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Agroportal, 2010.05.06

O Brasil vai ser o maior produtor alimentar do mundo até 2025, defendeu o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) ao destacar que o país deve aproveitar o contexto favorável de cooperação internacional com países em desenvolvimento.

"A tendência do Brasil é ser o maior 'player' mundial. Temos todas as condições de o fazer de forma sustentada e manter a força em termos de biodiversidade", disse Pedro Arraes num encontro com a imprensa estrangeira.

O país, segundo o presidente da Embrapa, deve utilizar melhor seus recursos naturais e "contribuir efectivamente para suprir alimentos no mundo" num conceito que alia a "agricultura sustentável à preservação do meio ambiente".

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AgroPortal, 2010.05.04

O ministro da Agricultura de Angola, Afonso Canga, diz que este sector é o novo dinamizador da economia do país e que em 2009 empregou mais de 70.000 pessoas.

Afonso Canga salientou, em declarações à imprensa, que no ano em curso os dados estatísticos mostram que o número de 2009 já foi ultrapassado.

O ministro falava no âmbito da preparação da 26.ª Conferência Regional da Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), que vai ter lugar em Luanda quinta e sexta-feira.

"Isso faz com que possamos estar optimistas quanto ao facto de que a agricultura é o sector de grande intensidade de mão-de-obra, um grande gerador de empregos, quer na actividade directa quer indirecta", disse o ministro.

Começou ontem em Luanda a reunião de peritos para preparação da 26.ª Conferência Regional da FAO, que reunirá na capital angolana os ministros africanos e técnicos da ONU para debater a segurança alimentar no continente.

A cerimónia de abertura está marcada para quinta-feira, passando Angola a presidir à organização.

Segundo Afonso Canga, anfitrião do encontro, um dos objectivos da conferência é o aumento da produção na área alimentar, tendo em conta que muitos países africanos ainda vivem uma situação grave em termos de alimentação.

"Num continente de aproximadamente mais de 900 milhões de habitantes, 30% da sua população encontrar-se em situação de insegurança alimentar significa muito", disse Afonso Canga.

"Vamos procurar de facto os países, as organizações internacionais, as agências de cooperação bilateral e multilateral, para que possam olhar para África com outro sentido, isto é, aumentando o desenvolvimento na agricultura, nos sectores produtivos para se aumentarem os rendimentos e se poder reduzir o défice alimentar e também por via disso combater-se a pobreza".

Fonte:  Lusa

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OfuturodaAgriculturaeaAgronomia

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http://www.estadao.com.br/ 20091212

 

Americanos querem que novo acordo climático inclua agricultura, pouco reconhecida no Protocolo de Kyoto

 

COPENHAGUE - O secretário da Agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, disse neste sábado que, em todo o mundo, os agricultores deveriam ser recompensados para combater o aquecimento global, usando, por exemplo, os mercados de carbono. Vilsack falou isso enquanto participava de um evento sobre o papel da agricultura no aquecimento global, paralelo às negociações climáticas da ONU, em Copenhague, que tradicionalmente têm se concentrado muito mais no corte de emissões lançadas por fábricas  ou para produção de energia nos países do que nas emissões da agricultura ou do desmatamento florestal.

 

 

 

 

 

 

Um obstáculo em Copenhague tem sido concordar como será o financiamento proveniente de países industrializados para mitigação e adaptação em países pobres. Vilsack disse que um fundo público deve ser complementado por mercados e pelo setor privado. "A realidade é que não importa o quanto as nações desenvolvidas e os governos coloquem sobre a mesa para prestar assistência ... em termos da mudança do clima não vai ser o suficiente."

 

Na semana passada, a Casa Branca disse que estaria próxima de um consenso no qual países industrializados pagariam US$ 10 bilhões anualmente para nações em desenvolvimento até 2012. Mas o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos fez lobby em prol de uma abordagem de mercado para recompensar os agricultores americanos para que reduzissem emissões de carbono.

 

Um projeto de lei climática nos Estados Unidos permitiria que esses agricultores pudessem vender seus créditos de carbono para outros emissores. "Os agricultores precisam de incentivos", disse Vilsack. "Será importante e necessário para o setor privado ser plena e completamente envolvido neste processo. É por isso que é importante criar incentivos e mercados. " 

 

Ele acredita que um novo acordo climático da ONU deveria incluir a agricultura, que é pouco reconhecida no âmbito do Protocolo de Kyoto. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) diz que os 500 milhões de pequenos agricultores do mundo seriam capazes de enfrentar os efeitos
das mudanças climáticas e impulsionar a produção de alimentos ao mesmo tempo. 

