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O Sol tem ciclos de 10 a 12 anos. As alterações na atividade durante esses ciclos pode afetar a forma como influencia o nosso planeta. 

Houve uma mini-idade do gelo entre 1350 e 1850, com invernos muito rigorosos como este registado por Pieter Brueghel 

Um novo modelo usado pela equipa de Valentina Zharkova, professora de Matemática na Universidade de Northumbria (em Inglaterra), permitiu prever que a atividade solar diminuirá em 60% durante os anos 2030, resultando em condições semelhantes à da mini-idade do gelo que teve início em 1645, referiu um comunicado de imprensa da Royal Astronomical Society. Os resultados foram apresentados durante a Reunião Anual de Astronomia que teve lugar em Llandudno, no País de Gales.

Há já 172 anos que os cientistas se aperceberam que o Sol tem uma atividade cíclica que dura 10 a 12 anos, mas esta atividade é muito variável de ciclo para ciclo e têm-se mostrado difícil de prever. Agora, a equipa de Valentina Zharkova estudou três ciclos solares (de 1976 a 2008), analisou as variações dos campos magnéticos do Sol, comparou o hemisfério norte com o hemisfério sul e criou um novo modelo que consegue fazer predições muito apuradas dessas irregularidades do ciclo solar.

A variação da atividade solar desde uma situação próxima do mínimo, até uma atividade máxima – SOHO/ESA/NASA

Ao usarem o modelo para prever o que acontecerá no futuro, os cientistas verificaram que no ciclo que inclui a década de 2030 os dois campos magnéticos ficariam completamente dessincronizados o que provocaria uma redução da atividade solar.

Falta explicar de que forma esta redução da atividade solar pode realmente afetar a Terra. Um estudo publicado em junho na Nature também revela que a atividade do Sol está a diminuir e que isso pode ter alguma influência nas correntes atmosféricas, mas os investigadores descartam que isso pudesse alterar o curso previsto para as alterações climáticas.

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“Manmade climate change.” We’ve all heard the catchphrase before (well, at least until politicians realized that “global warming” could easily be falsified by uncooperative temperature data).

But wouldn’t “climate change” whether man was here or not? Do government bureaucrats who can’t even run Amtrak or the Post Office actually think they can control the weather like a thermostat?

Why should the U.S. further reduce its “carbon emissions” when the rest of the planet, oblivious regimes run by central planners in Russia and China, are happily emitting away?

Most importantly, why should American taxpayers spend billions, if not trillions, of dollars fighting a quixotic crusade to keep the planet’s climate from changing?

Man’s activities play but a small part in the global scope of things, and 25 graphs show that to be the case.

1. Carbon Dioxide Levels Were Previously Much Higher & Yet Life Survived

#1 CO2EarthHistory


Temperatures rise and fall in the long historical picture regardless of CO2 levels. In fact, CO2 levels are fairly low right now compared to life-flourishing eras.

2. Modern History Shows Similar Temps in Medieval Warm Period



Forget the “hockey stick” graph the IPCC whipped out to stoke fears of a global apocalypse; such warming is not unprecedented.

3. More About the Medieval Warm Period

global_mean_temperature_last-2000_yearsBefore the Industrial Revolution took hold, there was a period of warming that allowed the Vikings to more easily explore the North Atlantic and settle Greenland. Other historical studies, some based on tree-ring data, suggest asimilar period of warming in Roman times.

4. Graph from 1990 IPCC contrasted with 2001 IPCC Report



The 1990 figure 7c that was subsequently “disappeared” from succeeding IPCC reports followed by the infamous “hockey stick.”

5. Carbon Dioxide’s Contribution to “Thermal Forcing” (Also Dubbed the “Greenhouse Effect”)


Mankind has about zero control over the volume of atmospheric water vapor, which is about 90% to 95% (varies by location) of what is commonly referred to as the “greenhouse effect.”

