Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Winemakers support cork

por papinto, em 20.03.11

Autoria e outros dados (tags, etc)

ver programa aqui

DIA-ABERTO_ISA     

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Diário Económico, Ana Petronilho  
14/03/11 10:55


A Universidade de Lisboa e a Universidade Técnica de Lisboa estão a verificar as vantagens e desvantagens de fundir serviços, como a acção social.

Duas universidades de Lisboa e duas do Porto estão a analisar a possibilidade de fusão de serviços. A hipótese de juntar os serviços de acção social foi avançada pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior às universidades.

A Universidade de Lisboa e a Universidade Técnica de Lisboa estão a verificar as vantagens e desvantagens para avançar com a união de vários serviços das duas instituições, entre os quais os serviços de acção social. Esta é uma medida que significa uma contenção nas despesas das instituições de ensino superior e que traz uma racionalização de recursos.

Apesar de ainda não ser possível "adiantar datas ou mesmo limites temporais concretos" uma das questões que tem vindo a estar "obrigatoriamente em cima da mesa" nas reuniões que tem vindo a decorrer entre os dois reitores é "a fusão dos Serviços de Acção Social", revela o reitor da Universidade Técnica de Lisboa, Fernando Ramôa Ribeiro. Uma posição partilhada pelo reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, que sublinha que "há uma atitude de abertura a essa iniciativa" e acrescenta que, em sua opinião, "há instituições e serviços a mais e a fusão é uma boa solução para prestar melhores serviços aos estudantes". Sampaio da Nóvoa sublinha mesmo que "é preciso que as instituições de ensino superior se entendam e se dependesse de mim, a fusão seria mais rápida porque o País não pode adiar muito mais estas soluções num contexto de crise".

Os reitores sublinham que o cálculo da poupança na despesa das universidades ainda não foi feito mas antecipam já algumas vantagens desta fusão: "pode haver melhor distribuição e maior disponibilidade de alojamentos e cantinas, melhor apoio médico e melhor utilização de serviços comuns, como limpeza e manutenção", explica Ramôa Ribeiro.

Mas, para o reitor da UTL também existem desvantagens na fusão, que passam pela "gestão dos processos quando o grupo de estudantes cujas necessidades têm que ser satisfeitas cresce para o dobro".

A Universidade do Porto (UP) também está a pôr em cima da mesa a mesma iniciativa de fusão com o Instituto Politécnico do Porto (IPP). Segundo estas instituições de ensino superior a fusão dos serviços de acção social foi uma hipótese colocada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a que a UP e o IPP concordaram analisar conjuntamente. No entanto, a questão ainda não foi objecto de discussão profunda.

Segundo Sampaio da Nóvoa, esta é uma iniciativa que o MCTES tem conhecimento e á qual "já manifestou o seu total apoio no decurso de reuniões" com os reitores. O reitor da UL refere ainda que "o Governo tem muitos instrumentos que podem ajudar, ou travar, estas iniciativas". Mas, Ramôa Ribeiro explica que as universidades portuguesas "têm a autonomia necessária e suficiente para poder propor decisões à tutela por sua iniciativa".
Contactado pelo Diário Económico o MCTES não respondeu até à hora de fecho desta edição.

Autoria e outros dados (tags, etc)

E viva a agricultura!!!

por papinto, em 13.03.11
e Viva a Agricultura

Autoria e outros dados (tags, etc)

Did farming push us to war?

por papinto, em 12.03.11
USA today  Mar 9, 2011 09:41 AM
Peppers for sale at the Santa Fe farmers market.
By Elizabeth Weise

Farming makes no sense. Textbooks tell us cultivation and herding came about because they allowed humans access to more abundant food. But an analysis shows that they're actually about 50% less efficient than the hunter-gatherer lifestyle they replaced in terms of producing food. Early farmers ate less well, were smaller and less healthythan their roaming counterparts.

Why then did humans make the switch to agriculture, the engine of human civilization that gave us the pyramids, empires and eventually the iPod?

