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Para que servem as Universidades

por papinto, em 03.11.12

What Are Universities for Geoffrey Boulton FRS Sir Colin Lucas

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2012-08-02 às 20:30 www.portugal.gov.pt

MINISTRO DA EDUCAÇÃO ASSINA PROTOCOLO DE FUSÃO DAS UNIVERSIDADE DE LISBOA E A UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA

Numa cerimónia presidida pelo Ministro de Estado e das Finanças, Professor Vítor Gaspar, em representação do Senhor Primeiro-Ministro, o Ministro da Educação e Ciência, Professor Nuno Crato, em conjunto com os Reitores da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, e da Universidade Técnica de Lisboa, António Cruz Serra, assinaram hoje o protocolo mediante o qual o Governo aceita a proposta de fusão das duas universidades e em que se estabelecem os passos a dar para a concretização dessa fusão.

O XIX Governo Constitucional reconhece a importância do projeto de fusão entre a UL e a UTL e assume,pelo presente instrumento, a intenção de apoiar esta iniciativa das duas universidades, no âmbito do compromisso, assumido no seu Programa, de "medidas conducentes à reorganização da rede pública de instituições de Ensino Superior".

 

 

A proposta de criação de uma nova Universidade de Lisboa, mediante a fusão das Universidades de Lisboa e Técnica de Lisboa, resulta da vontade expressa de duas instituições centenárias, e o processo traduz também as deliberações largamente consensuais dos seus órgãos representativos, tendo sido objeto de um intenso e participado debate interno e discussão pública.

Na intervenção durante a cerimónia o Ministro da Educação e Ciência frisou que se tratou de um dia histórico que "expressa o arrojo e a generosidade das duas grandes Instituições de Ensino Superior", lembrando que tudo partiu de um sonho de dois homens, António Sampaio da Nóvoa e o então Reitor da Universidade Técnica Fernando Ramôa Ribeiro, apoiado depois pelo seu sucessor, o atual reitor António Cruz Serra.

Trata-se de um processo, frisou o Ministro Nuno Crato, em que as duas Universidades não solicitam meios financeiros adicionais ao Estado, e do qual resultará uma nova Universidade com um regime de autonomia reforçada.

O protocolo hoje assinado define o calendário de ações com vista a assegurar a concretização da fusão da UL e da UTL no quadro temporal de 2012-2013, entre as quais a aprovação do decreto-lei de fusão em Setembro de 2012 e a elaboração e aprovação dos estatutos e início do processo de eleição dos órgãos de governo da nova Universidade até Maio de 2013.

Na cerimónia estiveram também presentes o Ministro da Saúde, Doutor Paulo Macedo, e o Secretário de Estado do Ensino Superior, Professor João Queiró, juntamente com os Presidentes dos Conselhos Gerais da Universidade de Lisboa, Doutor Henrique Granadeiro, e da Universidade Técnica de Lisboa, Professor Adriano Moreira, entre outras figuras do meio académico.

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EntrevistareitoresDN20120304

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Para além da dívida

por papinto, em 01.09.11

PÚBLICO 2011-09-01 Pedro Lomba


Governar não é cortar despesas a eito apenas porque se tem que cortar despesas, nem subir impostos porque se tem de subir impostos, mesmo sob o alto patrocínio da troika. Nenhum Governo pode esquecer isto. Governar é ter a visão de fazer escolhas, enfrentar interesses e alterar paulatinamente a cultura de um país. Dou um pequeno exemplo.

A América pode estar em declínio. Na sua influência e economia; na sua capacidade para ultrapassar uma depressão duradoura; no seu sistema político capturado. Mas há um foco de poder tipicamente americano que resiste: as universidades. As universidades americanas continuam prósperas e dinâmicas. Não sofreram com a depressão destes anos. E provavelmente nunca atraíram tanta gente como hoje.

Esta contradição entre um país que experimenta os sinais de uma crise duradoura - e com dificuldades em sair - e um ensino superior que não foi atingido é um dos temas explorados por Fareed Zakaria, o editor da Time, na nova edição do seu livro O Futuro Pós-Americano. A tese desse livro é conhecida. Zakaria, como outros, escreve sobre a ascensão do resto, isto é, daqueles países não-ocidentais que adoptaram o capitalismo ocidental como política económica e desafiaram o poderio americano.