 

A organização argumenta que agricultores de nações em desenvolvimento podem tanto reduzir as emissões de gases de efeito estufa quanto melhorar terras degradadas e assim aumentar os rendimentos, através de práticas como o plantio de árvores. "É importante para esta conferência não separar as duas coisas", disse Vilsack. "Segurança alimentar e mudanças climáticas estão ligadas, na minha opinião, e, se você chama atenção para uma, tem que chamar atenção para outra."

 

O setor agrícola é responsável por 14% das emissões de gases de efeito de estufa globais, e deve alimentar um adicional de 2,3 bilhões de pessoas e aumentar a produção de alimentos em 70% até 2050. Um relatório das Nações Unidas divulgado nesta quarta-feira estima que entre 100 e 200 milhões de pessoas poderiam sofrer de fome até 2050, como resultado do aumento de secas e inundações, se não houver medidas concretas sobre as mudanças climáticas.

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As últimas previsões do Conselho Internacional de Cereais de produção de cereais na campanha 2009/10 diminuíram relativamente ao mês passado. O motivo é uma menor produção de milho nos EUA e de trigo e cevada na Austrália. O total estima-se agora em 1.759 milhões de toneladas, uma descida de 34 milhões relativamente ao recorde da campanha passada.

Por outro lado, as estimativas de consumo estão em baixa, reduzindo-se num milhão de toneladas para 1.746 milhões. Enquanto se espera um aumento do consumo industrial, haverá pouco crescimento na procura para rações.

O efeito combinado de uma maior produção com um menor consumo dará como resultado que voltem a aumentar as existências mundiais, especialmente nos EUA, responsável por metade do aumento. No total estima-se agora em 373 milhões de toneladas, um aumento de 13 milhões relativamente ao fecho de 2008/09.

As vendas de cereais mantêm-se a bom ritmo, se bem que se vá registar uma descida das exportações, excepto nos EUA. As principais reduções registar-se-ão na UE e na Ucrânia

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A agricultura de precisão teve alguma exposição num programa da CNN, em que Steve Tucker do Nebraska foi o centro de uma história acerca de agricultores e tecnologia, incluindo tecnologia das comunicações como smart phones e serviços como o twitter.

Embedded video from CNN Video

O agricultor "twiteiro" Steve Tucker esteve ao vivo no programa da CNN através do vídeo do Skype, a partir da sua exploração e falou da sua página no twitter, que tem mais seguidores do que a população da sua cidade.

Steve diz que quando está no tractor, equipado com GPS e um sistema Auto Steer que comanda e dirige o tractor por ele, tem tempo para digitar texto no seu telemóvel. Muito desse texto acaba por constituir tweets (frases introduzidas no página do twitter através do telemóvel).

Pode acompanhar a página do twitter de Steve Tucker ou ainda o seu blog "The View from the Tractor".

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in: http://www.euractiv.com/

Published: Wednesday 25 November 2009   

While agriculture and food production have long been considered untouchable in international climate talks, calls to make the sector contribute to greenhouse gas mitigation efforts have been growing louder.

Background:

An EU working documentPdf external on agriculture (April 2009) states that the farming sector will suffer in the long-term unless structural and technological changes are made and adaptation measures are implemented. The document also acknowledges the sector's contribution to total emissions alongside its mitigation potential, and underlines the importance of developing synergies between the two. 

A recent reportexternal by the Worldwatch Institute, a think-tank, stresses the climate change mitigation potential of agriculture too. It argues that agriculture and land management have not received enough attention from scientists and politicians, while a number of innovations in food production and land use could help to fight global warming (EurActiv 09/06/09). 

As the EU prepares for a major revamp of its farm policy for the post-2013 era, the EU executive stresses that European farmers must slash agricultural greenhouse gas emissions by at least 20% by 2020, primarily by producing biomass and storing carbon in the soil (EurActiv 16/09/09). The future CAP may well make support for farmers subject to delivering on biodiversity, sustainable farming practices and CO2 reduction goals (EurActiv 27/10/09).

EU member state Sweden is even developing standards to help consumers make conscious choices about the impact of their food purchase decisions on global warming (EurActiv 06/07/09). 