More children and war is the answer arrived at by economist and professor Samuel Bowles of the Santa Fe Institute in New Mexico in a paper in this week's edition of the journal Proceedings of the National Academy of Sciences.

About 12,000 years ago, at the end of the Pleistocene and the beginning of the Holocene, some hunter-gatherer groups began to grow crops and herd animals. It's called "the Holocene Revolution" and a revolution it was. But Bowles calculates that there really wasn't all that much in it for the individuals themselves. Given the limited abilities of those original farmers, an hour of labor resulted in about 1,041 calories worth of return in the form of food.

For hunter-gatherers, the figure is 1,662 calories per hour of work.

A little farming does make sense, Bowles calculates. Getting most of your food from hunting and foraging, but dropping some seeds or roots in the ground to come back to later doesn't carry a huge cost and can add a buffer of food security.

But switching entirely to farming means more work for fewer calories. So why did more than 99% of humanity make the switch? Bowles suggests that in some areas, where constitutions were especially advantageous, farming could have made sense, probably as an adjunct to foraging. Think the Fertile Crescent or the Nile delta.

Those peoples were also smaller, less healthy according to the archeological record. But once farming started, two things pushed it to the forefront, the paper suggests.

Farmers have more children, because their lesser mobility lowered the costs of child rearing. Hunter-gatherer women had to carry their children while they looked for food. Farmers don't. More children among farmers could have "contributed tot he dramatic increase in population associated with cultivation," the paper says.

But perhaps most interestingly, war may have been the thing that really pushed us to the plow. In his paper, Bowles writes:

The fact that agricultural wealth (stored goods and livestock particularly) was more subject to looting may have induced farming groups to invest more heavily in arms and to exploit their greater population densities, allowing them to encroach on and eventually replace neighboring groups.

The shift to farming might also have had an effect on the human temperament, Bowles suggests in an intriguing aside. Studies have shown that in cultures where some people farm and some people still follow a foraging lifestyle, such as the Amazon and Madagascar, farmers are less impatient. "Consistent with the view that farming would be unattractive to impatient individuals, among the Mikea of Madagascar, those engaged in foraging exhibited higher rates of impatience, in behavioral experiments, than did farmers."

Autoria e outros dados (tags, etc)

Boas notícias.pt
11/3/2011 Observatório Astronómico recebe novo telescópio

 

 

O Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) comemora 150 anos esta sexta-feira, 11 de março, e irá receber, em breve, um novo telescópio que será usado para a atividade educacional na instituição.

Para comemorar a data vão ser realizados ao longo do ano diversas atividades como concursos de astronomia, ciclos de palestras e até peças de teatro. O OAL está localizado na Tapada da Ajuda e está dependente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O observatório foi fundado a 11 de março de 1861 e ficou concluído seis anos depois, em 1867. Para além da investigação científica, da museologia e da componente educacional, o OAL também é responsável pela Comissão Permanente da Hora que mantém e fornece a Hora Legal Portuguesa.

Em declarações ao jornal PÚBLICO, Rui Agostinho, astrónomo e director do Observatório disse que a inauguração do novo telescópio será feita ainda este ano pela Fundação Calouste Gulbenkian, responsável pelo financiamento.

"É um bom telescópio", conta Rui Agostinho, acrescentando que o instrumento terá capacidade para fazer espectroscopia e fotometria e será um ótimo instrumento de aprendizagem.

O diretor explicou ainda ao jornal que o instrumento não vai ser utilizado para fazer investigação científica porque a poluição da luz artificial do céu de Lisboa não o permite.


Filme comemorativo do 150º aniversário

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um novo dialecto

por papinto, em 10.03.11

António Bagão Félix, CM, 2011-03-10

 

O quotidiano da política e da gestão foi tomado por uma onda de palavras, um quase dialecto, nem sempre compreensível para os comuns mortais. Há quem faça gala em usar termos que nada dizem, mas que impressionam ou dissimulam a vacuidade. Já dizia Fernando Pessoa que a palavra escrita é um elemento cultural, a falada apenas social.