Ao identificar onde reside hoje esse poder, Zakaria refere a educação universitária como a melhor indústria dos Estados Unidos. E cita números: 8 das 10 melhores universidades do mundo estão nos Estados Unidos; 38 das 50 melhores também estão nos Estados Unidos. Comparados com as novas potências, China e Índia, que têm universidades pobres e sem conhecimento, é na América que se formam os melhores engenheiros do mundo e é a América que os doutorados chineses e indianos procuram. Prevê-se que, num futuro próximo, metade dos estudantes de doutoramento em universidades americanas venha do estrangeiro.

As universidades americanas são extremamente bem governadas. Conscientes do seu papel económico, abriram-se ao mundo. Em Singapura, a Universidade de Nova Iorque abriu um campus que replica o que tem na cidade americana. Há outros casos. Vejam como cativam alunos da América do Sul: brasileiros, chilenos ou argentinos. E esses alunos respondem viajando para os Estados Unidos. Tudo em coerência com um país que, ao contrário da Europa, não está a envelhecer.

Oque tem isto a ver connosco? Muito. Nos últimos 30 anos, as universidades portuguesas adaptaram-se à democratização do ensino. Tornaram-se, e bem, serviços sociais. Como instituições, permaneceram espaços corporativos, fechados e proteccionistas.

O que isto significa, mesmo abusando de alguma generalidade, é que a universidade portuguesa não foi pensada para oferecer um serviço económico num mercado global e competitivo. Podia ser. Numa intervenção recente na Fundação Casa de Mateus, o meu amigo e universitário Miguel Poiares Maduro propôs que o ensino superior poderia ser precisamente um domínio essencial para a atracção de investimento estrangeiro e para promoção de comércio externo. Poiares Maduro oferecia algumas razões que podem ser sintetizadas em duas: a mobilidade académica na União Europeia e o aparecimento de um mercado europeu de educação. Espreitem o que andam a fazer universidades em estados como a Dinamarca ou a Suécia.

Infelizmente, para essa defesa séria no ensino superior e para o seu aproveitamento económico não podemos esperar que a mudança comece nas próprias universidades. Como não podemos esperar que os hospitais ou outras corporações se reformem a si próprias. Precisam de intervenção externa, precisam de um Governo corajoso a criar regras. Repito: mesmo num país semifalido, a governação não se pode resumir a uma conversa sobre impostos, despesas e buracos. As universidades, em quem ninguém acredita, poderiam ser bem mais úteis a Portugal. Jurista

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Papa aos professores universitários

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i-online Marta F. Reis, Publicado em 18 de Junho de 2011  | 
Universidade do Porto angariou 47 mil euros com a ajuda de antigos alunos. Carnegie Mellon ensina alguns truques
 
Pedir a antigos alunos que apoiem financeiramente as actividades das universidades pode em breve deixar de ser um conceito estranho em Portugal. Na Universidade do Porto, uma primeira abordagem a propósito das celebrações do centenário da instituição levou 700 alunos a contribuir com 47 mil euros.

Esta semana, três especialistas em angariação de fundos da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, deram um workshop a directores para explicar com funcionam as doações nesta escola privada. O i falou com Christine Tebes, Michael Ransom e Lori Spears para perceber alguns truques de uma actividade que é norma no ensino superior norte-americano mas que em Portugal costuma servir apenas para financiar investigação. Criar uma ligação forte com os alunos é essencial.

A Universidade do Porto é a primeira no país a querer profissionalizar a recolha de fundos. Um gabinete com esse fim deverá ser criado já no próximo ano, depois do sucesso da recolha para o centenário. O objectivo era que as actividades fossem auto-suficientes - para o qual contribuíram também cerca de dez empresas com 400 mil euros.

O apelo foi publicado na revista da UP e em Dezembro do ano passado enviaram uma carta personalizada a 45 mil antigos alunos, explica Raul Santos, responsável pelo departamento de comunicação. A universidade optou por contactar apenas quem tivessem concluído os estudos há mais de três anos, "com uma condição profissional mais estável", a quem pediu uma ajuda em quatro patamares - 25, 50, 100 ou 150 euros. "Mesmo numa altura de crise, a mediana dos contributos situa-se nos 100 euros."

