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por HELDER ROBALO

DN, 2009.12.05

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Críticas. Desfasamento entre os programas de estudo e as prioridades do Governo, deficiente sistema de incentivos e a baixa qualificação do pessoal académico são alguns dos pontos fracos encontrados

Um estudo encomendado pela Comissão Europeia (CE) e realizado por quatro investigadores do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) concluiu que as universidades públicas portuguesas gerem mal os seus recursos e que, no período em análise, entre 1998 e 2005, foram das mais ineficientes entre os 28 países analisados.

Os principais problemas prendiam-se com um desfasamento entre a rede de instituições e programas de estudo que não correspondia às prioridades do Governo. Por isso, Portugal é apresentado como mau um exemplo de "eficiência", concluindo-se que o País tem uma rede de universidades e cursos que também não correspondem às necessidades da economia.

Além disso, também o sistema de incentivos é criticado, nomeadamente o facto de "a competição ser reduzida a limitadas oportunidades de promoção, nos topos das carreiras". O estudo aponta ainda como pontos fracos a baixa qualificação do pessoal académico, devido ao reduzido número de doutorados, tal como a excessiva carga lectiva dos professores.

Neste estudo foram considerados todos os países da União Europeia menos o Luxemburgo, que até há pouco tempo não tinha universidades, e ainda o Japão e os EUA, "com quem os europeus gostam sempre de se comparar", diz Miguel St. Aubyn.

Segundo este investigador do ISEG, algumas razões para esta má classificação prende-se "com o tempo que os alunos demoram a concluir os cursos quando não desistem mesmo a meio". Além disso, salienta, o número de publicações científicas nos anos em análise foi bastante reduzido face ao número de docentes existente.

Mesmo assim, este até nem era, no período em análise, dos piores resultados do País, uma vez que, neste ranking, Portugal surgia em 16.º lugar, há frente da França e do Japão e logo atrás da Espanha.

Por outro lado, se Portugal aparecia em 11.º na relação entre pessoal académico por cada mil habitantes, já ao nível de licenciados por mil habitantes surgia em 22º. O mesmo lugar que ocupava na relação entre o número de licenciados o pessoal académico.

Miguel St. Aubyn diz que outra das conclusões foi que, por norma, as universidades apresentam melhores resultados nos países em que o financiamento está dependente dos resultados. Algo que em Portugal não sucede.

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