6. Mankind’s Production of Carbon Dioxide by Burning Fossil Fuels is a Little Over 3% by Volume


Since man has only produced somewhat over 3% of atmospheric carbon dioxide, that means man is responsible for a little over 0.28% of the “greenhouse effect,” when one accounts for water vapor. That’s based on Department of Energy figures.

7. The Decreasing Effect of Adding More Carbon Dioxide to the Atmosphere



Adding more carbon dioxide to the atmosphere does not lead to a linear effect on “thermal forcing,” but a logarithmic one. That means the more CO2 is added, the less of a “warming” effect it has.

8. Forecasts (Including from the U.N.) Do Not Match the Recent Temperature Record


9. Five Major Temp. Datasets Show No Statistically Significant Warming for 17 Years


10. Greenland Ice Core Samples Show Major Fluctuations in Temperatures


11. Hurricanes Per Decade On the Decline


12. Last Year’s Hurricane Reporting from the U.S. was One of the Lowest on Record


13. Deadliest Atlantic Hurricanes in Historical Perspective


Of course, early warning systems improve survivability, but do not mitigate monetary damage from hurricanes (which is obviously up, due to factors like economic development on coastal shorelines).

14. Deadliest Pacific Hurricanes in Historical Perspective


Again, no trend in fatalities from hurricanes.

15. Hurricane Landfalls in the Longer View


No trend in hurricane landfalls; 1887 was one of the most frequent on record.

16. One of the Lowest Tornado Counts on Record: 2013


17. One of the Lowest Readings for 100 Degree Temperature Days: 2013



2013 isn’t shown on this chart, but it continues the trend: A decrease of 40%since the 1930s, as Steven Goddard pointed out.

18. Snowfall is Showing a Slight Increase Since 1967


19. Tropical Storms Down to Mid-1970s Levels


Global Tropical Accumulated Cyclone Energy (ACE) is fluctuating as usual – in defiance of predictions from the “the consensus.”

20. Recent Forest Fire Counts

Forest fires show almost no recent trend; although they recently tend to do more damage per acre. Changes to forestry practices may be a contributing factor to why forest fires spread more uncontrollably.

21. NASA Satellite Shows Arctic Ice Growth

MoS2 Template Master

It’s important not to monitor Arctic and Antarctic ice levels by taking a snapshot at one moment and forgetting all historical precendent; witness Arctic ice growth year-on-year in August 2013.

22. Arctic Ice Continues to Grow (as of February 2014)


In February 2014, Cryo-satellite images showed Arctic ice volume continued to grow into October 2013.

23. Fatalities Due to Natural Disasters Has Plummed 98% Since the 1920s


A study by the Reason Foundation in 2011 found that deaths due to natural disasters have plummeted by 98% since the 1920s. Whether it’s from early warning systems or better adaptation to climate (central heating and cooling, e.g.), this stat shows no trend that Nature is threatening humanity’s very survival.

24. Despite Having the World’s Biggest Economy, the U.S. is Not the World’s Leading CO2-Emitter


25. U.S. is One of the Few Global Economic Powerhouses to Actually Cut CO2 Emissions


If anything, these charts show that we will have to continue adapting to Nature, just like life on this planet has always had to do.

If that means less pollution – like economically free societies have – then let’s talk about that. If it means better economic development, like impoverished nations in Asia and Africa need, so be it.

But what the demands of adapting to Nature don’t demand is authoritarian control over energy and industry by central governments. Because if anything, the examples of history and the modern day (see Russia, China, et al.) show that this way of looking at things is “on the wrong side of history.”

As President Obama begins his unconstitutional push to deprive Americans of more money and economic freedom in the vain crusade of “saving the planet,” and Prince Charles flips his hole cards by explicitly tying “global warming” to anti-capitalist economy, people should ask themselves: just howdo these governments plan to stop the climate from changing?

