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Por Marta F. Reis, publicado em 26 Abr 2013 - 03:10 | Actualizado há 13 horas 5 minutos
Marta F. Reis, ionline 26 Abr 2013

Agência Europeia de Patentes distingue pela primeira vez equipa nacional

  • O milagre da cortiça.
    Se soubessem que a boa ideia ia chegar aos Óscares da inovação na Europa - leia-se Prémio Inventor do Ano da Agência Europeia de Patentes - tinham tomado nota do momento preciso do eureka. Assim é preciso dizer em primeiro lugar que o que vai parecer o milagre da multiplicação da cortiça não caiu do céu: são pelo menos 30 anos de estudos em torno desta matéria preciosa, catalisados por um desafio lançado pela corticeira Amorim. Não caiu do céu, mas parece graça divina: os investigadores portugueses conseguiram perceber como fazer uma peça de cortiça render mais 40% em média e no máximo 85%. Isto posto em rolhas dá, por cada dez rolhas, mais umas três ou quatro sem ser preciso esperar que a árvore volte a renovar a casca, processo que demora nove anos e não dura para sempre.</p>

    Estava-se ainda na década de 1990 e o grupo de Helena Pereira, professora do Instituto Superior de Agronomia (ISA) e vice-reitora da Universidade Técnica de Lisboa, viu-se com uma parceria industrial, movida pelo interesse da corticeira de tornar as suas produções mais rentáveis. “Entre as várias áreas que começámos a investigar surgiu uma ideia relativamente pouco complexa de aumentar o volume dos granulados de cortiça”, explica Helena Pereira, reconhecida a nível internacional pelos trabalhos pioneiros na área da engenheira florestal.

    Apoiada por António Velez, também do ISA e com um doutoramento centrado na química da cortiça, resolveu tentar algo nunca feito. A nível molecular, explica a investigadora, a cortiça tem uma estrutura semelhante à dos favos de mel, com várias células alinhadas. Existe, contudo, uma singularidade: as paredes são curvas, o que ocupa espaço. E se as pudessem endireitar?

    Sem desvendar muito do segredo - afinal estamos a falar de uma tecnologia patenteada a nível internacional desde 2011 -, este alisamento, que aumenta o tamanho das células e consequentemente o volume da peça de cortiça, acabou por se revelar simples de obter. Bastava que a peça contivesse alguma humidade e fosse exposta a microondas, que tratam do resto, como quando se põe uma coisa a aquecer e fica rija. A magia a nível molecular acontece e a nível industrial torna-se ainda mais visível: com as mesmas peças - e há que pensar que um sobreiro até dar cortiça tem de se aguentar 25 anos e depois tem este filho umas 19 vezes até arrumar as botas - torna-se possível fazer muito mais do que até aqui.

    “Até agora só testámos esta operação com granulados, ou seja, os excedentes de peças naturais que são processadas. Mas isso não implica que não possa ser aplicado noutras peças”, explica Helena Pereira.

    Assim, não estamos ainda a falar de multiplicar rolhas naturais, o ex-líbris da cortiça nacional e exigência dos principais produtores de vinho de qualidade. Mas a hipótese não está excluída. Para já, dá para rolhas sintéticas, materiais de revestimento ou peças de mobiliário, entre as inúmeras utilizações de um sector que só na Amorim gera 300 milhões de euros por ano. A nível nacional, as exportações de cortiça e derivados atingiram em 2012 os 845 milhões de euros, um aumento de 10% em relação a 2010.

    O empurrão da indústria A trabalhar para a Amorim desde os anos 90, um dos pontos assentes era que qualquer patente seria propriedade da empresa. Assim aconteceu com esta, que foi concedida pela Agência Europeia de Patentes em 2011 e agora põe pela primeira vez Portugal na short-list para o Prémio Inventor do Ano na categoria Indústria. “Foi uma surpresa, sobretudo numa categoria em que Portugal é ainda menos expressivo”, diz Helena Pereira. A burocracia do processo mas também os custos serão alguns dos factores por detrás da fraca protecção de invenções portuguesas na Europa, considera a investigadora.

    Para contornar as adversidades técnicas e de financiamento e aumentar a cultura de inovação no país, defende Helena Pereira, uma boa relação entre universidades e indústria pode muitas vezes ser a solução. “Não é que não tivéssemos conhecimentos, mas a Amorim lançou--nos um desafio que nos pôs a pensar num problema prático e a querer ir mais longe. Faz tudo falta: a ciência básica mas também a ciência aplicada. E para isso às vezes é preciso um empurrão.”

