year. Worldwide, some 800 million people engage in urban agriculture, producing 15–20 percent of all food.
  • Pastoralists in South Africa and Kenya are preserving indigenous varieties of livestock that are adapted to the heat and drought of local conditions--traits that will be crucial as climate extremes on the continent worsen. Africa has the world's largest area of permanent pasture and the largest number of pastoralists, with 15–25 million people dependent on livestock.
  • The Food, Agriculture and Natural Resources Policy Analysis Network (FANRPAN) is using interactive community plays to engage women farmers, community leaders, and policymakers in an open dialogue about gender equity, food security, land tenure, and access to resources.  Women in sub-Saharan Africa make up at least 75 percent of agricultural workers and provide 60–80 percent of the labor to produce food for household consumption and sale, so it is crucial that they have opportunities to express their needs in local governance and decision-making. This entertaining and amicable forum makes it easier for them to speak openly.
  • Uganda's Developing Innovations in School Cultivation (DISC) program is integrating indigenous vegetable gardens, nutrition information, and food preparation into school curriculums to teach children how to grow local crop varieties that will help combat food shortages and revitalize the country's culinary traditions. An estimated 33 percent of African children currently face hunger and malnutrition, which could affect some 42 million children by 2025. School nutrition programs that don't simply feed children, but also inspire and teach them to become the farmers of the future, are a huge step toward improving food security.
The State of the World 2011 report is accompanied by other informational materials including briefing documents, summaries, an innovations database, videos, and podcasts, all of which are available at www.NourishingthePlanet.org. The project's findings are being disseminated to a wide range of agricultural stakeholders, including government ministries, agricultural policymakers, farmer and community networks, and the increasingly influential non-governmental environmental and development communities.
In conducting this research, Worldwatch's Nourishing the Planet project received unprecedented access to major international research institutions, including those in the Consultative Group on International Agricultural Research(CGIAR) system. The team also interacted extensively with farmers and farmers' unions as well as with the banking and investment communities.
The Worldwatch Institute and the Nourishing the Planet project are gratefully supported by the Bill and Melinda Gates Foundation and additional foundations, governments, and institutions including the Rockefeller and Surdna Foundations, the United Nations Foundation, the Goldman Environmental Prize, the Shared Earth Foundation, the Wallace Global Fund, the Winslow Foundation, and many more.

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Notes to Editors:
To interview Christopher Flavin, Brian Halweil, Danielle Nierenberg, or other State of the World 2011 contributors, please contact:
Amanda Stone, Communications Assistant, Worldwatch Institute
(+1) 202-452-1999 x514; astone@worldwatch.org
For review copies of State of the World 2011:
In the United States, Canada, and India, contact Amanda Stone at astone@worldwatch.org.
Outside of these three countries, contact gudrun.freese@earthscan.co.uk  or +44 (0)20 7841 1930.
Purchasing information:
State of the World 2011 sells for $19.95 plus shipping & handling / £14.99 + P&P.
  • It can be purchased via the Worldwatch website at http://www.worldwatch.org/sow11, by e-mailing wwpub@worldwatch.org, by calling toll-free (+1) 877-539-9946 (in the U.S.) or (+1) 301-747-2340 (from overseas), or by faxing (+1) 301-567-9553 with ISBN number 9780393338805.
  • The book is published outside of the U.S., Canada, and India by Earthscan and can be purchased at www.earthscan.co.uk/sow2011 or by calling +44(0)12 5630 2699 with ISBN number 9781849713528.
About the Worldwatch Institute:
Worldwatch is an independent research organization based in Washington, D.C. that works on energy, resource, and environmental issues. The Institute's State of the World report is published annually in more than 20 languages. For more information, visit www.worldwatch.org.

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Publico, 2011-01-10 Ana Rita Faria

 

Na última década, défice da balança alimentar cresceu 23,7 por cento. Só em Outubro, gastos com importações de cereais quase duplicaram

 

Temos de importar mais de 60 por cento da carne que consumimos, deixámos de ter produção de açúcar e só há pouco tempo começámos a plantar olival. E temos de importar praticamente tudo o que consumimos em matéria de cereais, até mesmo para alimentar o gado nacional.