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TERESA FIRMINO   Público, 25/03/2014 - 07:39

Estudo projecta os efeitos das alterações climáticas nas oliveiras da bacia mediterrânica até 2050, para um cenário em que a temperatura do ar aumentará até 1,8 graus Celsius de média anual. À primeira vista, Portugal sairá beneficiado.


A oliveira é uma espécie resistente à seca




Que impactos terão as alterações climáticas nas oliveiras da bacia mediterrânica, onde actualmente se produz 97% das azeitonas de todo o mundo? Uma equipa de cientistas italianos foi à procura de uma resposta, incluindo pela primeira vez a interacção entre a cultura da oliveira e um dos seus principais inimigos, a praga da mosca-da-azeitona, num mundo sujeito a alterações do clima. Resultado: até 2050, com uma subida da temperatura média anual da temperatura até 1,8 graus Celsius face à medida da década 1960, Portugal e Espanha estarão no lote dos países em que a produção de azeitona conhecerá um aumento.

Que impactos terão as alterações climáticas nas oliveiras da bacia mediterrânica, onde actualmente se produz 97% das azeitonas de todo o mundo? Uma equipa de cientistas italianos foi à procura de uma resposta, incluindo pela primeira vez a relação entre a cultura da oliveira e um dos seus principais inimigos, a mosca-da-azeitona, num mundo sujeito a alterações do clima. Resultado: até 2050, com uma subida da temperatura média anual do ar até 1,8 graus Celsius face à média da década de 1960, Portugal e Espanha estarão no lote dos países em que a produção de azeitona irá aumentar.

Mas a realidade tem sempre nuances, pelo que os impactos do aumento da temperatura nas oliveiras em Portugal não serão assim tão lineares, como conclui ainda o estudo da equipa de Luigi Ponti, da Agência Nacional para as Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Económico Sustentável italiana, em Roma, publicado esta segunda-feira na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

Embora se preveja que as oliveiras gostem dessa subida de temperatura em todo o país — o que se deverá traduzir num aumento da produção de azeitonas de Norte a Sul em 2050 face à produção e aos preços de 2000 —, tal não significa vá haver lucros em todo o lado. Isto porque as pragas são muito sensíveis à temperatura e à humidade e a mosca-da-azeitona (Bactrocera oleae) não é excepção.



O Sul de Portugal já é quente no Verão e a mosca-da-azeitona morre quando o calor aperta. Mas o Norte do país é actualmente mais fresco do que o Sul, por isso a subida da temperatura no futuro dará a esta praga margem de progressão.


Trás-os-Montes menos beneficiado
Assim sendo, ainda que também no Norte de Portugal se espere que as oliveiras passem a produzir maior quantidade de azeitonas no futuro, a mosca-da-azeitona passará igualmente aí a atacar mais os frutos da oliveira. Feitas as contas, os lucros por hectare deverão descer no Norte e subir no Sul, onde os níveis de infestação se deverão manter mais ou menos iguais aos actuais e onde já hoje o Alentejo é o maior produtor de azeitona do país.

“Na Península Ibérica, incluindo Portugal, a tendência geral projectada pelo nosso cenário climático aponta para o aumento das produções, sem alterações dos níveis de infestação dos frutos pela mosca-da-azeitona, e um aumento dos lucros”, sintetiza Luigi Ponti para o PÚBLICO as principais conclusões do estudo. “Em determinadas áreas de Portugal, os lucros aumentarão devido ao aumento da produção, que compensará a subida dos custos de controlo [da praga] e a descida da qualidade do azeite, ambos resultantes de maiores níveis de infestação”, explica ainda o investigador italiano. “No entanto, apesar dos aumentos da produção, os lucros descerão no Norte de Portugal devido ao aumento da infestação.”

