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Público, 20100113

Carlos Dias

Ao início da tarde, a água encheu, pela primeira vez, a albufeira. EDIA sublinha que, ao fim de oito anos, o "primeiro objectivo de Alqueva está cumprido"


Às 16h de ontem e pela primeira vez na sua história de oito anos, foram abertos os descarregadores de superfície da barragem de Alqueva para libertar a água em excesso. A cota máxima da albufeira - 152 metros - foi atingida pouco passava das 14h. Estes números correspondem ao pleno enchimento da barragem, que armazenava 4150 hectómetros cúbicos de água. Há um ano, a cota de Alqueva encontrava-se nos 147,25m.

A Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA) reagiu ao pleno enchimento dizendo que "está cumprido o primeiro objectivo do projecto de Alqueva: a constituição de uma reserva estratégica de água, com capacidade para fazer face a três anos consecutivos de seca, com garantia de disponibilidade para o abastecimento público, para a agricultura e para a produção de energia".

A EDIA esclareceu que os Serviços de Protecção Civil estão a acompanhar e monitorizar as operações de descarga.

As previsões meteorológicas favoráveis à continuação da intensa precipitação no bacia do alto e médio Guadiana em território espanhol e as elevadas afluências que continuam a registar-se em Alqueva "levaram a que a EDIA decidisse abrir as comportas da barragem de Alqueva para libertar algum caudal", mantendo-se, mesmo assim, as descargas controladas através dos descarregadores de meio fundo, o que permitia que a albufeira continue com folga suficiente para eventuais subidas nas afluências de água, que são esperadas.

Em consequência da abertura de comportas em Alqueva, também a barragem de Pedrógão, situada 23 quilómetros a jusante, está a descarregar para o Guadiana, prevendo-se que o caudal do rio se mantenha alto nos próximos dias, embora sem atingir as proporções por vezes gigantescas que se verificavam há décadas atrás.

O enchimento pleno de Alqueva já era expectável desde o início deste ano. O volume dos caudais em território espanhol, divulgado anteontem pela Confederação Hidrográfica do Guadiana, confirmava o crescente aumento.

Há precisamente um ano, a bacia espanhola apresentava uma reserva de água de 4060 hectómetros cúbicos (48,9% da sua capacidade máxima de retenção).

Ontem, os volumes armazenados nas 29 barragens do sistema espanhol no Guadiana atingiram cerca de 5100 hectómetros cúbicos (58,5%), com hipóteses, muito prováveis, de poderem vir a ser maiores nas próximas semanas.

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