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A agricultura tem mais possibilidade que as obras públicas para responder ao desemprego e desequilíbrio da balança comercial externa portuguesa, situações agravadas pela actual crise económica, defendeu hoje o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB).

 

João Salgueiro, que falava no seminário «A Agricultura Portuguesa e a Reforma da PAC», organizada pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), defendeu que «devia haver um debate para [apontar que] a agricultura tem melhor potencial que as obras públicas para criar emprego» e para fomentar a exportação, principalmente de alguns produtos para os quais Portugal tem as condições adequadas de produção.

O responsável afirmou que esta actividade sempre enfrentou dificuldades na obtenção de mão-de-obra, mas, nas condições actuais, pode ser uma alternativa para o desemprego resultante, por exemplo, do encerramento de unidades fabris em várias regiões do país.

«Agora diz-se que se devem fazer grandes obras públicas» para criar emprego, porém, a agricultura, além de poder absorver mão-de-obra, também pode contribuir para aumentar as exportações, defendeu.

Também o ex-presidente da Confederação da Indústria de Portuguesa (CIP), Pedro Ferraz da Costa, que participou no seminário, defendeu que vai «haver uma mudança significativa na produção em Portugal e como consequência haverá mão-de-obra disponível para a agricultura».

Ferraz da Costa disse que existe «pouca organização dos mercados» o que permite a «apropriação do valor que a agricultura é capaz de criar», por isso, «actuações concertadas poderiam aumentar o rendimento recebido pelos produtores».

«A CAP deveria ser capaz de fazer propostas de actuação por fileiras produtivas», desafiou o ex-presidente da CIP.

O professor universitário e coordenador científico da Agroges, Sociedade de Estudos e Projectos, Francisco Avillez, analisou os dados respeitantes à evolução de alguns indicadores do sector da agricultura, falando do impacto da Política Agrícola Comum (PAC) no sector em Portugal.

Um dos pontos frisados foi que o valor do rendimento agrícola caiu «de forma significativa» entre 1991 e 2007, principalmente devido às quebras nos apoios directos à produção nos últimos anos.

O rendimento dos factores desceu 15,3 por cento entre 2003 e 2007, mas a quebra foi de 36,3 por cento no total do período (1991-2007), tendo os apoios directos à produção registado um descréscimo de 65,1 por cento.

Em 2007, o rendimento era de 2.320 milhões de euros quando em 1991 atingia 3.642 milhões de euros.

A riqueza criada pelo sector cresceu no final do período (38,2 por cento) devido ao aumento dos preços mundiais, segundo os dados apresentados.

Francisco Avillez frisou que nos últimos três anos «foi a primeira vez que a produtividade económica [do sector] teve mais peso que os apoios recebidos».

Entre os cenários possíveis para o futuro da PAC em Portugal, o especialista referiu que as variantes são muitas, como a evolução dos preços mundiais e do sistema de apoios, mas avançou a aposta numa agricultura com várias funções além da tradicional, de produzir alimentos.

Diário Digital / Lusa

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