Mas olhando para o território português a uma escala ainda mais pormenorizada, antecipa-se que muitos dos olivais mais pequenos não conseguirão sobreviver, tal como aliás noutras regiões do Mediterrâneo: “A uma escala mais fina, os impactos económicos não serão uniformes e aumentará a taxa de abandono de pequenas propriedades agrícolas em áreas marginais da bacia do Mediterrâneo — propriedades que, além de rendimento, fornecem importantes serviços ao ecossistema, como a conservação do solo e da biodiversidade e a prevenção dos incêndios florestais”, sublinha Luigi Ponti.

“Na União Europeia, incluindo Portugal, a viabilidade das pequenas propriedades agrícolas ficará mais comprometida pelas políticas de subsídios que favorecem os sistemas de produção intensiva de azeitona, menos sustentável ecologicamente, embora o enquadramento político esteja a mudar”, acrescenta o investigador. “Muito provavelmente, pequenos olivicultores com um importante papel ecológico — por exemplo em Trás-os-Montes — irão abandonar os seus olivais durante o actual regime de subsídios, por isso serão os primeiros a ser atingidos mesmo pelos mais pequenos impactos climáticos.”

Presente em toda a bacia do Mediterrâneo, a mosca-da-azeitona provoca quebras na produção e na qualidade do azeite: as fêmeas picam as azeitonas, depositando lá dentro os ovos, de onde saem as larvas que comem a polpa do fruto. As azeitonas não só perdem peso como oxidam pela entrada de ar no seu interior (os azeites serão mais ácidos, com menos qualidade).

Quanto às conclusões do estudo no resto da bacia mediterrânica, globalmente o impacto económico das alterações climáticas na produção de azeitona e de azeite será “mínimo”, resume o investigador. “Não se espera que a produção na bacia mude com o aquecimento global: exceptuando o Médio Oriente, a produção aumentará na Grécia, Turquia, Balcãs, França, Itália, Península Ibérica e Norte de África. Em toda a bacia, haverá um aumento de 4,1% da produção total”, lê-se no artigo científico. Em relação aos lucros, conclui-se que também a Grécia, Turquia, Balcãs, França, Itália e o Norte de África sairão beneficiados. Mas no Médio Oriente, a olivicultura passará a dar prejuízo, neste caso devido a quebras na produção.

Para este estudo, a equipa partiu do pressuposto de que a temperatura subiria no máximo dois graus Celsius até meados deste século face à média da década de 1960, baseando-se num dos cenários futuros para a emissão de gases com efeito de estufa (o cenário A1B, que aponta para um desenvolvimento económico rápido mas menos dependente dos combustíveis fósseis que produzem os gases responsáveis pelo aquecimento da Terra).

Num mundo até dois graus mais quente, pensa-se ainda ser possível lidar com os impactos das alterações do clima. “É provável que ocorra este nível de aquecimento na bacia mediterrânica, entre 2030 e 2060”, considera Luigi Ponti, acrescentando que está agora a fazer um estudo com modelos climáticos mais refinados à escala regional. “Estamos a preparar uma nova avaliação do sistema da oliveira no Mediterrâneo usando dados produzidos por múltiplos modelos climáticos regionais.”

Estes novos resultados deverão permitir uma visão mais aperfeiçoada do olival num Mediterrâneo mais quente, para se perceber melhor o futuro de uma cultura com tanta tradição.

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Constantinopla e o aquecimento global

por papinto, em 20.01.14

A física da atmosfera é uma coisa muito complicada. Não admira que a incerteza científica associada à matéria seja elevada e que a discussão do assunto por não especialistas seja um campo de minas permanente.


Interrompo as crónicas sobre barragens e medidas compensatórias, mais uma vez. Com as notícias sobre o frio e este tempo invernoso, começaram a ouvir-se outra vez uma série de comentários, alguns até com bastante graça, dizendo que mais uma vez se percebia que isso do aquecimento global estava muito mal explicado.

É verdade que hoje se fala mais de alterações climáticas do que de aquecimento global. Na opinião dos negacionistas climáticos isso não passa de alterações semânticas cujo objectivo é disfarçar a farsa do aquecimento global, e de caminho aproveitam para falar do frio em Nova Iorque.