Nos últimos dez anos, o défice da nossa balança comercial alimentar disparou 23,7 por cento. Os portugueses estão cada vez mais dependentes do estrangeiro para comer e, por isso, cada vez mais vulneráveis a uma escalada dos preços das matérias-primas alimentares como a que está a acontecer agora.

De acordo com os dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), os preços das matérias-primas alimentares nunca estiveram tão altos como agora. O índice da FAO, que reúne 55 produtos diferentes, atingiu em Dezembro o recorde histórico, depois de ter estado a subir durante seis meses consecutivos. O açúcar, os óleos e os lacticínios acumulam as maiores subidas desde 2009, mas os cereais e a carne também estão a aumentar.

O ministro da Agricultura, António Serrano, disse na semana passada ao Jornal de Negócios que esta nova crise pode ser uma oportunidade para Portugal, incentivando os produtores. Mas a verdade é que o país está mais vulnerável do que nunca a um choque de preços deste tipo, devido à elevada dependência do estrangeiro para se abastecer da maioria dos alimentos. Para já, a escalada dos preços ainda não se traduziu em subidas significativas dos preços finais - a inflação nos produtos alimentares rondava os 2,5 por cento em Novembro - mas já fez aumentar os custos na importação de alguns produtos. É o caso dos de cereais que, só em Outubro, dispararam 76,9 por cento, para os 71 milhões de euros.

Os gastos com compra de carne no exterior também subiram 1,4 por cento.

"Todos os factores de produção aumentaram de forma brutal, criando uma situação insustentável para muitas empresas da fileira agro-alimentar", revela Pedro Queiroz, director-geral da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA).

Problemas climatéricos que afectaram as colheitas ou as produções na Rússia, na Argentina e na Austrália, aliados a um aumento da procura por parte de países como a China e a Índia, ajudam a explicar a subida dos preços das matérias-primas.

Aos custos elevados, junta-se, em Portugal, um "problema de soberania alimentar", decorrente "de anos e anos de uma política agrícola comum que nos fez desinvestir na produção", considera o director da FIPA.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o nosso défice comercial (saldo entre as exportações e as importações de alimentos) aumentou 23,7 por cento entre 1999 e 2009, totalizando 3,3 mil milhões de euros (ver infografia). Apesar de as exportações terem crescido mais de 100 por cento nesse período, as importações também subiram mais de 50 por cento e continuam a representar quase o dobro dos produtos que exportamos.

Ainda assim, o valor do défice face ao produto interno bruto diminuiu, embora não tanto quanto seria de esperar, passando de 2,3 por cento em 1999 para dois por cento em 2009. Em 2010 (pelo menos até Outubro), e também em 2009, houve até reduções ligeiras do défice alimentar, mas sobretudo devido à crise, que levou a uma retracção das importações, enquanto as exportações mantiveram o seu fôlego.

Impacto nos preços?

Para Maria Antónia Figueiredo, presidente do Observatório dos Mercados Agrícolas e Importações Agro-Alimentares (OMAIAA), a escalada das matérias-primas alimentares pode conduzir a um aumento dos preços finais para o consumidor, mas isso "vai depender dos agentes do mercado e da existência ou não de stocks suficientes".

Alguns sectores, como o da produção de pão e de carne, não tencionam repercutir nos preços finais o aumento dos custos com as matérias-primas (ver textos abaixo). O mesmo se passa com os grandes retalhistas. "Nos últimos anos, o sector da distribuição tem conseguido acomodar os aumentos das matérias-primas, comprando mais caro ao produtor e não repercutindo isso no consumidor, e é natural que continue a fazê-lo", afirma Luís Reis, presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição. O responsável considera que "o aumento da eficiência no sector torna pouco provável a subida dos preços este ano, ainda para mais num cenário em que se prevê uma queda do consumo privado.

