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Público, 20100102

Por Carlos Dias

Água atingiu, ontem, a cota 150,17 metros. É o maior volume desde que as comportas foram encerradas, a 8 de Março de 2002


As preces dos agricultores alentejanos quando já se sentiam acossados, mais uma vez, por um ano de seca, tiveram acolhimento. A chuva que alagou e encharcou abundantemente os campos da região nos últimos dias de 2009 abre boas perspectivas para a pecuária e a agricultura. E afasta o receio de uma seca monumental, como a de 2005.

O problema da escassez subsiste nalguns perímetros, mas a abundante precipitação que marcou o fim do ano serviu pelo menos para fixar um novo recorde na albufeira de Alqueva. Às 10h00 de ontem, o nível de água atingiu a cota 150,17 metros acima do nível do mar, o que corresponde a 91 por cento da sua capacidade máxima. E continuava a encher.

É o maior volume de água registado em Alqueva desde que as suas comportas foram encerradas a 8 de Março de 2002.

Em apenas 10 dias (entre 21 e 31 de Dezembro) entraram na albufeira de Alqueva cerca de 700 milhões de metros cúbicos de água. Para se ter uma ideia do "dilúvio" que em poucos dias quase encheu a albufeira, no dia 21 de Dezembro entrava um caudal médio, vindo de Espanha, de seis metros cúbicos por segundo; dez dias depois, a afluência atingia os cerca de 600 metros cúbicos por segundo, um volume que se pode manter a níveis altos nos próximos dias.

Castro e Brito, presidente da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo, diz em declarações ao PÚBLICO que a precipitação dos últimos dias "é muito bem-vinda" tanto para a reposição dos níveis de água nas barragens como para garantir novas pastagens, mas adverte que "as necessidades de água na região não se esgotam com estas chuvas", porque não estão assegurados os recursos hídricos necessários à sustentabilidade das culturas da Primavera e do Verão. A escassez faz-se sentir sobretudo nos perímetros de rega da bacia do Sado (Roxo, Odivelas, Campilhas e Monte da Rocha), onde a água presente nas barragens de apoio ao regadio continua a ser insuficiente para assegurar em pleno as culturas das próximas estações.

Agricultores satisfeitos

Mesmo assim, o agricultor Luís Peres de Sousa está convencido de que os níveis de precipitação já permitem aos produtores "acalentar alguma esperança". "Quem diria, há 15 dias, que íriamos ter níveis tão elevados de precipitação?", observa. Em Novembro último, muitos produtores temiam a repetição de cenários de seca idênticos ao da grande seca de 2005. Há cerca de um mês, também as autoridades espanholas chegaram a admitir uma "redução significativa nos recursos hídricos disponíveis".

Quanto a Alqueva, a reserva armazenava, ontem de manhã, perto de 3900 milhões de metros cúbicos de água. Para atingir o enchimento pleno, têm de entrar mais 330 milhões de metros cúbicos. Caso isso acontecesse, seria atingida a almejada cota 152, o nível de pleno enchimento, que nunca foi alcançado desde que as comportas da grande barragem do Sul foram encerradas. À cota 152 correspondem 4150 milhões de metros cúbicos de água.

No restante ano de 2009, o nível de armazenamento oscilou entre a cota máxima de 148,90 (3500 milhões de metros cúbicos), em Fevereiro de 2009, e a cota mínima de 147,58 (3221 milhões de metros cúbicos) registada no dia 21 de Dezembro.

Com o volume de água que apresenta neste momento, Alqueva continua a superar a reserva existente nas 29 albufeiras instaladas nos afluentes do rio Guadiana em território espanhol.

Enxurrada em ribeira seca

No primeiro dia do presente Inverno, as 29 barragens espanholas retinham 2935 milhões de metros cúbicos. De então para cá receberam mais 610 milhões. Na província de Ciudad Real, onde nasce o Guadiana, algumas ribeiras que estiveram permanentemente secas durante os últimos 13 anos registaram enxurradas que provocaram cortes de estrada, devido a estes fenómenos meteorológicos inesperados.

Na bacia do Guadiana, a afluência de caudais repõe as reservas em níveis razoáveis, mas a do Sado pouco tem beneficiado do Inverno chuvoso. Das 12 barragens desta bacia, só duas (com pequena capacidade) têm um caudal superior aos 80 por cento, enquanto oito têm menos de metade e duas (Roxo e Campilhas) continuam abaixo dos 20 por cento.

