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A SPEA reconheceu a Quinta de Zom, em Freixo de Espada à Cinta, pela sua extraordinária diversidade de aves. Esta propriedade de 90ha, localizada em pleno Parque Natural do Douro Internacional, possui mais de 60 espécies de aves, que dependem dos habitats naturais da quinta e de uma gestão agrícola favorável. A Quinta de Zom é um exemplo da importância das zonas agroflorestais para a biodiversidade e do papel dos agricultores na sua protecção. Esse papel parece não ter sido reconhecido pelo Ministério da Agricultura, uma vez que Portugal não investe o suficiente em medidas agro-ambientais para a natureza.

Os ecossistemas agro-florestais representam mais de 75% do território Nacional. Por isso são muito importantes para a conservação do património natural e da biodiversidade. Cerca de 50 espécies de aves terrestres ameaçadas dependem dos habitats agrícolas e agro-florestais de Portugal Continental. A biodiversidade dos campos agrícolas de Portugal não se esgota nas aves. São também relevantes outros grupos de vertebrados, os invertebrados e a flora.

É importante que os agricultores favoreçam a biodiversidade dos seus campos e que sejam também beneficiados por ela. Cada agricultor ou proprietário agrícola deve fazer a sua parte, procurando gerir a sua exploração de uma forma menos intensiva e mais amiga da natureza, poupando com isso tempo e dinheiro. Para isso necessita de conhecimentos e de instrumentos de apoio. A campanha da SPEA denominada “Conheça as Aves da Sua Propriedade” visa providenciar conhecimentos aos proprietários interessados e incentivar uma gestão dos meios rurais mais amiga da natureza. Em 2009 participaram 18 propriedades, distribuídas por Trás-os-Montes, Beira Interior, Ribatejo e Alentejo. A Quinta de Zom destacou-se por possuir uma grande diversidade de aves para a sua reduzida dimensão. Nos 90ha da propriedade ocorrem mais de 60 espécies de aves, algumas da quais ameaçadas de extinção, como o Milhafre-real e o Britango. Esta diversidade de aves deve-se aos habitats naturais dentro da propriedade e arredores, como a floresta de Sobro e Zimbro e os matos mediterrânicos. Mas deve-se também ao tipo de gestão implementado pelo proprietário, com uma aposta na agricultura biológica e na produção integrada.

A SPEA espera, com este reconhecimento, estimular o proprietário a continuar com práticas favoráveis à conservação da natureza, utilizando a biodiversidade como imagem de qualidade da produção e dos serviços. Com este tipo de acções pretende sensibilizar os agricultores, as suas organizações e o Ministério da Agricultura. Como refere Domingos Leitão (Coordenador do Programa Terrestre) “o serviço público prestado pelos agricultores portugueses na conservação da biodiversidade deve ser considerado e devidamente apoiado por mais medidas agro-ambientais específicas para a Rede Natura 2000.” Infelizmente, a maioria dos agricultores dentro destas áreas classificadas continuam ainda à espera de apoios prometidos pelo Ministro da Agricultura para práticas agrícolas “amigas” da natureza no âmbito do ProDeR.

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