Food is strategic and agricultural production is a vital sector of many national economies. Yet, discussions are shifting from how to adapt farming to climate change to how to make agriculture contribute to climate change mitigation.  

In a recent interview with EurActiv, outgoing EU Agriculture Commissioner Mariann Fischer Boel even backed the possibility of an emissions trading scheme for agriculture. While the EU has reduced greenhouse gas (GHG) emissions from its farming sector by 21% compared to 1990, according to the European Commission, agricultural emissions from other parts of the world have soared by nearly 17%, mainly due to increases in developing countries.

Farmers in the developing world emit the most GHGs due to inefficient agricultural practices and poor natural resource management. Meanwhile, experts agree that climate change represents more of a challenge to food security in the developing world than elsewhere: a dilemma which underlines the need for urgent mitigation measures.

A recent FAO report on synergies between food security and agricultural mitigation in developing countries identifies improved management of cropland, water, pasture and grazing as well as restoration of degraded land as the main means of lowering emissions.

However, the main concern of the world's poorest and most chronically hungry is farming food in the first place, no matter how it is done and no matter what implications their pratices have for climate change. 

Therefore, if the international community wants to curb the 14% of global GHG emissions that come from agriculture - 74% of which come from developing countries - it needs to help the world's poorest people.  

Pledges made by world leaders at last week's world food security summit - and EU ministerial talks on linking development aid and the fight against climate change - offer the first signs of how the international community is planning to help developing countries to move towards sustainable agricultural development and food security.

Agriculture to drive economic development 

Moreover, many see agricultural development as a driver of economic growth in poor countries.

"With an agriculture-led economy in Africa, where over 80% of the work force is anchored on agriculture, it is logical that agricultural development rightly deserves all the attention it is currently receiving as the engine of our industrial revolution and economic growth," saidPdf external the permanent representative of the African Union in Brussels, Ambassador Mahamat Saleh Annadif. 

Annadif stressed that the situation calls for greater investment in agriculture in Africa and placing the agricultural sector "at the centre of the region's development agenda" if the UN Millenium Development Goals of halving extreme poverty and hunger by 2015 are to be realised. 

Financing green growth in the developing world 

Last week's summit pledgedPdf external to "enhance and develop financing mechanisms and other appropriate measures to support adaptation to, and mitigation of, climate change that are accessible to smallholder farmers, and are based on equitable, transparent and effective institutional arrangements." 

The world leaders also said they would increase public investment and encourage private investment in "country developed plans for rural infrastructure and support services", including roads, storage, irrigation, communication infrastructure, education, technical support, health and research. 

According to the FAO, several options for financing mitigation actions are currently under negotiation, including public, public-private, and private sources of finance as well as carbon market mechanisms. The UN agency stresses that new funding mechanisms should provide incentives for the adoption of sustainable farming practices and technologies and "compensate governments and farmers for their contributions" to emissions reductions. 

This is exactly what is being planned in the EU with the reform of the Common Agricultural Policy (CAP). While part of the direct payments would be kept, part of the EU aid to farmers would be subject to the delivery of 'public goods' on climate change mitigation (EurActiv 27/10/09).

EU development aid 

In a drive to make EU climate change and development policies more coherent, EU member states agreedPdf external  last week that the EU Commission and member states should integrate climate change concerns into their development strategies and budgets.  

EU ministers stressed that food security responses need to reflect long-term environmental sustainability through sustainable agriculture and "development assistance targeting adaptation efforts in the agriculture sector" will be decisive with this regard. 

Positions:

Commission president José Manuel Barroso said on 16 November that "it goes without saying that we cannot solve food insecurity unless we tackle climate change successfully," hoping for "extra money to address food security problems" as a key outcome of next month's international climate talks in Copenhagen. Support for adaptation must be "focused on small holders in developing countries" who are hardest hit, he added, stressing the role of bio-diversity as an important part of the solution.

Alonzo Fulgham, acting administrator of the United States Agency for International Development (USAID) welcomedPdf external the FAO summit declaration, saying it represents "a global consensus on a new approach to alleviating hunger and under-nutrition by harnessing the tremendous potential of agriculture to drive economic growth". 

Last week, Irish MEP Mairead McGuinness called for EU policy makers to give particular recognition to the agricultural sector when it comes to discussions on climate change mitigation. She said one should carefully think "whether or not it is appropriate that agriculture be asked to make a contribution to climate change in the same manner as the transport sector".