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A SPEA reconheceu a Quinta de Zom, em Freixo de Espada à Cinta, pela sua extraordinária diversidade de aves. Esta propriedade de 90ha, localizada em pleno Parque Natural do Douro Internacional, possui mais de 60 espécies de aves, que dependem dos habitats naturais da quinta e de uma gestão agrícola favorável. A Quinta de Zom é um exemplo da importância das zonas agroflorestais para a biodiversidade e do papel dos agricultores na sua protecção. Esse papel parece não ter sido reconhecido pelo Ministério da Agricultura, uma vez que Portugal não investe o suficiente em medidas agro-ambientais para a natureza.

Os ecossistemas agro-florestais representam mais de 75% do território Nacional. Por isso são muito importantes para a conservação do património natural e da biodiversidade. Cerca de 50 espécies de aves terrestres ameaçadas dependem dos habitats agrícolas e agro-florestais de Portugal Continental. A biodiversidade dos campos agrícolas de Portugal não se esgota nas aves. São também relevantes outros grupos de vertebrados, os invertebrados e a flora.

É importante que os agricultores favoreçam a biodiversidade dos seus campos e que sejam também beneficiados por ela. Cada agricultor ou proprietário agrícola deve fazer a sua parte, procurando gerir a sua exploração de uma forma menos intensiva e mais amiga da natureza, poupando com isso tempo e dinheiro. Para isso necessita de conhecimentos e de instrumentos de apoio. A campanha da SPEA denominada “Conheça as Aves da Sua Propriedade” visa providenciar conhecimentos aos proprietários interessados e incentivar uma gestão dos meios rurais mais amiga da natureza. Em 2009 participaram 18 propriedades, distribuídas por Trás-os-Montes, Beira Interior, Ribatejo e Alentejo. A Quinta de Zom destacou-se por possuir uma grande diversidade de aves para a sua reduzida dimensão. Nos 90ha da propriedade ocorrem mais de 60 espécies de aves, algumas da quais ameaçadas de extinção, como o Milhafre-real e o Britango. Esta diversidade de aves deve-se aos habitats naturais dentro da propriedade e arredores, como a floresta de Sobro e Zimbro e os matos mediterrânicos. Mas deve-se também ao tipo de gestão implementado pelo proprietário, com uma aposta na agricultura biológica e na produção integrada.

A SPEA espera, com este reconhecimento, estimular o proprietário a continuar com práticas favoráveis à conservação da natureza, utilizando a biodiversidade como imagem de qualidade da produção e dos serviços. Com este tipo de acções pretende sensibilizar os agricultores, as suas organizações e o Ministério da Agricultura. Como refere Domingos Leitão (Coordenador do Programa Terrestre) “o serviço público prestado pelos agricultores portugueses na conservação da biodiversidade deve ser considerado e devidamente apoiado por mais medidas agro-ambientais específicas para a Rede Natura 2000.” Infelizmente, a maioria dos agricultores dentro destas áreas classificadas continuam ainda à espera de apoios prometidos pelo Ministro da Agricultura para práticas agrícolas “amigas” da natureza no âmbito do ProDeR.

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in: http://www.euractiv.com/

Published: Wednesday 25 November 2009   

While agriculture and food production have long been considered untouchable in international climate talks, calls to make the sector contribute to greenhouse gas mitigation efforts have been growing louder.

Background:

An EU working documentPdf external on agriculture (April 2009) states that the farming sector will suffer in the long-term unless structural and technological changes are made and adaptation measures are implemented. The document also acknowledges the sector's contribution to total emissions alongside its mitigation potential, and underlines the importance of developing synergies between the two. 

A recent reportexternal by the Worldwatch Institute, a think-tank, stresses the climate change mitigation potential of agriculture too. It argues that agriculture and land management have not received enough attention from scientists and politicians, while a number of innovations in food production and land use could help to fight global warming (EurActiv 09/06/09). 

As the EU prepares for a major revamp of its farm policy for the post-2013 era, the EU executive stresses that European farmers must slash agricultural greenhouse gas emissions by at least 20% by 2020, primarily by producing biomass and storing carbon in the soil (EurActiv 16/09/09). The future CAP may well make support for farmers subject to delivering on biodiversity, sustainable farming practices and CO2 reduction goals (EurActiv 27/10/09).