Mas, enquanto Portugal ainda só receia um aumento dos preços, outros países já estão a pagar a factura. Moçambique foi o primeiro a dar sinais de alarme, quando, em Setembro de 2010, 13 pessoas foram mortas durante protestos contra o aumento de 30 por cento no preço do pão. Na semana passada, contestação tomou de assalto a Argélia, onde os preços do açúcar e do óleo dispararam.

O principal receio é que uma nova onda de agitação social atinja os países menos desenvolvidos como aconteceu durante a crise alimentar de 2007-2008. Nessa altura, um cocktail explosivo de más colheitas agrícolas, aumento da procura por parte dos países emergentes, maior produção de biocombustíveis, à mistura com a especulação nos mercados, provocou uma subida gigante nos preços das matérias-primas alimentares.

 

Quatro sectores sob a ameaça dos preços

 

O país deixou de produzir beterraba e depende em mais de 50% do exterior na carne e cereais. No leite a situação é melhor

 

Cereais

 

Importações: 75%

Valor do mercado: 888,9 milhões

 

Com a subida dos preços dos cereais, o sector da panificação tenta apertar o máximo possível os custos para não ter de aumentar o preço final.

De acordo com a Associação do Comércio e da Indústria da Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP), o volume de negócios do sector caiu 35 por cento no ano passado. Este ano não deverá ser melhor.

"As matérias-primas vão continuar a aumentar e não há grande margem de manobra para fazer reflectir esse aumento nos preços finais, devido à retracção do consumo", considera Graça Calisto, secretária-geral da ACIP. A responsável admite mesmo a possibilidade de vir a haver problemas de abastecimento. Os preços do trigo e do milho estão 50 por cento mais altos do que há um ano.

A seca na Rússia (a maior dos últimos 50 anos) levou a uma quebra de produção em meados do ano passado, que acabou por desembocar numa decisão do Governo russo de limitar as exportações.

Mais recentemente, as inundações na Austrália abalaram o fornecimento de trigo aos mercados.

A.R.F.

 

Açúcar

Importações: 100% das matérias -primas para transformação

Valor do mercado: 312 milhões

 

Os portugueses ainda têm bem presente a falta de açúcar nos supermercados, na altura do Natal, por ruptura na refinação de açúcar e devido ao açambarcamento.

Neste momento, parece pouco provável que possa haver cortes no fornecimento de açúcar, mas a possibilidade do preço deste bem alimentar subir é grande.

A ruptura de abastecimento de açúcar no final de 2010 foi gerada, em parte, pelo atraso da Comissão Europeia em levantar um imposto aduaneiro que existe sobre a importação de cana.

Não se sabe até quando é que a Comissão mantém a suspensão desse imposto, criado para proteger a produção de açúcar de beterraba na União Europeia.

Neste momento, Portugal não tem produção a partir de beterraba, estando dependente da refinação da cana, mercadoria que continua a subir no mercado internacional.

A escalada de preços tem sido gerada por vários factores, entre os quais estão alterações climáticas.

O aumento do consumo na China e na Índia ajuda a pressionar os preços. Factores cambiais e a produção de biocombustível são factores que também influenciam o aumento do preço.

R.S.

 

Leite

 

Importações: no leite, o país é praticamente auto-suficiente

Valor do mercado: 1220 milhões

 

Quando tomamos um copo de leite ou barramos um pão com manteiga, a probabilidade de estarmos a utilizar produtos estrangeiros é muito pequena.

O famoso regime de quotas, por muitas falhas que encerre, e a dinâmica do sector cooperativo fazem com que Portugal não precise do estrangeiro nos dois principais produtos da área dos lacticínios - o leite em natureza e a manteiga, responsáveis por cerca de 60 por cento do mercado.

Encontramos leites e manteigas estrangeiras nas prateleiras dos supermercados por mera opção estratégica, não por real necessidade.

Já nos iogurtes e nos queijos, a situação é diferente, particularmente no primeiro item, onde as importações assumem um peso significativo.