"If hard choices are to be made, then hard questions must be asked about what we want for our farming and food sector. We cannot allow for a reduction in food production in the EU, simply to reduce emissions and transfer the production of that food and its linked emissions to elsewhere in the world," she said, adding that "food is strategic and for Ireland agriculture and food production are vital sectors of the economy." 

Agriculture is "the missing word" in the UN climate talks, said Gerald Nelson, a senior research fellow at the International Food Policy Research Institute (IFPRI), adding that while the agricultural sector emits 14% of total greenhouse gas emissions, it also has a "unique role" in absorbing carbon emitted from other sectors. 

Therefore, "any funds set aside in the UN talks to help adaptation need to include agriculture," he said. "We need to think about new crop varieties, new physical infrastructure to make farming more resilient as well as new institutions both domestically and internationally that support resilience," said Nelson. 

According to IFPRI, agriculture can mitigate emissions through "changes in agricultural technologies and management practices," and new crop mixes that include more perennial plants or have deeper root systems. Such plants allow more carbon to be stored in the soil. Reduced tillage and changes in crop genetics, irrigation, fertiliser use, livestock species and feeding practices can also reduce emissions, the paper continues, asserting that changes to make the agricultural system more resilient to climate change will also increase carbon sequestration. 

As the total share of emissions from agriculture is larger in the developing world, "cost-effective ways must be found to help poor people" to both mitigate and adapt to climate change, underlined Nelson. IFPRI also calls for more investment and funding to support agricultural research, rural infrastructure, and access to markets for small farmers in developing countries.

Oxfam, the development NGO, calls for more investment in better policies, institutions, services and training to encourage sustainable farming adapted to local agro-ecological environments. The NGO denounces rich countries' push for more chemical fertilisers use and new technologies in Africa as it would only lead to "more environmental degradation".

"Smallholder farmers, mostly women, are on the frontline in the fight against world poverty, hunger and climate change and we must not continue to ignore them," said Oxfam spokesperson Frederic Mousseau.

Next steps:

  • 8-10 March 2010: High-level conferenceexternal on the development of agribusiness and agro-industries in Africa (Abuja, Nigeria). 

Links

European UnionInternational OrganisationsThink tanks & Academia

 

 

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Por Ana Gerschenfeld

Público, 20090916

 

1914-2009

Convicto de que o primeiro passo para garantir a paz no mundo era alimentar os esfomeados do planeta, o cientista norte-americano Norman Borlaug dedicou a vida à resolução científica do problema, desencadeando a chamada Revolução Verde


