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Obituário, DN 20090611

 

 

Estudou exaustivamente a flora portuguesa, ibérica e europeia, trabalho que se materializou na obra Nova Flora de Portugal, da qual publicou três volumes ao longo da vida, e noutros projectos, como o Atlas Florae Europae. Estudou, caracterizou, descreveu e nomeou 160 espécies do património vegetal do País e da Península. Duas delas ganharam até o seu nome: a Teucrium francoi e a Fesctuca francoi. João Amaral Franco, engenheiro- -agrónomo, professor de sucessivas gerações de silvicultores e de engenheiros-agrónomos, no Instituto Superior de Agronomia (ISA), em Lisboa, investigador incansável e patriarca da botânica portuguesa faleceu no dia 8 de Maio. Tinha 87 anos.

João Manuel António Paes do Amaral Franco nasceu em Lisboa, na freguesia de Santos-o-Velho, a 25 de Junho de 1921. Foi ainda como aluno que iniciou a sua actividade científica, que se prolongaria ao longo de 67 anos.

Durante a década de 40, João Amaral Franco dedicou--se a estudos de taxonomia vegetal, incidindo a sua atenção particularmente sobre as coníferas (na maioria árvores, que têm as suas sementes inseridas em escamas, como é exemplo a pinha, e que são típicas de climas temperados e tropicais). Foi também nesse período que iniciou a sua carreira académica, no Instituto Superior de Agronomia, como professor contratado.

Na década seguinte tornou-se professor agregado daquela instituição universitária, publicou obra científica sobre as coníferas e notas diversas sobre flora portuguesa, incluindo algumas de carácter biogeográfico. Ao longo desses dez anos passou alguns períodos no Museu de História Natural de Londres.

Nos anos 60, João Amaral Franco participou no projecto Florae Europae e subiu mais um degrau no percurso académico, ao tornar-se professor extraordinário do primeiro grupo de disciplinas do ISA.

Foi a partir de 1971 que o patriarca da botânica em Portugal, herdeiro de uma ilustre linhagem de botânicos portugueses do final do século XIX, princípio do século XX, iniciou a publicação sua obra de estudo e compilação Nova Flora de Portugal. Isso não impediu que continuasse a colaborar em projectos internacionais, como foi o caso do Atlas Florae Europae. Nomeado professor catedrático nos anos 80, jubilou-se em 1991, mas continuou os seus estudos e publicações. O último fascículo do terceiro volume de Nova Flora de Portugal saiu em 2003.

 

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