Na opinião dos outros, essa alteração de terminologia reflecte o facto de as alterações na atmosfera induzidas pelo aumento de carbono, e outros elementos, embora conduzindo a um aquecimento global, na verdade implicarem uma alterações dos padrões climáticos, dando origem a mais calor e mais seca nuns lados, mas também a mais frio e mais chuva noutros.

Discutir isto com base no frio de um determinado momento, ou o calor noutro, usar permanentemente as alterações climáticas para falar de fogos, secas, inundações, avanço do mar, etc., é uma tolice.

Há anos tentava tornar esta tolice o mais evidente possível:

O frio de hoje, do mês passado ou mesmo do ano passado, em si, não diz rigorosamente nada sobre o clima.

“Meteorologia é a ciência que estuda os meteoros, isto é, os fenómenos da atmosfera. A sua mais conhecida aplicação prática é a previsão do tempo, em diferentes escalas, mas sobretudo em pequenos períodos de tempos. Na realidade as previsões a mais de três dias, embora tenham sofrido progressos notáveis, são ainda relativamente pouco fiáveis.

“O clima estuda o padrão das variações meteorológicas, ou seja, avalia estatisticamente os elementos meteorológicos num período suficientemente grande para permitir avaliar padrões para lá da elevada variação meteorológica de curto prazo. O período considerado mínimo para a análise climática são 30 anos, sendo a média das observações ao longo de 30 anos que define a norma climatológica.

“De um lado e do outro da discussão sobre alterações climáticas tende a esquecer-se esta diferença essencial entre meteorologia e clima.”

O frio de hoje, do mês passado ou mesmo do ano passado, em si, não diz rigorosamente nada sobre o clima. Da mesma forma, a existência de fenómenos fortemente relacionados com a meteorologia, como fogos, avanço do mar, cheias, etc., por mais extremos e raros que sejam, não dizem absolutamente nada sobre alterações climáticas.

A física da atmosfera é uma coisa muito complicada (basta ver que previsões meteorológicas com antecedência maior do que três dias são altamente falíveis, apesar de todos os progressos nesse campo da ciência), o estabelecimento de padrões estatísticos nessa variação é também muito complexo e interpretar as variações desse padrão ao longo de períodos longos de tempo, em que se cruzam muitos factores, muitos deles mal conhecidos, é ainda mais complexo.

Não admira por isso que a incerteza científica associada a esta matéria seja muito elevada, e que a discussão do assunto por não especialistas seja um campo de minas permanente, onde se encontram as mais desvairadas opiniões e teorias de conspiração.

E, somando a tudo, o tempo que faz hoje é bem concreto, o clima de uma região é uma abstracção estatística, nem sempre evidente. Todos sabemos que Londres é muito mais chuvosa do que Lisboa, mas nem todos sabemos que a quantidade de chuva anual em Londres e Lisboa é muito semelhante.

E aqui voltamos ao avanço do mar, especialmente visível em algumas circunstâncias meteorológicas, como foi o caso do início da segunda semana de Janeiro.

Pode haver alguma relação das alterações climáticas com este fenómeno meteorológico. Mas também pode não haver. Esta incerteza deve conduzir à inacção, ou deve apoiar uma gestão inteligente da ocupação do território?

A questão parece-me relativamente simples.

Se não existir qualquer relação entre o avanço do mar e as alterações climáticas (e eu tenderei a dizer que a diminuição da quantidade de sedimentos transportados pelos rios para a costa é um factor muito mais importante no recuo da costa do que as alterações climáticas), o facto de se contar com as alterações climáticas para adoptar políticas mais prudentes pode ter um sobrecusto que é relativamente baixo.

Mas se existir essa relação, e não tivermos feito nada entretanto, os custos associados à perda de vidas e à destruição de riqueza serão brutais.