Eis uma amostra deste novo linguajar: proactividade. Agilizar. Procedimento concursal. Engenharia financeira. Arquitectura organizacional. Geometria variável. Perspectiva integracional e multifocal. Temática e problemática. Alocar, alavancar e assignar. Empreendedorismo. Customizar. Efeito já descontado. Em sede de. Disfuncional e societal. Disruptivo e resiliente. Sinergias e imparidades. Perspectiva de género. Cidadania activa. Criar valor. Reestruturar a dívida. E claro, os inenarráveis "implementar" (que nada significa, por tudo querer dizer) e "despoletar" (que significa o contrário do que se quer dizer).

No meio deste falatório vanguardista, há ainda espaço para pleonasmos "bem-falantes" como, por exemplo, um "elo de ligação", "certeza absoluta", "outra alternativa", "comparecer pessoalmente numa comissão", ou "encarar de frente o problema".

Uf! Basta!

Autoria e outros dados (tags, etc)

  http://www.sciencedaily.com/releases/2011/03/110308124906.htm 

ScienceDaily (Mar. 8, 2011) — Wheat farmers in eastern Oregon and Washington who use no-till production systems can substantially stem soil erosion and enhance efforts to protect water quality, according to research by U.S. Department of Agriculture (USDA) scientists.

Agricultural Research Service (ARS) hydrologist John Williams led a study that compared runoff, soil erosion and crop yields in a conventional, intensively tilled winter wheat-fallow system and a no-till 4-year cropping rotation system. ARS is USDA's chief intramural scientific research agency, and this research supports the USDA mission of promoting sustainable agriculture.

Williams and his colleagues at the ARS Columbia Plateau Conservation Research Center in Pendleton, Ore., set up research plots in two small neighboring ephemeral drainage areas in the Wildhorse Creek Watershed in northeast Oregon. From 2001 to 2004, they measured runoff and sediment loads at the mouth of each drainage channel in the study area after almost every rainfall.

The scientists found that 13 rainfalls generated erosion from conventionally tilled fields, but only three rainfalls resulted in erosion from no-till fields. In addition, they noted that 70 percent more runoff and 52 times more eroded material escaped from the conventionally tilled fields than from the no-till fields.

No-till production left the soil surface intact and protected pore space beneath the soil surface, which allowed more water to infiltrate into the subsoil. In addition, there was no significant yield difference between the no-till and conventional till production, and direct seeding in no-till production saved fuel and time.

Other research on no-till production and soil erosion had been conducted in small experimental plots, but this work provides much-needed information for farmers in eastern Oregon and Washington on how no-till management can reduce soil erosion across entire production fields.

Results from this work were published in the Journal of Soil and Water Conservation.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A new report paints a bleak picture of water demands in the Southwest outstripping supplies in the coming decades, and suggests some farmers in Utah and New Mexico would be better off selling water instead of using it to grow low value-crops such as cotton and grains.

http://www.newwest.net/ By Brendon Bosworth, 3-08-11

  An aerial view of New Mexico farmland. Photo by Flickr user <a target=
  An aerial view of New Mexico farmland. Photo by Flickr user laureskew.

The future of water supplies in the Southwest – Arizona, California, Nevada, New Mexico, and Utah – has been under close scrutiny by scientists, economists and policymakers. Already, the amount of water available each year from rain and snowfall is less than what is being used by farmers and homeowners in these states, with the deficit made up by pumping groundwater from underground sources.

Rising temperatures in future – a result of climate change – are predicted to put further stress on water reserves. As a new report, “The Last Drop: Climate Change and the Southwest Water Crisis,” by economists Frank Ackerman and Elizabeth Stanton from the Stockholm Environment Institute, bluntly states, “water demand in the Southwest will outstrip water supply in the near future.”

Water from the already strained Colorado River, which supplies 18 percent of the region’s water, and groundwater supplies, which account for 35 percent of water use, is projected to be unable to meet the needs of a growing population with increasing incomes in the next 100 years. Climate change exacerbates the problem. The researchers emphasize that “continuing the current trend in global greenhouse gas emissions will make the cost of the next century’s projected water shortage at least 25 percent higher.”