Norman Borlaug, considerado o pai da agricultura moderna, morreu no passado sábado no Texas, de cancro, aos 95 anos de idade. Na Índia ou no México, choram a sua morte; por cá, é virtualmente um desconhecido. Não é de admirar: "mais do que qualquer pessoa da sua idade, ajudou a fornecer pão a um mundo com fome", declarava em 1970 o Comité Nobel norueguês ao anunciar ser ele o laureado do Nobel da Paz naquele ano.
Borlaug não era um filósofo nem um ensaísta, nem sequer um político: era biólogo vegetal - especialista das doenças das plantas e geneticista - e tinha lutado toda a vida para melhorar o rendimento dos cereais. Mas o comité Nobel tinha-o achado merecedor da recompensa por uma razão muito simples, que explicavam: "Fizemos esta escolha na esperança de que fornecer pão também sirva para conseguir a paz no mundo". Borlaug era, diziam ainda, directamente responsável por ter salvo centenas de milhões de vidas humanas.
Este homem, nascido em 1914 no Midwest norte-americano numa comunidade de agricultores de origem norueguesa, tinha crescido nos Estados Unidos em plena Grande Depressão e sabia que a fome gera a violência. Para ele, o fim da fome no mundo e a paz global só podiam andar de mãos dadas. Não podia haver paz quando os estômagos estivessem vazios e as crianças chorassem por comida. O fim da fome não era uma condição suficiente para a paz, mas era sem dúvida uma condição necessária, um primeiro passo nesse sentido.
Por isso, dedicou a sua vida a desenvolver variedades de trigo e de outros cereais que fossem não só resistentes às doenças que os assolavam, mas também capazes de produzir muito mais grãos do que as variedades tradicionais. E, em poucos anos, conseguiu fazer com que países como o México e a Índia, ou a China e o Brasil, confrontados com um crescimento populacional desmesurado a seguir à II Guerra Mundial, se tornassem auto-suficientes na produção dos seus alimentos de base.
Conta Leon Hesser, na sua biografia de Borlaug intitulada The Man Who Fed the World (O homem que alimentou o mundo) que quando o cientista, então com 56 anos, recebeu a notícia telefónica da atribuição Nobel da Paz, não acreditou. Foi por volta das seis da manhã (como é costume, devido à diferença horária entre a Europa e a América) que a sua mulher atendeu o telefone. Como Borlaug estava já a essa hora a trabalhar num campo de trigo nos arredores da Cidade do México, ela foi até lá de carro anunciar-lhe a boa nova - e recebeu como resposta um "alguém está a brincar contigo" incrédulo. Mais tarde, já convencido de que a informação era fidedigna, Borlaug disse que iria festejar o evento quando acabasse o trabalho.
"Ele fez provavelmente mais do que muitos, mas é conhecido por menos gente do que qualquer outra pessoa que tenha feito tanto como ele (...). Tornou o mundo melhor", declarou à imprensa, a seguir à morte de Borlaug, Ed Runge, amigo e colega de longa data na Universidade A&M do Texas, onde Borlaug trabalhou muitos anos.
Pelas estradas do México
Acabado o doutoramento, no início dos anos 1940, Borlaug foi recrutado pela empresa DuPont, que fazia investigação na área dos fertilizantes químicos. Mas a sua verdadeira carreira só começaria em 1944, quando foi enviado para o México pela Fundação Rockefeller para integrar um programa de luta contra a fome a pedido do Governo mexicano. Conta o New York Times que, ao deparar-se com a miséria em que viviam os pequenos agricultores mexicanos, com a degradação dos solos e a infestação das culturas pelo fungo da ferrugem do trigo - e com a desolação do campo mexicano em geral - escreveu à mulher, desesperado: "Não sei o que podemos fazer para ajudar esta gente, mas temos de fazer qualquer coisa."
Borlaug lançou-se de corpo e alma no projecto, trabalhando no campo, viajando milhares de quilómetros por estradas em estado calamitoso para conseguir cultivar as suas variedades experimentais de trigo ao longo do ano todo, aproveitando as diferenças climáticas. Conseguiu assim desenvolver, numa primeira fase, uma espécie muito mais adaptável e resistente à ferrugem. E também conseguiu vencer as barreiras psicológicas e convencer os agricultores e as autoridades mexicanos a adoptarem a nova variedade de trigo.
Entretanto, os fertilizantes à base de azoto começaram a ser utilizados, aumentando o crescimento e daí o rendimento do trigo. Mas havia um problema: como esses compostos químicos faziam crescer ao mesmo tempo o caule (já de por si comprido nas variedades mexicanas tradicionais) e as espigas, as plantas acabavam por vergar sob o peso dos grãos e as colheitas eram perdidas.
Numa segunda fase, já nos anos 1950, Borlaug percebeu que talvez uma planta mais pequena e robusta pudesse ser a solução contra este novo obstáculo. Existia justamente uma variedade japonesa cuja originalidade genética a tornava mais compacta, mais curta - e portanto, mais susceptível de resistir ao peso acrescido das espigas.
Borlaug decidiu cruzar a sua anterior variedade de trigo mexicano com essa espécie japonesa de trigo anão para transferir a vantagem genética para o trigo local. O resultado foi providencial: obteve uma planta compacta, baixinha, com a espiga carregada de grãos. "O resultado foi uma variedade que era resistente à doença e capaz de produzir 10 vezes mais grãos de trigo do que a variedade mexicana não tratada", escreve o Washington Post.
Depois disso, houve governos de vários países que pediram ajuda a Borlaug, a começar pela Índia e pelo Paquistão. Mais tarde, desenvolveu também novas variedades de alto rendimento de arroz, alimento de base nos países asiáticos. Em duas décadas, a América Latina, o Médio Oriente e a Ásia tinham entrado na era da revolução verde.
Segundo estimava numa entrevista (também referida pelo NYT) Gary Toenniessen, director dos programas agrícolas da Fundação Rockefeller, cerca de metade da população mundial vai para a cama à noite depois de consumir grãos derivados de uma das variedades de alto rendimento desenvolvidas pela equipa de Borlaug.
Críticas ambientalistas
Borlaug viria mais tarde a ser criticado pelos ambientalistas por ter fomentado o abuso de fertilizantes e pesticidas químicos e o recurso à monocultura, aumentando as necessidades em água de rega (as variedades de alto rendimento são mais sedentas) e reduzindo a diversidade genética dos cereais, promovendo assim o fim da pequena agricultura e o controlo das grandes multinacionais sobre a agricultura. "Os peritos norte-americanos difundem por todo o mundo práticas destruidoras e insustentáveis", dizia em 1991 Vandana Shiva, conhecida activista indiana.
A isso, Borlaug respondia que o problema não eram as técnicas agrícolas, mas o crescimento populacional descontrolado, e que se a população mundial continuasse a crescer, a espécie humana seria destruída. Para ele, as críticas reflectiam um modo de pensar "elitista", próprio de pessoas que nunca tinham tinha tido "de se preocupar com a próxima refeição". Porém, veio ulteriormente a reconhecer que nem todos os ambientalistas eram fundamentalistas e que era preciso reduzir a utilização de compostos químicos na agricultura.
Nem todas as críticas são disparatadas, concorda numa crónica no site da revista New Scientist a jornalista Deborah McKenzie, que o conheceu pessoalmente. Em particular, escreve, "é um facto que as culturas modernas precisam de muita água e que os solos não são indefinidamente sustentáveis. Mas não tenho paciência para os argumentos segundo os quais a revolução verde foi um complot capitalista egoísta. A fome costumava ameaçar regularmente o subcontinente indiano: em 1943, dois milhões e meio de pessoas morreram no Bengal.
A revolução verde acabou com isso."