    Os vencedores do galardão serão conhecidos no dia 28 de Maio numa gala da Agência Europeia de Patentes em Amesterdão. Portugal disputa o prémio na categoria de Indústria com um espanhol que inventou um método para optimizar a condução de comboios e dois austríacos que cunharam um sistema que permite fechar as portas dos armários com maior suavidade. Além do prémio do júri, há uma distinção do público. Para votar basta ir ao site da EPO.

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Estatutos da Universidade de Lisboa

por papinto, em 19.04.13

estatutos_ULisboa_DR.pdf by papinto

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EstatutosUL DR by papinto

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 Agroportal, 2013.04.12

Março de 2013 foi o 7º Março mais chuvoso em Portugal continental desde 1931.

O valor médio da quantidade de precipitação foi de 222 mm, 161 mm acima da média de 1971-2000.

O estado do tempo foi condicionado por uma região depressionária complexa, com núcleos principais centrados no Arquipélago dos Açores e perturbações frontais a ela associadas, com ocorrência de períodos prolongados com precipitação.

Observaram-se quantidades de precipitação muito elevadas, cerca de 2,5 a 5 vezes superiores aos valores médios, classificando-se este mês como muito chuvoso a extremamente chuvoso em todo o território.

Os valores agora observados ultrapassaram os registos de Março desde 1941 em alguns distritos da Beira Interior, Estremadura, Ribatejo e Alentejo, nomeadamente em:

• Penhas Douradas (523 mm)
• Alvega (242 mm)
• Portalegre (313 mm)
• Lisboa/Geofísico (240 mm)Setúbal (195 mm)
• Alvalade (159 mm)

e ainda, mas com observações apenas desde 1964:
• Amareleja (155 mm)

De referir também:

2º valor mais alto em Vila Real de Santo António: (1º 212 mm em 1955)

3º valor mais alto em Beja: (1º 215 mm em 1947; 2º 171 mm em 1956)

O número de dias com precipitação (³ 1,0 mm) variou entre 15 e 25, em todo o território, sendo 2 a 4 vezes superior aos valores médios (1971-2000).

O número de dias chuvosos (precipitação ³ 10 mm) variou entre 3 e 15, sendo 2 a 8 vezes superior aos valores médios, em particular num grande número de estações das regiões do norte e centro, que registou mais de 10 dias chuvosos.

De referir ainda o elevado número de horas consecutivas com precipitação igual ou superior a 0,1 mm, em algumas estações meteorológicas:
• 51 horas em Penhas Douradas (das 13 horas do dia 4 às 16 horas do dia 6)
• 37 horas em Monção (da 1 hora do dia 11 às 14 horas do dia 12)
• 25 horas em Viseu (das 16 horas do dia 28 às 17 horas do dia 29)

e 20 horas em muitos locais das regiões centro e sul, nomeadamente:
• Alvega (das 0 horas às 20 horas do dia 31)
• Portalegre (das 0 horas às 20 horas do dia 31)
• Setúbal (das 3 horas às 23 horas do dia 31)
• Amareleja (da 1 hora às 21 horas do dia 31)
• Évora (das 0 horas às 20 horas do dia 31)

Na Figura 1 apresenta-se a distribuição espacial da razão (%) entre a quantidade de precipitação registada em Março de 2013 e a quantidade de precipitação média no mês (período de 1971-2000). Os números associados aos locais representam a posição na respectiva série de precipitação.

Em 31 de Março de 2013 o conteúdo de água no solo apresentava valores superiores aos valores médios, estando o solo saturado em todo o território. Os valores da quantidade de precipitação acumulada no ano hidrológico (1 de Outubro de 2012 a 31 de Março de 2013) variam entre 105 e 190%.

A sequência de ocorrências de condições excepcionalmente chuvosas originou numerosas situações de deslizamentos de terras, derrocadas, etc. Os elevados valores da precipitação registados fizeram subir consideravelmente o nível dos cursos de água, tendo ocorrido cheias nas principais bacias hidrográficas; para esta situação contribuiu também a precipitação ocorrida em Espanha e a correspondente necessidade de descargas das barragens.

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Alterações climáticas e Agricultura

por papinto, em 11.04.13

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02Abastecimento

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