Ackerman and Stanton highlight that close to four-fifths of the Southwest’s water is used for agriculture. A fifth goes to homes and commercial businesses, while the electricity, mining and industrial sectors each use less than 1 percent.

Southwest states are responsible for 20 percent of agriculture’s share of the national GDP, with California making up 16.4 percent by itself. Even though agriculture drains nearly 80 percent of Southwestern water supplies, it makes up a small piece of the GDP pie, contributing just 1 percent of Southwest GDP. Overall, farming contributed 0.8 percent of U.S. GDP in 2005, according to the report.

Prioritizing Higher Value Crops Could Be Key

The economists suggest that cutting back on crops that don’t fetch enough value for the amount of water used to grow them is one way to help curb the growing demands for water. This, they write, would “have little impact on U.S. or world agricultural markets, but a big impact in balancing water use with water supply in the Southwest.”

Ackerman and Stanton ranked Southwestern crops based on their dollar value per acre-foot of water used to grow them. (An acre-foot of water is considered enough to meet the needs of two four-person families for a year).

Nursery and greenhouse products came out on top, earning $28,000 per acre-foot. Vegetables, fruits and nuts generally brought in sales above $1,000 per acre-foot. Dairy and cattle (with water for hay to feed them factored in) came in at $900 per acre-foot. However, there was a huge discrepancy between California, where dairy and cattle earn more than $1,200 per acre-foot, and Utah, where they earn less than $250 per acre-foot.

Cotton, wheat, corn, rice and other grains scored low, with values of under $500 per acre-foot.

Hay is somewhat of an outlier, since across the Southwest it fetches the lowest value per acre-foot of water used – $121 on average. But, as the researchers emphasize, it’s important since it’s grown chiefly to feed cattle and dairy animals.

Using data from the National Agricultural Statistics Service, Ackerman and Stanton calculate that hay saps 42 percent of the Southwest’s agricultural water, while dairy and cattle account for 31 percent of total agricultural sales in the region. This relationship differs by state.

In Utah 94 percent of agricultural water goes to hay growing, but cattle and dairy sales only bring in 45 percent of the state’s total agricultural sales.

In New Mexico the ratio is more evenly weighted. Seventy-six percent of the state’s agricultural water is funneled to hay growing, while dairy and cattle account for 74 percent of total agricultural sales.

“Hay is more complicated than the other crops. We’re not making any direct recommendation there,” said Stanton in a telephone interview.

However, Stanton said hay is usually not transported over long distances and tends to be sold through local markets, but looking at selling it more widely is something that could be considered. She also explained that there is room for research into more efficient uses of water in hay farming.

“This is an area where so much water is used in such dry areas that it seems like a priority area for government extension services and universities to get involved and say, ‘How can we grow this hay with less water?’” she said.

According to Ackerman and Stanton, “in most Southwest states, farming cotton, grains, oilseeds and dry beans and peas brings in less value per acre-foot of water than would the sale of the water itself.” In theory, this means some farmers would be better off selling water instead of using it to grow their crops, although in reality they seldom have the rights to do so.

While the cost of water varies for different users in different states, according to water rights, allocations and subsidies, the authors highlight that some municipalities pay $2,000 or even $3,000 per acre-foot to supply water to homes and businesses. In Utah utilities have paid up to almost $5,200 per acre-foot, according to the report.

The report also shows how different states exert different demands on water supplies. Utah, for instance, “uses more domestic water per capita than any state but Nevada per day.” New Mexico uses the least domestic water per capita in the Southwest, which means it ranks 16th in the country for domestic water usage. At the same time, New Mexico uses close to 90 percent of its water supply on agriculture.

The researchers suggest that “eliminating the lowest value-per-unit-water crops (excluding hay) would lower agricultural water use by 24 percent, while reducing farm sales by less than 5 percent.”

“We can’t say anything about the particular circumstances of particular farms, but the suggestion would be to switch from a lower value crop to a higher value crop,” said Stanton. “And these aren’t just crops that are lower value in terms of per-acre foot [of water used]. These are also lower value crops in general.”