 

 

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New Scientist

A Quechua Farmer working the land in Puru. These farmers now play a major role in protecting the world's crops (Image: Eye Ubiquitous / Rex Features)

A Quechua Farmer working the land in Puru. These farmers now play a major role in protecting the world's crops (Image: Eye Ubiquitous / Rex Features)

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IF YOU like potatoes, chances are you will one day owe some measure of thanks to the Quechua Indians of Peru. That's because they will be making sure that potatoes continue to be available whatever the vagaries of future climate change. The Quechua (pictured) are among the first recipients of a new global fund, established last week, to make poor farmers the custodians of all the world's threatened crops.

Importantly, the move could provide valuable options should the world find itself in another food crisis.

The Peruvian farmers will be paid to look after the most diverse collection of potatoes in the world. They will try growing varieties at different altitudes and in different climatic conditions so that if today's commercially available potato varieties start to fail anywhere in the world, replacement varieties will be ready and waiting.

The aim of the new fund is to achieve the same level of readiness for all the world's staple food crops. It is a key practical element of the International Treaty on Plant Genetic Resources for Food and Agriculture, which aims to provide an "insurance policy" for crops. The fund has two main goals - to prevent the loss of neglected or underutilised crop varieties, and to sustain the full diversity of common crops.

Though the treaty was agreed in 2001 and came into effect in 2004, the rich and poor factions of the 120 signatory nations have been haggling until now over who should pay, and how much.

During tense negotiations last week in Tunis, Tunisia, rich countries of the world finally agreed to bankroll the five-year $116 million "Benefit-Sharing Fund" that will finance projects like the one in Peru. In essence, the fund will compensate farmers so they carry on growing unusual or traditionally grown crops instead of switching to more profitable, commercial varieties.

By keeping as many food varieties as possible ticking over as usual on small-scale farms throughout the world, the hope is that they will be available if needed in a climate crisis, or a food shortage like last year's. "In Peru, the aim is to react to climate change," says Bert Visser of the Centre for Genetic Resources in Wageningen, the Netherlands, and a key negotiator.

Visser points out that the treaty has already enabled the establishment of an international vault containing 1.1 million seed varieties, which opened last year in Svalbard, Norway. The new fund aims to secure the food varieties which cannot be banked in this way, and that can only be preserved if farmers carry on growing them.

Norway, Spain, Italy and Switzerland have already contributed $500,000 to the fund, which was last week divided between 11 recipient projects. Crucially, rich signatories to the treaty have now committed to supplying the remaining millions over the next five years. The US is currently considering signing up. If it does, China, Mexico and Japan are likely to follow suit.

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