Apesar da recente escalada dos preços mundiais dos alimentos, o custo dos produtos na prateleira não conheceu oscilações profundas. No caso do leite bebida, dados do Ministério da Agricultura mostram que o preço manteve-se praticamente estável ao longo de 2010, apesar de o preço que é pago ao produtor ter conhecido, no último semestre, um aumento que não está muito longe dos 10 por cento.

Como é que isto tem sido possível? O resultado traduz a fortíssima tensão existente entre a indústria que trata a matéria-prima e embala o leite e a grande distribuição, que tudo faz para manter o preço de um produto de largo consumo.

Para 2011, o quadro de estabilidade pode romper. Com a recente escalada de preços, que têm repercussões no custo das rações para os animais, a tendência será para aumentar o preço ao produtor e algum reflexo disso irá sentir-se nos consumidores.

J.M.R.

 

Carne

 

Importação: 60%

Valor do mercado: 1880 milhões

 

A escalada dos preços das matérias-primas afecta duplamente o sector da carne.

Além de prejudicar os importadores, afecta também os produtores nacionais, que vêem os seus custos de produção disparar devido à subida dos cereais, usados na alimentação dos animais.

O aumento da procura por parte da China é uma das principais causas do aumento de preços.

De acordo com a Associação Portuguesa de Grossistas, os preços não têm parado de subir, encarecendo as importações, que vêm sobretudo de Espanha, mas também de outros países europeus, do Brasil e da Argentina. A associação fala mesmo de alguns problemas de abastecimento, que estão a forçar algumas cadeias de supermercados, "regra geral mais exigentes na escolha de carne, a aceitar outras categorias, devido à escassez".

A carne de bovino é quase toda importada, enquanto na carne de aves e de porco, Portugal consegue satisfazer parte das necessidades. Já os produtores de carne viram os seus custos aumentar cerca de 30 por cento desde meados de 2010, devido à escalada dos preços dos cereais, que encarece as rações.

As fábricas de rações já aumentaram o preço em 25 euros por tonelada este mês. Mas um aumento dos preços finais está fora de questão.

A.R.F.

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Cereais deverão registar nova subida em 2011

 

Público on-line, 20110105

 

O mais recente índice mensal da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO), das Nações Unidas, que agrega 55 matérias alimentares, mostra variações de preço significativas em produtos que incluem cereais, sementes de óleo, lacticínios, carnes e açúcar.

O índice subiu para 214,7 pontos, mais 8,7 do que em Novembro, e passa mesmo os 213,5 de Junho de 2008, quando se deu a crise alimentar arrastada pelos máximos históricos do petróleo e que fez disparar os números da fome e provocou mortos em vários países.

Pelo terceiro ano consecutivo, o açúcar valorizou em 2010, tendo disparado, em Dezembro, para os 398,4 pontos, mais 25 do que no mês anterior.

Os cereais subiram 14,3 pontos, para os 237,6 no último mês de 2010. Só a carne e os lacticínios tiveram ligeiros aumentos, respectivamente, de 141,5 para 142,2 pontos e de 207,8 para 208,4.

E, num contexto de “grandes incertezas, como o actual, é expectável que o preço dos cereais continue a encarecer em 2011, comentou à agência financeira Bloomberg Abdolreza Abbassian, economista da agência da ONU. “Se algo correr mal com a colheita da América do Sul, existe muita margem para os preços crescerem ainda mais”, especificou.

Para responder à procura de cereais entre este ano e o próximo e contrariar a actual tendência de descida, a produção mundial terá de aumentar, pelo menos, em dois por cento, nota a FAO.

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Eating low-fat, thanks to lupin proteins

por papinto, em 04.01.11

Eating low-fat, thanks to lupin proteins
ScienceDaily (2011-01-04) -- Food should be delicious, healthy and sustainably produced. Researchers are working on new methods to use as many parts of plants as possible for nutrition. In the future, vegetable ingredients could replace animal raw materials. Lupin seeds, for instance, can be used to produce low-fat, exquisite sausage products. ... > read full article

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