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Data 2009/2/15 0:40:00 | Tópico: Economia

in: www.orio.pt

 
É curioso! Na data das comemorações dos 100 anos da implantação da CUF no Barreiro, quando alguns “venerandos e obrigados” tecem loas ao empreendedorismo dos “tempos gloriosos dos velhos senhores da indústria”, é desmantelada a sua herança. Alfredo da Silva agita-se no túmulo!
Nos tempos de crise extraordinária em curso (CREC), com a economia real do Pais batida pelas malfeitorias da especulação financeira e da má governança das maiorias ora socialistas ora sociais-democratas, fechar uma fábrica produtiva única a nível nacional é um desastre.

Numa região depauperada, açoitada pelo desmembramento sem alternativa da grande indústria nos finais do século XX, acabar com centenas de postos de trabalho é uma calamidade!

É hoje claro que os países que tiverem as economias mais sólidas, baseadas em fortes sectores produtivos, resistirão melhor à situação de quase-desastre, em que a ganância de lucros do sacrossanto sistema capitalista mergulhou a humanidade.

A agricultura portuguesa (também ela moribunda!...) precisa da indústria de fertilizantes! Mesmo em tempo de retracção as pessoas precisam de alimentos! O País precisa do seu sector produtivo, as fábricas não devem fechar! O grupo CUF / Mellos deve ser confrontado com as suas responsabilidades, se não quer ser acusado de oportunismo.

É tempo dos empresários portugueses, que tanto se queixam da falta de produtividade dos trabalhadores, mostrarem a sua! Acabem com as mordomias e venham “ para o terreno”como faziam os antepassados de antanho. Invistam! Obriguem os bancos a financiar os projectos com dinheiro a preços justos. Que diabo! As fábricas da CUF - Adubos deram cinco milhões de contos de lucros em 2008.

É hora de o governo deixar de fingir a coragem dos que andam atrás dos acontecimentos e estabelecer verdadeiras estratégicas para salvar o Pais do descalabro. Nomeadamente apoiando a produção nacional com um plano de contingência se foram enterrados 1,4 milhões de euros no BPN para salvar uma corja de vigaristas, não existem 65 milhões para a fábrica de Amoníaco, única no Pais, continuar a laborar e a produzir verdadeira riqueza nacional?

É tempo do governo do engenheiro Sócrates, se verdadeiramente o é, mostrar a sua capacidade técnica e política, rompendo com as orientações que defendem o capital especulativo e a agiotagem bancária, com as retribuições escandalosas dos banqueiros e as taxas usurárias (spreads de 8 %) que asfixiam as empresas e as famílias.

Neste caso concreto a continuação da laboração das fábricas de Amoníaco e Ureia durante mais 4 ou 5 anos no Barreiro, permitiria preparar e implementar um verdadeiro projecto nacional em Sines, e parceria com a Petrogal, aproveitando as sinergias da produção de gás na refinaria e utilizando o “know-how” dos técnicos e trabalhadores do Lavradio.

Tirem o País do buraco miserável para onde o empurraram ao destruírem ABRIL e a esperança de um futuro equânime!

Por cada fábrica que fecha, por cada posto de trabalho destruído, o futuro do Pais, dos nossos filhos e netos, fica mais incerto e desesperançado!

Sim, é possível fazer um mundo melhor!

“Velho Barreiro”

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