EU member state Sweden is even developing standards to help consumers make conscious choices about the impact of their food purchase decisions on global warming (EurActiv 06/07/09). 

Food is strategic and agricultural production is a vital sector of many national economies. Yet, discussions are shifting from how to adapt farming to climate change to how to make agriculture contribute to climate change mitigation.  

In a recent interview with EurActiv, outgoing EU Agriculture Commissioner Mariann Fischer Boel even backed the possibility of an emissions trading scheme for agriculture. While the EU has reduced greenhouse gas (GHG) emissions from its farming sector by 21% compared to 1990, according to the European Commission, agricultural emissions from other parts of the world have soared by nearly 17%, mainly due to increases in developing countries.

Farmers in the developing world emit the most GHGs due to inefficient agricultural practices and poor natural resource management. Meanwhile, experts agree that climate change represents more of a challenge to food security in the developing world than elsewhere: a dilemma which underlines the need for urgent mitigation measures.

A recent FAO report on synergies between food security and agricultural mitigation in developing countries identifies improved management of cropland, water, pasture and grazing as well as restoration of degraded land as the main means of lowering emissions.

However, the main concern of the world's poorest and most chronically hungry is farming food in the first place, no matter how it is done and no matter what implications their pratices have for climate change. 

Therefore, if the international community wants to curb the 14% of global GHG emissions that come from agriculture - 74% of which come from developing countries - it needs to help the world's poorest people.  

Pledges made by world leaders at last week's world food security summit - and EU ministerial talks on linking development aid and the fight against climate change - offer the first signs of how the international community is planning to help developing countries to move towards sustainable agricultural development and food security.

Agriculture to drive economic development 

Moreover, many see agricultural development as a driver of economic growth in poor countries.

"With an agriculture-led economy in Africa, where over 80% of the work force is anchored on agriculture, it is logical that agricultural development rightly deserves all the attention it is currently receiving as the engine of our industrial revolution and economic growth," saidPdf external the permanent representative of the African Union in Brussels, Ambassador Mahamat Saleh Annadif. 

Annadif stressed that the situation calls for greater investment in agriculture in Africa and placing the agricultural sector "at the centre of the region's development agenda" if the UN Millenium Development Goals of halving extreme poverty and hunger by 2015 are to be realised. 

Financing green growth in the developing world 

Last week's summit pledgedPdf external to "enhance and develop financing mechanisms and other appropriate measures to support adaptation to, and mitigation of, climate change that are accessible to smallholder farmers, and are based on equitable, transparent and effective institutional arrangements." 

The world leaders also said they would increase public investment and encourage private investment in "country developed plans for rural infrastructure and support services", including roads, storage, irrigation, communication infrastructure, education, technical support, health and research. 

According to the FAO, several options for financing mitigation actions are currently under negotiation, including public, public-private, and private sources of finance as well as carbon market mechanisms. The UN agency stresses that new funding mechanisms should provide incentives for the adoption of sustainable farming practices and technologies and "compensate governments and farmers for their contributions" to emissions reductions. 

This is exactly what is being planned in the EU with the reform of the Common Agricultural Policy (CAP). While part of the direct payments would be kept, part of the EU aid to farmers would be subject to the delivery of 'public goods' on climate change mitigation (EurActiv 27/10/09).

EU development aid 

In a drive to make EU climate change and development policies more coherent, EU member states agreedPdf external  last week that the EU Commission and member states should integrate climate change concerns into their development strategies and budgets.  

EU ministers stressed that food security responses need to reflect long-term environmental sustainability through sustainable agriculture and "development assistance targeting adaptation efforts in the agriculture sector" will be decisive with this regard. 

Positions:

Commission president José Manuel Barroso said on 16 November that "it goes without saying that we cannot solve food insecurity unless we tackle climate change successfully," hoping for "extra money to address food security problems" as a key outcome of next month's international climate talks in Copenhagen. Support for adaptation must be "focused on small holders in developing countries" who are hardest hit, he added, stressing the role of bio-diversity as an important part of the solution.

Alonzo Fulgham, acting administrator of the United States Agency for International Development (USAID) welcomedPdf external the FAO summit declaration, saying it represents "a global consensus on a new approach to alleviating hunger and under-nutrition by harnessing the tremendous potential of agriculture to drive economic growth". 