In strictly financial terms, Ackerman and Stanton calculate that by 2050 increasing water shortages will cost the Southwest between $7 billion and $15 billion – about 0.3 to 0.6 percent of the region’s GDP for 2009. By 2100 projected costs hit between $9 billion and $23 billion.

“Adaptation,” they write, is “a bargain that the region cannot afford to ignore.”

Autoria e outros dados (tags, etc)

Portugal importa 30 por cento dos alimentos por produzir poucos cereais

 

Público, 2011-03-08 Manuel Carvalho

A necessidade de exportar mais e de importar menos comida enfrenta um nó górdio: o abandono dos cereais. No resto, o sector até se portou assim-assim


No dia 28 de Janeiro deste ano, o agrónomo e ex-ministro da Agricultura Armando Sevinate Pinto foi ao supermercado e, na banca da fruta e dos legumes, tomou nota da globalização. Lá estavam morangos ou mamão do Brasil, cogumelos da Holanda, espargos do Peru, beringelas da Espanha, nêsperas da Guatemala, amoras do México, mirtilos do Chile, romãs da Turquia ou pimentos do Uganda. Sim, também havia maçãs e pêras de Portugal, mas esta "babel" hortofrutícola que se encontra nas grandes superfícies está na origem daquilo que o também ex-ministro Gomes da Silva designa por "mito urbano". De acordo com esse "mito", Portugal deixou de ter agricultura, importa tudo o que produz, abandonou terras, estoirou as ajudas europeias na compra de jipes ou de casas em Cascais e é hoje um sector marginal e incapaz de ajudar o país a sair da crise.

Verdade? Nem tanto. A agricultura nacional nunca foi capaz de garantir abastança. Todos os anos, o país tem de importar quase um terço das suas necessidades alimentares, uma factura que, em 2009, quase dava para construir o novo aeroporto de Lisboa (a diferença entre o que exportou e o que importou rondou os 4000 milhões de euros). Mas, feito o registo, será que, como se ouve dizer com frequência, a dependência externa se agravou? Não agravou. Mais: se a produção global estagnou e a necessidade de importar comida se manteve foi principalmente por causa da redução brutal da área e da produção de cereais. Sem essa redução, o sector agrícola não seria hoje visto como um patinho feio da economia, mas talvez como um herói da competitividade nacional.

Uma questão recorrente

O problema dos cereais é velho de 200 anos. O facto de ser a base da alimentação humana confere-lhe sensibilidade política e todos os governos desde o liberalismo tentaram o mito do auto-abastecimento - a "Campanha do Trigo" de Salazar, lançada em 1929, destacou-se tanto pelo fracasso dos seus fins como pelos danos ambientais que causou. Quando os preços no mercado mundial atingiram um pico em 2008 e voltaram a subir em Junho de 2010, esperava-se que os agricultores reagissem. Nem isso. Em 1990, por exemplo, dedicaram cerca de 424 mil hectares (um hectare é equivalente à área de um campo de futebol) à cultura de trigo e do milho; mas, em 2009, essa área estava já reduzida a 157 mil hectares. Em termos de produção, as quantidades reduziram-se para um terço. E o país tem de comprar lá fora 75 por cento dos cereais que consome.

Para a maioria dos especialistas, as condições do solo e do clima impedem grandes ambições. "Não tenhamos ilusões a esse respeito", diz Arlindo Cunha, doutorado em Economia Agrária e ex-ministro da Agricultura. Francisco Avillez, professor universitário jubilado, acredita que as novas áreas de regadio que estão a nascer no Alqueva podem aumentar áreas de produção, mas sem grande impacte nas contas gerais da cultura. António Serrano, ministro da Agricultura, admite que a produção se eleve, mas dificilmente poderemos produzir mais de um terço dos grãos do que consumimos.

O factor PAC

Esta convicção alargada depende, em última instância, de um factor principal: a Política Agrícola Comum (PAC). Sem terem de semear para receber subsídios, muitos agricultores constataram que entre o que investiam e recebiam na colheita não era compensador; daí ao abandono de terras mais pobres foi um passo.