O gabinete do Porto terá à partida duas ou três pessoas. Um começo, face às cerca de 200 que trabalham nesta área na Carnegie Mellon. No âmbito do Programa Carnegie Mellon Portugal, os três responsáveis vieram explicar como em 30 anos conseguiram criar uma dinâmica que leva as empresas (por verem o papel da universidade na sociedade) e os alunos (por reconhecerem o papel da universidade nas suas vidas) a envolverem-se cada vez mais. Em primeiro lugar, dizem, é essencial definir objectivos. Na Carnegie Mellon, por exemplo, foi lançado há oito anos um plano para uma década de recolher mil milhões de dólares, hoje nos 700 milhões. "Arranjar apoio social para os alunos é uma das prioridades, mas também queremos financiar a manutenção das instalações e apoio à investigação", explica Tebes. Depois, é preciso criar uma dinâmica que favoreça o envolvimento, onde entram tradições como corridas de carros artesanais, encontros anuais e um site actualizado todos os dias, mas também professores marcantes, sistemas de tutores e a universidade como mais-valia para a vida pessoal e profissional dos alunos. Para o público em geral, publicam entrevistas com alunos no site da universidade e informação sobre os projectos em curso.

"Usamos tudo o que temos ao nosso alcance para nos ligarmos aos alunos e às pessoas", diz Ransom. "Quanto vieram os emails, começámos a usá-los. Quando o Facebook ficou popular abrimos uma conta. A comunicação consistente é uma trave mestra." Assim como agradecer no fim, revelam, tarefa à qual têm "algumas" pessoas adjudicadas. "Bom, não tratam só das cartas de agradecimento", riem do nosso espanto. No ano passado, os donativos de privados às universidades norte-americanas somaram 28 mil milhões de dólares.

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Porque hoje se decide a opção fundacional ou não para o governo da Universidade do Minho fui procurar informação no site da Universidade.

Para além duma excelente organização estrutural das informações nomeadamente do Conselho Geral que tomará hoje a decisão, vê-se que a questão foi objecto de uma ampla discussão:

Aqui vão os links para os debates:

 

 

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Público, 2011-05-30

Por Samuel Silva

 

Maioria dos membros do Conselho Geral é favorável à proposta da reitoria, mas um grupo de alunos e professores vai manifestar-se contra


 

O Conselho Geral é presidido por Luís Braga da Cruz e conta com outras personalidades exteriores à instituição.

 

O Conselho Geral (CG) da Universidade do Minho (UM) vota hoje a transformação da instituição numa fundação pública de direito privado. A maioria dos membros do órgão máximo é favorável à ideia e deve aprovar a proposta que tem sido defendida pelo reitor, António Cunha, desde Novembro. A alteração não se fará sem contestação, uma vez que uma plataforma de alunos, funcionários e professores promete manifestar-se antes e durante a reunião decisiva.

A decisão está nas mãos do CG, um órgão formado por 23 elementos, dos?quais seis são externos à universidade. Entre eles encontram-se os ex-ministros Laborinho Lúcio, João Salgueiro e Luís Braga da Cruz. Este último preside ao órgão e antecipa a aprovação da proposta na reunião de amanhã: "Admito que sim, atendendo ao posicionamento que tem vindo a ser conhecido dos membros." A provável aprovação da proposta será apenas o "primeiro passo" no processo de transformação da instituição em fundação. "O reitor dará depois início a um longo processo negocial com o Governo do qual resultará um contrato-programa", informa Braga da Cruz.

A alteração estatutária é apoiada pelos presidentes das maiores escolas da universidade. "Sou claramente favorável à transformação da universidade em fundação. Não o fazermos vai colocar alguns entraves à nossa capacidade de construir o futuro da instituição", defende Paulo Pereira, presidente da Escola da Engenharia, a maior da UM. Posição semelhante tem Estelita Vaz, presidente da Escola de Ciências: "As dúvidas que tinha foram esclarecidas e acredito que é a melhor solução para a universidade."

Os apoios estendem-se também aos alunos, que elegeram três elementos pa-?ra o CG. "A universidade terá ganhos de flexibilidade importantes e a discussão dos últimos meses permitiu perceber que não haverá mexidas naquilo que para nós era essencial: no regime de acessos, propinas e acção social", afirma o presidente da Associação Académica da UM, Luís Rodrigues.

Mudança não é unânime

O reitor da UM, António Cunha, tem mantido o silêncio sobre o tema ao longo das últimas semanas, mas em Março, durante as comemorações do aniversário da instituição, defendeu a passagem da instituição a fundação pública em regime de direito privado. "Estou inequivocamente convicto das vantagens que esta alteração tra-?rá para a universidade", afirmou, sublinhando a "maior autonomia" e?uma "muito maior flexibilidade de gestão" como mais-valias da alteração estatutária.