Acresce que o simples bom senso e o respeito pelo dinheiro dos contribuintes aconselhariam a adopção de medidas de recuo da ocupação da costa em muitas zonas.

A discussão é muito menos científica do que parece: a incerteza existirá sempre e a questão de fundo é política – consiste em saber como queremos gerir essa incerteza, incorporando-a nas nossas decisões colectivas, da forma socialmente mais útil.

E para essa discussão vir falar dos barcos presos no gelo da Antárctida ou no frio polar do Canadá durante meia dúzia de dias é verdadeiramente discutir o sexo dos anjos com os turcos a assediar as muralhas de Constantinopla.

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Alterações climáticas e Agricultura

por papinto, em 11.04.13

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Público 2012-08-12 Clara Barata

O milho seca nos campos do Midwest antes de crescer. Como dali vem metade de todo o que se vende no mundo, teme-se uma onda de especulação que gere instabilidade em países pobres

A maior cultura de milho do planeta foi devastada pela seca mais severa nos Estados Unidos dos últimos 56 anos e teme-se que esta seca histórica dê origem a uma crise alimentar como a de 2008, que gerou motins e instabilidade política em vários pontos do mundo.

Os números revelados na sexta-feira pelo Departamento de Agricultura dos EUA revelam que pelo menos 17% da colheita de milho está perdida. Será a mais pequena dos últimos 17 anos, sublinha o New York Times, quando as condições meteorológicas favoráveis da Primavera tinham levado os agricultores a plantar tanto milho como nunca desde 1937 - ao todo, 39 milhões de hectares, diz a Time. Mas agora 16 milhões de hectares de terra plantados com pés de milho ressequidos e subdesenvolvidos estão nas zonas classificadas como estando em seca extrema ou excepcional, segundo o Centro Nacional de Mitigação da Seca.

Cerca de 65% do território dos EUA está pelo menos em situação de seca moderada, uma área quase tão vasta como o fenómeno Dust Bowl da década de 1930, quando anos consecutivos de seca fizeram com que o solo das Grandes Planícies norte-americanas se transformasse em pó, soprado pelo vento em enormes tempestades de poeira.

No Midwest americano, a zona mais afectada pela seca, foi plantado no ano passado 35% do milho e da soja produzidos em todo o mundo, segundo números citados pelo Financial Times. Como os EUA são os principais exportadores de milho e soja do mundo, e a seca afecta a região do Midwest, teme-se que a inflação dos preços dos cereais, que já se sente, dê origem a uma nova crise alimentar, como de 2008, que provocou motins e instabilidade política em vários pontos do mundo.

"A situação actual é precária e pode deteriorar-se mais se persistirem as condições meteorológicas desfavoráveis, ainda não é uma crise", escreveu no jornal Financial Times o secretário-geral da Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas (FAO), José Graziano da Silva. "Mas os riscos são altos e se não forem dadas as respostas certas pode criar-se uma nova crise."

Etanol não, obrigado

Esta seca veio de surpresa - começou em Junho, com uma onda de calor que fez com que fossem batidos recordes históricos de temperaturas em muitos locais, que regra geral tinham sido atingidos nos meses mais quentes do ano, Julho e Agosto. Acenderam-se os enormes incêndios florestais no Utah e no Colorado, que chegaram a áreas urbanas. A seca instalou-se, com o seu séquito de problemas. Indiana, Illinois, Nebraska, Kansas, Missouri, Oklahoma e Arkansas são os estados mais afectados, com cerca de 20% da sua área considerada em "seca extrema ou pior".

O milho assa nos campos, queimado ainda antes de se desenvolver a maçaroca. A soja vem um pouco mais tarde, mas as perspectivas são igualmente más. "Isto é mesmo uma crise. Acho que nunca vi nada assim na minha vida", disse o governador do Illinois, Pat Quinn, depois de visitar uma série de quintas onde as culturas ficaram esturricadas pela falta de humidade e pelo calor nos próprios campos, citado pelo New York Times.

