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http://www.estadao.com.br/ 20091212

 

Americanos querem que novo acordo climático inclua agricultura, pouco reconhecida no Protocolo de Kyoto

 

COPENHAGUE - O secretário da Agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, disse neste sábado que, em todo o mundo, os agricultores deveriam ser recompensados para combater o aquecimento global, usando, por exemplo, os mercados de carbono. Vilsack falou isso enquanto participava de um evento sobre o papel da agricultura no aquecimento global, paralelo às negociações climáticas da ONU, em Copenhague, que tradicionalmente têm se concentrado muito mais no corte de emissões lançadas por fábricas  ou para produção de energia nos países do que nas emissões da agricultura ou do desmatamento florestal.

 

 

 

 

 

 

Um obstáculo em Copenhague tem sido concordar como será o financiamento proveniente de países industrializados para mitigação e adaptação em países pobres. Vilsack disse que um fundo público deve ser complementado por mercados e pelo setor privado. "A realidade é que não importa o quanto as nações desenvolvidas e os governos coloquem sobre a mesa para prestar assistência ... em termos da mudança do clima não vai ser o suficiente."

 

Na semana passada, a Casa Branca disse que estaria próxima de um consenso no qual países industrializados pagariam US$ 10 bilhões anualmente para nações em desenvolvimento até 2012. Mas o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos fez lobby em prol de uma abordagem de mercado para recompensar os agricultores americanos para que reduzissem emissões de carbono.

 

Um projeto de lei climática nos Estados Unidos permitiria que esses agricultores pudessem vender seus créditos de carbono para outros emissores. "Os agricultores precisam de incentivos", disse Vilsack. "Será importante e necessário para o setor privado ser plena e completamente envolvido neste processo. É por isso que é importante criar incentivos e mercados. " 

 

Ele acredita que um novo acordo climático da ONU deveria incluir a agricultura, que é pouco reconhecida no âmbito do Protocolo de Kyoto. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) diz que os 500 milhões de pequenos agricultores do mundo seriam capazes de enfrentar os efeitos
das mudanças climáticas e impulsionar a produção de alimentos ao mesmo tempo. 

 

A organização argumenta que agricultores de nações em desenvolvimento podem tanto reduzir as emissões de gases de efeito estufa quanto melhorar terras degradadas e assim aumentar os rendimentos, através de práticas como o plantio de árvores. "É importante para esta conferência não separar as duas coisas", disse Vilsack. "Segurança alimentar e mudanças climáticas estão ligadas, na minha opinião, e, se você chama atenção para uma, tem que chamar atenção para outra."

 

O setor agrícola é responsável por 14% das emissões de gases de efeito de estufa globais, e deve alimentar um adicional de 2,3 bilhões de pessoas e aumentar a produção de alimentos em 70% até 2050. Um relatório das Nações Unidas divulgado nesta quarta-feira estima que entre 100 e 200 milhões de pessoas poderiam sofrer de fome até 2050, como resultado do aumento de secas e inundações, se não houver medidas concretas sobre as mudanças climáticas.

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