A alteração estatutária não é, porém, unânime, na UM. Em finais de?Abril, quatro referendos deram vitórias expressivas ao "não" junto de?professores, funcionários e alunos nas escolas de Psicologia, Ciências Sociais, Educação e Economia e Gestão. A vantagem da recusa à transformação da instituição numa fundação pública de direito privado andou em alguns casos entre os 70 e 80 por cen-?to e, mesmo que as consultas não fossem vinculativas, acenderam a discussão.

Amanhã, quando entrarem na reunião, os membros do CG terão à sua espera uma manifestação de uma plataforma de alunos, funcionários e professores, criada há duas semanas para contestar a passagem da universidade a fundação. Essa estrutura recolheu 1800 assinaturas contra a proposta, que entregará a Braga da Cruz.

"Continuamos a apelar aos elementos do conselho que reconsiderem a sua posição. Sabemos que a maioria das pessoas que compõem esse órgão é favorável, mas não perdemos a esperança de os fazer mudar de ideias", afirma Manuel Carlos Silva, catedrático de Sociologia e um dos principais rostos da plataforma.

"A passagem a fundação implica uma precarização dos vínculos laborais dos professores e funcionários e a possibilidade de extinção de cursos pouco rentáveis", critica aquele professor, lamentando ainda a perda de "democraticidade" das decisões na universidade, que passariam a ser da responsabilidade de um conselho de curadores, um órgão não eleito.

Caso seja aprovada a proposta, a UM pode transformar-se na quarta instituição de ensino superior portuguesa a adoptar o regime fundacional, depois das universidades do Porto e de Aveiro e do ISCTE.

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Diário Económico, Ana Petronilho  
14/03/11 10:55


A Universidade de Lisboa e a Universidade Técnica de Lisboa estão a verificar as vantagens e desvantagens de fundir serviços, como a acção social.

Duas universidades de Lisboa e duas do Porto estão a analisar a possibilidade de fusão de serviços. A hipótese de juntar os serviços de acção social foi avançada pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior às universidades.

A Universidade de Lisboa e a Universidade Técnica de Lisboa estão a verificar as vantagens e desvantagens para avançar com a união de vários serviços das duas instituições, entre os quais os serviços de acção social. Esta é uma medida que significa uma contenção nas despesas das instituições de ensino superior e que traz uma racionalização de recursos.

Apesar de ainda não ser possível "adiantar datas ou mesmo limites temporais concretos" uma das questões que tem vindo a estar "obrigatoriamente em cima da mesa" nas reuniões que tem vindo a decorrer entre os dois reitores é "a fusão dos Serviços de Acção Social", revela o reitor da Universidade Técnica de Lisboa, Fernando Ramôa Ribeiro. Uma posição partilhada pelo reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, que sublinha que "há uma atitude de abertura a essa iniciativa" e acrescenta que, em sua opinião, "há instituições e serviços a mais e a fusão é uma boa solução para prestar melhores serviços aos estudantes". Sampaio da Nóvoa sublinha mesmo que "é preciso que as instituições de ensino superior se entendam e se dependesse de mim, a fusão seria mais rápida porque o País não pode adiar muito mais estas soluções num contexto de crise".

Os reitores sublinham que o cálculo da poupança na despesa das universidades ainda não foi feito mas antecipam já algumas vantagens desta fusão: "pode haver melhor distribuição e maior disponibilidade de alojamentos e cantinas, melhor apoio médico e melhor utilização de serviços comuns, como limpeza e manutenção", explica Ramôa Ribeiro.

Mas, para o reitor da UTL também existem desvantagens na fusão, que passam pela "gestão dos processos quando o grupo de estudantes cujas necessidades têm que ser satisfeitas cresce para o dobro".

A Universidade do Porto (UP) também está a pôr em cima da mesa a mesma iniciativa de fusão com o Instituto Politécnico do Porto (IPP). Segundo estas instituições de ensino superior a fusão dos serviços de acção social foi uma hipótese colocada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a que a UP e o IPP concordaram analisar conjuntamente. No entanto, a questão ainda não foi objecto de discussão profunda.

Segundo Sampaio da Nóvoa, esta é uma iniciativa que o MCTES tem conhecimento e á qual "já manifestou o seu total apoio no decurso de reuniões" com os reitores. O reitor da UL refere ainda que "o Governo tem muitos instrumentos que podem ajudar, ou travar, estas iniciativas". Mas, Ramôa Ribeiro explica que as universidades portuguesas "têm a autonomia necessária e suficiente para poder propor decisões à tutela por sua iniciativa".
Contactado pelo Diário Económico o MCTES não respondeu até à hora de fecho desta edição.

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