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Cultivar o futuro . Global Notícias, 2014.03.07

 

Seria difícil imaginar-se, há apenas um par de anos atrás, que o sector agrícola pudesse dar origem a uma grande conferência, como a de ontem, sexta-feira, no local de maior glamour da segunda cidade do País (a Casa da Música, no Porto), com 300 pessoas presentes.

Mais do que isso, 20 mil milhões de investimento nos últimos anos fazem acreditar aos responsáveis do sector de que é possível alterar o paradigma português: um país que importa grande parte do que é a sua alimentação. Só o défice comercial agrícola com Espanha é de quatro mil milhões.

Nuno Amado, presidente da comissão executiva do BCP, anunciou que pretende aumetar o investimento do banco no setor pimário para 20% da quota de mecado Perante a “emergência nacional” em que Portugal está mergulhado, o mercado mexe-se: Nuno Amado, presidente do Millennium bcp anunciou ontem que pretendia aumentar a quota de mercado no sector primário – sobretudo agricultura – de 15% para 20% em dois anos. “E prometemos fazer a nossa parte, ou seja, adequar os produtos financeiros para ciclos longos, já que a agricultura também tem ciclos longos de investimento, exploração e até de cobrança.” Em contrapartida pediu aos agentes do sector que envolvam mais capital próprio e sublinhou o papel crucial que a empresa de garantia mútua, a AgroGarante, pode ter no apoio à facilitação de garantias à banca (que muitos agricultores não podem dar).

Por seu lado, a Frulact, uma das líderes nacionais na transformação de fruta, voltou a lançar o repto de maior produção nacional de fruta de qualidade. A empresa da Maia quer aumentar o volume de produto nacional nos seus produtos, atualmente limitado a 10% (porque não consegue comprar em quantidade e prazo atempado em Portugal). João Miranda, líder da Frulact, lamentou fortemente que, por exemplo, os produtores de morango não estejam suficientemente organizados e capazes de vender mais e melhor “excelente morango português”. Acrescente-se entretanto que o Governo mantém a máxima intensidade na aprovação de “candidaturas viáveis” apresentadas ao Ministério da Agricultura no âmbito do Proder – Programa de Desenvolvimento Rural, frisou ontem o secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque. Depois de quatro anos disfuncionais (até 2010), em que quase nada foi aprovado, neste momento continuam abertas as candidaturas a fundos comunitários com verbas ainda disponíveis do anterior quadro comunitário de apoio. Quando todos os regulamentos dos novos fundos 2014-2020 estiverem publicados, abre-se um novo ciclo mas sem paragens burocráticas que comprometam o investimento. Luís Mira, da Confederação da Agricultura Portuguesa (CAP), rejeitou entretanto a possibilidade de que há muitos terrenos abandonados ao longo do País. “Temos seis milhões de hectares de terrenos agrícolas e apenas 125 mil hectares estão abandonados”, disse, considerando que a iniciativa da “Bolsa de Terras” anunciada pelo Governo nasce ao contrário – o primeiro a disponibilizar as suas terras sem aproveitamento deveria ser o próprio Estado, coisa que não aconteceu. “É uma questão ideologicamente interessante mas não vai ser funcional.”As dificuldades burocráticas até que se consiga arrendar terrenos de outrem “vai demorar 20 anos”.

O secretário-geral da CAP diz que, com tantas opções tecnológicas, incluindo as culturas hidropónicas (em estufa, sem terra), a questão da falta de solo agrícola não é um entrave ao investimento.

 

O painel de debate da conferênca: António Perez Metelo, Luís Pereira Coutinho, Luís Mira, Jorge Dias, Manuel Cardoso e António Fontainhas Fernandes. ( Pedro Granadeiro/Global Imagens )

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