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Expresso on-line, 20090308

 

Lisboa, 08 Mar (Lusa) - Ao abrigo da nova lei, os reitores das universidades portuguesas passaram a ser escolhidos pelo Conselho Geral de cada escola, mas, segundo fontes contactadas pela Lusa, esta forma de escolha não deve alterar o perfil tradicional dos dirigentes das instituições.

"Acho que não vai alterar muita coisa por razões muito práticas: o Conselho Geral (CG) é constituído na sua maioria por professores e investigadores, em resultado da vida académica. No ponto de vista prático, não introduz nenhuma alteração", disse à Lusa André Caldas, representante dos estudantes no CG da Universidade de Lisboa (UL).

O CG da UL, presidido por Henrique Granadeiro, ouviu esta semana os três candidatos a reitor finalistas: o reitor demissionário António Sampaio da Nóvoa, António C. Fonseca, investigador coordenador da Faculdade de Ciências, e Nuno Guimarães, presidente do Conselho Directivo e Científico da Faculdade de Ciências.

Este órgão deve anunciar dia 12, quinta-feira, o candidato vencedor, que ocupará a reitoria de Lisboa nos próximos anos.

"A mudança é apenas no método de eleição, que mudará até de escola para escola", salientou à Lusa fonte do Conselho de Reitores, acrescentando que o universo que elege era antes mais alargado e agora mais restrito.

"As universidades antes não escolhiam um perfil, escolhiam entre os candidatos que se apresentavam. Agora o perfil é definido de acordo com o que são as ideias do CG para a instituição", realçou.

Segundo o Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (REJIES), este novo órgão de gestão das universidades é composto por 15 a 35 membros, envolvendo representantes dos professores e investigadores, dos estudantes e "personalidades externas de reconhecido mérito" exteriores à instituição, numa tentativa de ligar as universidades à sociedade civil.

Para Carlos Salema, presidente do CG da Universidade da Beira Interior (UBI), "a coisa boa dos novos Conselhos Gerais é levar gente de fora para dentro das universidades. Acho que relativiza as tricas que lá existem" e "democratiza a escolha do reitor".

No entanto, acredita que uma mudança nos perfis de reitores "levará tempo".

Entre outros critérios, defende que um novo reitor seja "uma pessoa sensível à investigação e prestação de serviços".

"Trata-se de uma escolha complexa, em que são necessárias várias capacidades para o cargo", acrescenta.

Entre elas, especialmente nas universidades fora de Lisboa, Porto ou Coimbra, está a capacidade do reitor em se relacionar com a região. "As instituições de ensino superior são muitas vezes um dos motores da região, como acontece na Beira Interior".

Na Covilhã, fecharam esta semana as candidaturas, tendo sido admitidos quatro candidatos a reitor.

Para o estudante André Caldas, "um reitor tem de saber interpretar as pulsões próprias da comunidade académica".

"Tem de perceber o que é que há na comunidade académica, além do CG e tem de perceber como é que a Universidade se integra e contribui para todo o ensino superior português, até pela sua posição no CRUP", salientou.

André Caldas considera ainda que um reitor ideal tem de ter uma visão de futuro, sem ser um mero gestor administrador.

No Minho, a Universidade elegeu os professores, funcionários e alunos para o órgão que elegerá o reitor. E na Madeira o respectivo CG elegeu como reitor o professor de Matemática e Engenharia José Manuel Nunes Castanheira da Costa.

RCS/LFO.

Lusa/Fim

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