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APCOR | Diário Económico 07 Out 2014

Instituto Superior de Agronomia revela que os montados de sobro portugueses podem absorver anualmente até 14,7 toneladas de dióxido de carbono.

Os montados de sobro portugueses podem absorver anualmente até 14,7 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por hectare, segundo investigações levadas a cabo pelo Instituto Superior de Agronomia, por uma equipa liderada por João Santos Pereira. Os dados, a serem publicados brevemente numa brochura da Associação Portuguesa da Cortiça (Apcor), referem, por exemplo, que um montado pouco denso (cerca de 30 por cento de cobertura por árvores) reteve em média 88 g de carbono por m2 e por ano (ou seja de 3,2 toneladas de CO2 por hectare e por ano). Mas o sequestro anual de carbono num montado em melhores condições de solo e clima, com gestão florestal certificada e com mais plantas (50 por cento de cobertura de árvores), quadruplicou para 400 g de carbono por m2 e por ano (ou seja 14,7 toneladas de CO2 por hectare e por ano). 

O presidente da Apcor, João Rui Ferreira, admite que o importante papel do sobreiro a esse nível "não surpreende", mas garante que esta é a primeira vez em que um estudo realizado por investigadores portugueses "permite demonstrar e quantificar essa capacidade de sequestro, bem como os factores que a podem influenciar".

Considerando que a certificação florestal, por um lado, e a maior densidade de sobreiros, por outro, têm um impacto positivo na retenção de CO2, João Rui Ferreira anunciou que "a Apcor continuará a apostar em formas de fazer crescer essas duas realidades".

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Apcor referiu ainda que "sendo o sobreiro uma espécie de crescimento lento, que pode atingir os 200 anos, e verificando-se uma menor incidência de incêndios em áreas de sobro comparativamente às de outras espécies, o carbono anualmente sequestrado pelos montados é armazenado por períodos de tempo muito longos."

E acrescentou: "a certificação florestal é um garante de que os montados são geridos de acordo com práticas que potenciam a preservação da biodiversidade, a conservação dos solos, a regulação hidrológica, a promoção de um património cultural único ao serviço das comunidades e dos turistas, e a defesa de um enorme valor social, que cria condições de trabalho em zonas de baixo investimento." Essa certificação também será, por isso, "um factor diferenciador dos produtos em cortiça face aos concorrentes".

"Desta forma, reforçará a cortiça enquanto marca global", concluiu o presidente da Apcor.

Um outro dado a assinalar é que a cortiça continua a reter CO2 depois de transformada.

"Enquanto produto vegetal, a cortiça trabalhada continuará a reter carbono (metade do seu peso seco, ou seja, aproximadamente 1,7g de carbono por rolha natural ou 6,2g de CO2) durante um período mais ou menos longo, de acordo com os esquemas de tratamento de resíduos de cada país ou região. Esta função só termina com a queima e a devolução de carbono à atmosfera em forma de CO2", pode ler-se no mesmo estudo.

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