O milho é o mais valioso cereal cultivado nos EUA - só no ano passado, representou 76.500 milhões de dólares. É alvo de muitos subsídios e estímulos à produção, como a política de incentivos federais à produção de etanol, incluindo um mandado federal para que este biocombustível polémico seja misturado com a gasolina. Os produtores de gado e aves de capoeira têm pedido que este mandado esteja suspenso, dada a situação de seca, e a FAO pede o mesmo. Outros 20 países, entre os quais a França, a Índia e a China, noticia o Financial Times, já expressaram também a sua preocupação aos EUA com esta exigência, que sonega 40% do milho produzido nos EUA.

Grande parte das maçarocas intensivamente cultivadas na América não são usadas directamente nos nossos pratos. Muitas acabam consumidas de forma irreconhecível, como adoçante, nas bebidas e outros alimentos (14%). O destino de 33% do milho é alimentação dos animais, tanto de capoeira como gado. Mas a fatia mais larga, 40%, vai mesmo é para a produção de etanol, um biocombustível cuja produção é cara e que tem muitos desperdícios.

Cadeia alimentar instável

Em 2010, houve uma segunda crise internacional relacionada com a subida do preço dos alimentos - provocada por fenómenos climáticos extremos, enquanto a de 2008 teve mais a ver com a subida do preço dos combustíveis. Uma seca reduziu a colheita russa de trigo em um quinto, o que levou Moscovo a banir a exportação deste cereal, enquanto na China boa parte das colheitas foi destruída também por uma seca e na Austrália o problema foram cheias. O preço do trigo aumentou mais de 50% e os alimentos derivados disparam 32%, recorda Michael Klare, professor de Estudos de Paz e Segurança Mundial no Hampshire College, nos EUA, no site

"Quando acontece que uma colheita falha com esta magnitude - estima-se que 80% do milho tenha sido afectado de alguma forma e pelo menos 11% da soja -, os efeitos fazem-se sentir ao longo de toda a cadeia alimentar", comenta Isobel Coleman, director da Iniciativa para Sociedade Civil, Mercados e Democracia do think-tank norte-americano Council on Foreign Relations.

"Em todo o mundo há classes médias a crescer, um aumento da procura da carne e de proteínas. Os países estão a tornar-se cada vez mais dependentes de alimentos para os animais relativamente baratos fornecidos pelos Estados Unidos", explica, numa entrevista divulgada no site da think tank. O mundo tem um apetite cada vez mais voraz por uma dieta rica em proteínas animais. Assim, o aumento do preço nos EUA acabará por encarecer mais facilmente a carne num país em desenvolvimento do que nos próprios Estados Unidos.

Nas próximas semanas, o preço da carne, por exemplo, até deve baixar nos EUA, porque muitos criadores levarão os animais para abate, uma vez que não conseguem alimentá-los. "Mas a mais longo prazo, os preços vão aumentar. Os especialistas prevêem subidas de 4 a 5% nos preços no ano que vem", diz Isobel Coleman.

Países que importam muitos dos seus alimentos, como as Filipinas, o Afeganistão, ou o Egipto, vão sentir em cheio os seus efeitos. "E quando vemos preços dos alimentos a subir rapidamente, claro que isso conduz a instabilidade", sublinha Coleman. "Já vimos isso várias vezes nos últimos cinco anos em muitos destes países. A subida do preço dos alimentos traduz-se em protestos nas ruas."

Meio mundo come milho com sotaque do Midwest


Quando barra uma fatia de broa com manteiga ou a usa para comer um portuguesíssimo chouriço, é provável que a farinha de milho usada para a fazer tenha sotaque do Midwest. É que 53% do milho comercializado em 2011 foi plantado por agricultores norte-americanos.