Mas se é evidente que há uma crise grave nos cereais, nas outras culturas a situação é mais favorável. A agricultura foi capaz de se adaptar aos mercados e aproveitar a sua feição mediterrânica para suprir as perdas. Se é verdade que, medido em preços correntes (não actualizados pela inflação), o valor da produção de cereais caiu de 343 milhões de euros em 1986 para 155 milhões em 2009, os hortícolas aumentaram de 371 para 1094 milhões, as frutas de 586 para 1082 milhões, o azeite de 590 mil euros para oito milhões e o vinho de 342 para 678 milhões de euros. Ou seja, hoje, o sector hortofrutícola, no qual o país tem vantagens comparativas (é, por exemplo, capaz de produzir legumes dois meses antes dos holandeses ou belgas), já representa um terço do valor final da produção da agricultura.

O mesmo com menos terra

E este desempenho que contraria os "mitos urbanos" torna-se ainda mais notável se considerarmos que a área agrícola é hoje muito menor. E que é trabalhada por quase metade das pessoas que a cultivavam em 1986. Gomes da Silva nota que o desaparecimento de explorações foi mais veloz que a redução da área utilizada, o que triplicou a área média das propriedades e reforçou a sua competitividade. Regra geral, os agrónomos dizem que as terras abandonadas eram "pobres" ou "marginais", incapazes por isso de sustentar uma produção agrícola moderna. Francisco Avillez chama também a atenção para o facto de, em muitos casos, não se poder falar de "abandono de terras", mas da sua "extensificação". Por exemplo, quando um agricultor deixa de semear batatas e passa a cultivar forragens para alimentação de bois e vacas. Armando Sevinate Pinto, que foi alto-funcionário da Comissão Europeia e ministro da Agricultura com Durão Barroso, vai no mesmo sentido e diz: "Não conheço um único hectare de terra boa que esteja fora de produção".

Redução persiste

Há quem não partilhe o optimismo. Em causa, receia o ministro da Agricultura, pode estar já o abandono de áreas agrícolas boas. Os dados estatísticos parecem dar-lhe razão, ao revelarem que a redução da área agrícola persistiu na década passada, quando, entre 2003 e 2007, desapareceram 30,6 por cento das explorações (a maior razia na UE a 27) e sete por cento das terras agrícolas (pior só na Roménia e na Eslováquia, enquanto em Espanha a ocupação agrícola cresceu 1,6 por cento no período).

Se é verdade que a produção agrícola, em valor bruto de produção, estagnou, mas não caiu, ao contrário do que é ideia corrente, pode acreditar-se que o sector "tem margem para reduzir a dependência externa de alimentos", diz António Serrano. "Se nos deixarmos de apostas erráticas, podemos aumentar as exportações em 15 por cento e reduzir as importações em 25 por cento", diz Sevinate Pinto. "Temos de organizar os sectores e seguir os bons exemplos, como o das frutas e legumes", considera António Serrano.

Ainda assim, todas as expectativas, todas as projecções se baseiam na crença de que se manterá um nível de protecção do sector no âmbito da PAC, que, além de ter canalizado para Portugal no último ano cerca de 800 milhões de euros em ajudas ao rendimento, mantém uma protecção alfandegária contra a concorrência externa. Se, como lembra Francisco Avillez, a pecuária nacional tiver de concorrer com a da Argentina ou do Brasil, se os cereais se abrirem à máquina produtiva dos Estados Unidos, então pouco haverá a fazer.

O mais e o menos do Portugal agrícola

Público 20110308

Factor humano é uma das maiores limitações


Os pontos fortes

O sector leiteiro Portugal não só é capaz de produzir o leite que consome como ainda dispõe de uma ligeira margem para exportar. Mais: num sector aberto ao investimento estrangeiro, as marcas nacionais continuam a dominar o mercado. O sucesso do sector resulta em grande parte do trabalho da rede de cooperativas do Norte e do Centro do país que se uniram para criar o gigante Lactogal. A concorrência e a procura da eficiência afastaram dezenas de milhar de pequenos produtores do negócio e, nos dias de hoje, a redução dos preços está a causar ameaças aos que restam. Mas, numa área difícil, a agricultura nacional saiu-se bem.

