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DAI renuncia à produção de açúcar de beterraba e dedica-se apenas à refinação

A DAI, Sociedade de Desenvolvimento Agro-Industrial renunciou à quota de 15 mil toneladas de produção de açúcar de beterraba que tinha para a campanha 2008/2009, tornando-se refinador exclusivo de ramas.

Constituída em 1993 com o objectivo de produzir açúcar a partir de beterraba, a fábrica com sede em Coruche, que começou a laborar em 1997, desencadeou em 2007 um processo de adaptação da unidade fabril para a refinação, na sequência da decisão da Comissão Europeia (CE) de reduzir a sua quota de produção.

No relatório e contas de 2007, a empresa sublinha a conclusão «com sucesso da adaptação da unidade fabril para a actividade de refinação» e destaca a decisão de renunciar à quota de 15 mil toneladas de açúcar de beterraba, a que corresponde uma indemnização de cerca de três milhões de euros, considerada elegível pelo Ministério da Agricultura.

Em 2007, a quota de produção de açúcar a partir de beterraba foi reduzida de 70 mil para 34.500 toneladas, passando este ano para as 15 mil toneladas, no âmbito das medidas adoptadas pela CE para reduzir a produção de açúcar na União Europeia (UE).

Na decisão de abdicar da quota pesou o facto de a empresa não ter conseguido cumprir em 2007 as 34.500 toneladas, uma vez que a beterraba entregue pelos produtores (203 mil toneladas) culminou em 31 mil toneladas de açúcar branco, «prefigurando a dificuldade em garantir o abastecimento» da matéria-prima necessária e «economicamente justificável» para as 15 mil toneladas de quota.

Nas negociações com Bruxelas, a DAI conseguiu que lhe fosse atribuída, em 2007, uma quota de 65 mil toneladas para refinação de açúcar de cana para assegurar a continuidade da unidade.

A adaptação, que implicou investimentos da ordem dos 12 milhões de euros, decorreu durante 2007, ano em que a fábrica laborou durante cerca de 200 dias, «frequentemente com valores de produção próximos de mil toneladas diárias de açúcar».

O exercício de 2007, que culminou com um resultado líquido negativo de 3,8 milhões de euros, ficou marcado pelo «considerável» aumento do volume de negócios, mais 68 por cento que em 2006, «fruto das cerca de 175 mil toneladas vendidas, com reforço da posição nos mercados tradicionais (110 mil toneladas), mas também dos negócios de prestação de serviços de refinação».

«O resultado financeiro negativo justifica-se pelo aumento do endividamento médio mensal e pelo aumento cíclico dos indexantes das taxas de juro europeias resultantes da actuação monetária do Banco Central Europeu», lê-se no relatório.

O ano de 2007 ficou ainda marcado pela constituição de uma sociedade em Moçambique, na qual a DAI detém 50 por cento do capital, destinada à produção de açúcar de cana, «de modo a assegurar no futuro uma maior estabilidade no aprovisionamento e melhor qualidade das ramas».

Foi ainda constituída, com a espanhola Azucarera EBRO, a NCA, Nueva Comercial Azucarera, da qual a DAI detém 12,5 por cento do capital, com o objectivo de manter e consolidar a presença naquele que é o seu principal mercado (95 por cento das vendas) e obter ganhos com a racionalização logística e as sinergias entre os dois accionistas.

Em 2007 a empresa iniciou ainda um processo de melhoria da eficiência energética, tendo produzido energia para as suas necessidades e injectado na rede pública «um quantitativo digno de registo», sendo seu objectivo introduzir futuramente o aprovisionamento e utilização do gás natural.

in AgroNotícias

 

Também no Sol online podemos encontrar esta notícia, onde acresce os comentários dos utilizadores

Beterraba açucareira deixa de ser cultivada em Portugal
A cultura de beterraba açucareira, iniciada há pouco mais de uma década em Portugal, tem este ano a sua última campanha, com o fim da produção de açúcar a partir deste tubérculo na fábrica de Coruche

Manuel Campilho, presidente da Associação Nacional de Produtores de Beterraba (Anprobe), não esconde o inconformismo e repete as críticas ao ministro da Agricultura, «que aceitou que se liquidasse esta cultura» em Portugal.

No seu entender, só por «incompetência» Portugal pode ter saído penalizado na reforma encetada em 2006 pela União Europeia no sentido de reduzir a produção europeia de açúcar em 6 milhões de toneladas até à campanha 2009/2010.

«Portugal aceitou ser tratado como um grande produtor e colocado em pé de igualdade com países exportadores como a Alemanha e a França, quando na realidade produzimos apenas 20 por cento do açúcar que consumimos», disse Manuel Campilho à agência Lusa.

Para o presidente da Anprobe, só a «incapacidade de previsão» não permite encarar este como um produto estratégico para o país, sobretudo numa altura em que a subida dos preços dos combustíveis obrigaria a encarar a regionalização da produção.

«A beterraba era uma cultura alternativa para os agricultores portugueses, por isso nos batemos pela fábrica» da DAI, Sociedade de Desenvolvimento Agro-Industrial, em Coruche, que começou a laborar em 1997 e que implicou um investimento da ordem dos 80 milhões de euros.

A quota de 70.000 toneladas de açúcar de beterraba atribuída à DAI foi reduzida em 2007 para 34.500 e este ano para 15.000, tendo a empresa decidido, após autorização da Comissão Europeia, dedicar-se exclusivamente à refinação de açúcar de cana, o que obrigou a investimentos de adaptação da ordem dos 12 milhões de euros.

Numa década, os produtores portugueses conseguiram atingir níveis recorde de produção (mais de 90 toneladas por hectare, o dobro dos obtidos na campanha de 1997), sublinhou Manuel Campilho.

Na sua Quinta da Lagoalva, em Alpiarça, a colheita nos 25 hectares semeados, que começou a semana passada, perspectiva valores da ordem das 100 toneladas por hectare.

Na sementeira do Outono, esta cultura será substituída por milho e ervilha ou por girassol, dado que a DAI decidiu renunciar à quota da próxima campanha.

«A beterraba provou ser uma alternativa muito interessante», disse Manuel Campilho à Lusa, lamentando que a Alemanha e a França tenham quebrado a solidariedade que desde 1968 reinava na confederação de produtores europeus.

No seu entender, a reforma do açúcar decidida «unilateralmente» pela Comissão veio «desorganizar o mercado» com a abertura à importação de ramas «sem limites».

O regime de reestruturação do açúcar adoptado em 2006 pela Comissão Europeia visa reduzir a produção na União, em 6 milhões de toneladas até à campanha de 2009/2010, para níveis considerados sustentáveis.

A Organização Comum de Mercado (OCM) do Açúcar é regida, desde 1968, por regulamentos da Comunidade Europeia, que estabelecem as regras no que diz respeito a preços, quotas e trocas comerciais com países terceiros.

Para o ministro da Agricultura, Jaime Silva, os produtores de beterraba «não têm razões de queixa» da negociação feita pelo Governo português.

Sublinhando o montante significativo de ajudas ao abandono da produção até 2013, da ordem dos 6,4 milhões de euros, o ministro frisou, há um ano, o facto de Portugal ter conseguido garantir a continuação da laboração da DAI.

Jaime Silva afirmou na ocasião que os agricultores que abandonaram a produção de beterraba, recebendo ajudas, não deixaram de produzir, tendo optado por outras culturas economicamente interessantes.

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