Sendo um dos grandes produtores de cereais, os EUA dominam o mercado internacional do milho, embora exportando uma pequena quantidade da sua produção (15%). Por isso, os preços que prevalecem internacionalmente são os do mercado interno - influenciados pela meteorologia na "Cintura do Milho", o Midwest. Daí os receios de que a grande seca de 2012 resulte num terceiro episódio de aumento dos preços dos alimentos a nível mundial em cinco anos.

Os efeitos já se começam a sentir: o índice de alimentos da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) subiu 6% de Junho para Junho. A deterioração das perspectivas quanto à colheita nos EUA fez os preços do milho subirem 23% em Julho.

A isto junta-se a cotação do trigo, o cereal mais consumido no mundo, que subiu 50%. Aqui o que está em causa são as más condições meteorológicas na Rússia e a expectativa de redução nos stocks de milho. O preço do açúcar está também a fazer subir o índice de preços da FAO, devido às chuvas no Brasil, maior exportador mundial. O atraso das monções na Índia, que cria condições de seca, também não ajuda à tranquilidade dos mercados.

Na Bolsa de Chicago, o valor dos futuros do milho (as previsões quanto ao preço que atingirá numa determinada data futura) subiram 60% a partir de meados de Junho, atingindo níveis recorde. Outros cereais, como a soja e o trigo, estão também a subir muito. Oficialmente, mais de metade da colheita de milho é classificada pelo Departamento de Agricultura dos EUA como de má qualidade - a pior classificação desde a seca de 1988, quando a colheita de milho foi reduzida em 31%. C.B.

A culpa é das alterações climáticas ou nem queremos falar disso?

Modelos para compreender a evolução do clima não representam bem os fenómenos extremos

A culpa da seca recorde nos EUA é das alterações climáticas causadas pelo aquecimento global? Normalmente, os cientistas são muito cautelosos a fazer essa ligação entre a meteorologia, mesmo os fenómenos meteorológicos extremos, e o clima, que é a caracterização do planeta no longo prazo. É como comparar uma piscadela de olho com um filme de 120 minutos. Mas, desta vez, há cientistas prontos a ligar as duas coisas.

James Hansen, do Instituto de Estudo Espaciais da NASA em Nova Iorque, não é nenhum estranho à intersecção da política com a ciência das alterações climáticas - há 24 anos, testemunhou sobre o assunto no Congresso. Desta vez, publicou um artigo na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences em que, usando dados estatísticos, produz mapas em que mostra como as temperaturas extremas no Verão se tornaram não só muito mais frequentes como se alargaram a muito mais áreas.

Assim, entre 1951/1980, os períodos de temperaturas extremas só se verificavam em 1% da superfície terrestre. Ao analisar o que se passou e as três décadas seguintes, a equipa de Hansen conclui que, no final desse período, as vagas de calor se tinham alargado a 10% do globo. Conclusão, polémica para alguns cientistas, que acusam Hansen de estar a fazer um libelo político: "Podemos dizer com segurança que as ondas de calor de Moscovo em 2010 ou do Texas em 2011 são consequência das alterações climáticas".

Apesar do interesse político de Hansen - mesmo no meio da maior seca em seis décadas, o tema das alterações climáticas e do que se pode fazer para as limitar tem estado ausente da campanha das presidenciais norte-americanas -, ele não está propriamente a esticar para lá do admissível em ciência. Outros estudos têm apontado neste sentido, e o IPCC - o grupo de peritos que trabalha para elaborar relatórios de consenso sobre as alterações climáticas para a ONU - divulgou um relatório recentemente em que aponta também esse caminho.

A verdade é que os modelos computorizados com que os cientistas tentam compreender como pode o clima evoluir não representam bem os fenómenos extremos, disse à Nature Kevin Trenberth, climatólogo do Centro Nacional de Investigação Atmosférica dos EUA. Mas isso pode levar algumas pessoas a tirar uma conclusão errada: "A de que não sofrem influência humana." Clara Barata

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