Azeite É talvez o mais fulgurante caso de sucesso dos últimos anos. Por volta de 1960, a produção de azeite foi ameaçada pelos incentivos políticos concedidos aos óleos vegetais. Quando entrou na CEE, Portugal importava mais de três quartos das suas necessidades, embora reexportasse uma parte. A cultura caiu no esquecimento, mas uma série de investimentos espanhóis, nota Sevinate Pinto, "ensinou-nos como se faz". Ainda que tenhamos de comprar quase metade das nossas necessidades, na última década fez-se o maior olival do mundo, a área cresceu 10 mil hectares entre 2005 e 2009 e quando os jovens olivais entrarem em produção Portugal pode ficar perto da auto-suficiência.

Frutas e legumes Há anos que se anunciava o potencial nacional para as frutas e legumes e agora esse potencial começa a dar frutos. No ano passado, as exportações do sector ficaram quase 200 milhões de euros acima das do vinho. Sem alarido, nas zonas do Oeste ou no vale do Mira, jovens empresários, voltados para o mercado e abertos à exportação começaram a tornar o sector num caso sério. Portugal é excedentário em legumes, mas, apesar do lento salto na produção de fruta, ainda depende em 35 por cento do que consome do exterior. O país está ainda a ganhar fôlego em novas produções, com o destaque para o kiwi.

Vinhos Os vinhos portugueses ganham cada vez mais prémios internacionais, mas, se não fosse a expressão do vinho do Porto, que vale quase metade dos 594 milhões de euros exportados em 2009, o desempenho externo do sector seria duvidoso. Ainda assim, a viticultura e a enologia deram saltos para níveis internacionais, há empresas com músculo (a Sogrape tem propriedades na Argentina e na Nova Zelândia) e mercados que começam a ficar consolidados, como o do Brasil ou de Angola. No ano passado, as exportações cresceram 17 por cento.

Os pontos fracos

Cereais Em 1990, a agricultura produziu 44,2 por cento das necessidades de consumo de cereais; em 2008, já só respondia por 25,3 por cento. Durante os primeiros anos da PAC, os preços altos ou os subsídios foram mantendo o nível produtivo; quando, depois de 2005, as ajudas da PAC começaram a ser pagas sem qualquer ligação às sementeiras ou às colheitas, os agricultores fizeram as contas e concluíram que a venda de grão não dava em muitos casos para compensar os gastos com adubos ou mão-de-obra. Metade da área foi retirada da produção e em muitos casos transferida para pastagens, nota António Serrano. As condições do solo e do clima nacionais não tornam a produção competitiva.

PAC A arquitectura da PAC foi feita a pensar no Norte da Europa e não no Mediterrâneo. Por exemplo, os cereais ou a carne bovina são altamente subsidiados, mas as frutas e os legumes não. E como o valor dos subsídios se associa aos índices históricos de produtividade, uma agricultura atrasada como a nacional ficou condenada a ser uma espécie de parente pobre . Depois de 2005, a PAC mudou e cristalizou este modelo, concedendo um "pagamento único" por exploração com base nesses índices. Ao permitir que o agricultor escolha o que fazer nas terras, promoveu o abandono de áreas menos competitivas. A nova PAC, prevista para 2013, corrigirá esta situação.

Perfil dos agricultores Há 30 anos, um milhão de portugueses trabalhava na agricultura (nem todos a full-time); em 2009, resistiam 540 mil. Quem ficou? Os mais velhos. Quase 45 por cento têm mais de 65 anos. Nem um por cento tem formação agrícola completa, contra 8,7 por cento da média europeia. Alguns, poucos, lideram empresas, que representam dois por cento das explorações. Não há um retrato padrão dos agricultores, mas sabe-se que, na maior parte dos casos, estão longe de ser capazes de responder à competição actual. Manuel Carvalho

Autoria e outros dados (tags, etc)






subscrever feeds