Last week, Irish MEP Mairead McGuinness called for EU policy makers to give particular recognition to the agricultural sector when it comes to discussions on climate change mitigation. She said one should carefully think "whether or not it is appropriate that agriculture be asked to make a contribution to climate change in the same manner as the transport sector".

"If hard choices are to be made, then hard questions must be asked about what we want for our farming and food sector. We cannot allow for a reduction in food production in the EU, simply to reduce emissions and transfer the production of that food and its linked emissions to elsewhere in the world," she said, adding that "food is strategic and for Ireland agriculture and food production are vital sectors of the economy." 

Agriculture is "the missing word" in the UN climate talks, said Gerald Nelson, a senior research fellow at the International Food Policy Research Institute (IFPRI), adding that while the agricultural sector emits 14% of total greenhouse gas emissions, it also has a "unique role" in absorbing carbon emitted from other sectors. 

Therefore, "any funds set aside in the UN talks to help adaptation need to include agriculture," he said. "We need to think about new crop varieties, new physical infrastructure to make farming more resilient as well as new institutions both domestically and internationally that support resilience," said Nelson. 

According to IFPRI, agriculture can mitigate emissions through "changes in agricultural technologies and management practices," and new crop mixes that include more perennial plants or have deeper root systems. Such plants allow more carbon to be stored in the soil. Reduced tillage and changes in crop genetics, irrigation, fertiliser use, livestock species and feeding practices can also reduce emissions, the paper continues, asserting that changes to make the agricultural system more resilient to climate change will also increase carbon sequestration. 

As the total share of emissions from agriculture is larger in the developing world, "cost-effective ways must be found to help poor people" to both mitigate and adapt to climate change, underlined Nelson. IFPRI also calls for more investment and funding to support agricultural research, rural infrastructure, and access to markets for small farmers in developing countries.

Oxfam, the development NGO, calls for more investment in better policies, institutions, services and training to encourage sustainable farming adapted to local agro-ecological environments. The NGO denounces rich countries' push for more chemical fertilisers use and new technologies in Africa as it would only lead to "more environmental degradation".

"Smallholder farmers, mostly women, are on the frontline in the fight against world poverty, hunger and climate change and we must not continue to ignore them," said Oxfam spokesperson Frederic Mousseau.

Next steps:

  • 8-10 March 2010: High-level conferenceexternal on the development of agribusiness and agro-industries in Africa (Abuja, Nigeria). 

Links

European Union International Organisations Think tanks & Academia

 

 

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Quercus e Universidade de Évora

por papinto, em 01.04.09
Cultivo resistente a herbicida
Quercus critica Universidade de Évora por associar-se a ensaios com milho transgénico 
01.04.2009 - 18h49 Lusa
Quercus criticou hoje a Universidade de Évora por pretender disponibilizar terrenos, a uma empresa privada, a multinacional Monsanto, para ensaios com milho geneticamente modificado, defendendo que a academia devia antes “fomentar o uso de práticas agrícolas mais sustentáveis”.

“Este campo de ensaios, no caso de avançar, não trará benefícios alguns, nem para a Universidade, nem para esta região”, disse à Agência Lusa o vice-presidente da Quercus, Nuno Sequeira.

O ambientalista falava durante uma acção de protesto, promovida pela associação e pela Plataforma “Transgénicos Fora”, junto da Universidade de Évora (UE), contra a realização dos ensaios com milho geneticamente modificado (OGM).

A acção, protagonizada por quatro activistas, consistiu na distribuição de panfletos, com informação aos alunos da UE sobre a possibilidade de a multinacional da indústria agroquímica Monsanto vir a efectuar ensaios com a variedade NK603 de milho OGM na Herdade da Mitra, pólo daquela instituição.

UE não autoriza milho transgénico

“O milho transgénico que está em consulta pública não está autorizado para ser cultivado em nenhum local da União Europeia”, afirmou Nuno Sequeira.

O ambientalista realçou, também, a necessidade de sensibilizar a comunidade universitária e de Évora para “participar na consulta pública sobre os ensaios”, que termina esta sexta-feira.

“Estar a incentivar o cultivo de um produto resistente a herbicida é estar a incrementar o uso de agrotóxicos e também intervir negativamente nos ecossistemas e com a saúde humana”, argumentou.

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