Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Por Carlos Dias

Alqueva recebeu em três meses 4500 hectómetros cúbicos de água, o que constitui uma importante reserva para consumo humano e regadio


Tanto as autoridades portugueses como espanholas não podiam estar mais satisfeitas com as reservas de água que o último Inverno, particularmente chuvoso, deixou na rede de barragens distribuídas pelo alto, médio e baixo Guadiana. Tanto o regadio como o abastecimento de água às populações estão garantidos durante os próximos três a quatro anos.

O balanço feito pela Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva (EDIA) sobre as afluências vindas de Espanha desde o começo do último Inverno e até ao momento em que foram encerrados os descarregadores de meio fundo da barragem, é elucidativo: durante três meses, entraram em Alqueva 4500 hm3 cúbicos. A albufeira tinha no dia 21 de Dezembro do último ano 3231 hm3 de água. Precisou de pouco mais de mil hm3 para atingir, pela primeira vez, desde que foram encerradas as comportas da barragem em Março de 2002, a sua capacidade máxima de enchimento (4150 hm3), alcançada a 12 de Janeiro passado. Além disso foram libertados pelos descarregadores de meio fundo e utilizados na produção de energia na central hidroeléctrica de Alqueva 3500 hm3.

Na bacia hidrográfica do Guadiana em território espanhol as 29 barragens sob administração da Confederação Hidrográfica do Guadiana (CHG) retinham no primeiro dia do último Inverno 2935 hm3. No balanço efectuado pela CHG no passado dia 8 de Abril, é referido que as albufeiras do outro lado da fronteira tinham, actualmente, 8083 hm3, considerado um máximo histórico.

Desta forma foi autorizado o fornecimento de água para o abastecimento da população, usos industriais (não energéticos) e rega. Eduardo Alvarado, presidente da CHG, destacou a transformação "radical e positiva" que se regista nas albufeiras instaladas na bacia do Guadiana em território espanhol, tendo como referência 2009, o que permite "encarar os próximos anos com mais segurança e garantia de água" para os diversos usos da actividade humana, realçando, contudo, "a necessidade da poupança e o uso eficiente da água".

Em território nacional, por agora, a barragem de Alqueva vai continuar a libertar água apenas para a produção de energia.

Autoria e outros dados (tags, etc)