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ScienceDaily (Sep. 27, 2011) — Most of what we have come to think of as our daily fruits, vegetables, and grains were domesticated from wild ancestors. Over hundreds and thousands of years, humans have selected and bred plants for traits that benefit us -- traits such as bigger, juicier, and easier-to-harvest fruits, stems, tubers, or flowers. For short-lived, or annual, plants, it is relatively easy to envision how such human-induced selection rapidly led to changes in morphology and genetics such that these plants soon become quite different from their wild progenitors.

But what about longer-lived, perennial crops, such as fruit or nut trees? How do these long-lived species respond to short-term selection processes, and will this information be helpful in predicting responses to rapid climate changes?

Dr. Allison Miller (Saint Louis University, MO) and Dr. Briana Gross (National Center for Genetic Resource Preservation, USDA-ARS, Fort Collins, CO) are interested in the diversity of plant genomes in domesticated crops and the evolution of their breeding systems under domestication. They undertook an extensive review of perennials, primarily long-lived tree crops, comparing their morphology and genetics in response to human selection pressures to that of natural tree populations and annual crops, which is something we know a lot about. They published their findings in the September issue of the American Journal of Botany.

"Since their origins roughly 10,000,000 years ago, agricultural societies have been based primarily on annual grains and legumes such as corn, wheat, rice, common beans, and lentils," notes Miller. "The importance of these crops is without question; however, every agricultural society has also domesticated perennial plants and these are less well-known than the annuals."

In their article, Miller and Gross point out that one of the challenges to domesticating long-lived species is that they have especially long juvenile phases. This imposes limits on farmers because they have to wait years before they can evaluate, select, and cultivate fruits, in contrast to annuals that can be grown from seed every year. Moreover, like many trees in nature, perennial tree crops are often obligate outcrossers, requiring pollination from another individual. Farmers have gotten around these "obstacles" by clonally propagating individuals with desirable traits.

While clonal propagation may seem like it would result in lower genetic variation, the authors observe that clonal propagation and a long juvenile phase means perennial tree-crops have actually gone through fewer sexual cycles since domestication and thus have remained closer, genetically, to their wild progenitors. Indeed, perennial fruit crops retain an average of 95% of the (neutral) genetic variation found in their wild counterparts, compared with annual fruit crops which retain about 60%.

Interspecific hybridization is very common in tree species in nature, and this ability to readily hybridize is an important trait in domestication -- once a hybrid is formed, it can become the basis for an entire new variety through clonal propagation. Thus, clonal reproduction can also result in rapid rates of change in domesticated systems because individuals with desirable traits can be reproduced exactly and extensively.

"The evolution of perennial plants under human influences results in significant changes in reproductive biology," notes Miller, "and in many cases, perennial crops have reduced fertility in cultivation."

While many annual crops were domesticated from self-compatible wild ancestors, few perennial crops were derived from selfing wild populations. Thus, domesticated perennials often encounter mate limitation barriers when one or just a few clones are planted across a geographic region. However, plants in these agricultural systems have responded by evolving alternative strategies to ensure fruit production. For example, grapes have shifted from having unisexual to bisexual flowers and to having self-compatible fertilization.

Genetic bottlenecks in cultivated populations occur when only a subset of wild individuals are brought under cultivation -- over time, the genetic base narrows as superior individuals are selectively propagated, resulting in elite cultivars that can be genetically depauperate. However, the authors found that many domesticated tree crops are derived from multiple areas, where seeds and cuttings were removed from geographically distinct wild populations. Moreover, many perennial species are highly heterozygous and clonal propagation maintains this heterozygosity at the individual level. Thus, perennial tree crops tend to have a much broader genetic bottleneck than annuals.

In light of the growing concern over monocultures and the loss of genetic diversity in our domesticated crops, Miller and Gross' review of perennial long-lived crops highlights the importance of maintaining long-lived perennials which may have lower environmental impacts as well as higher genetic variability within their populations.

"Understanding how basic evolutionary processes associated with agriculture (e.g., domestication bottlenecks, selective cultivation) impact plant species is critical for crop breeding and for the conservation of crop genetic resources," concludes Miller.

Scientists are also interested in how climate change might impact agriculture. In this framework, Miller is interested in exploring how perennial crops withstand heterogeneous climates over multiple years. "Little is known about the genomic basis of adaptation to climate in perennial plants, or how gene expression patterns may vary from year to year based on climatic conditions in a given location," she notes.



Story Source:

The above story is reprinted (with editorial adaptations by ScienceDaily staff) from materials provided by American Journal of Botany, via EurekAlert!, a service of AAAS.

Journal Reference:

  1. A. J. Miller, B. L. Gross. From forest to field: Perennial fruit crop domestication. American Journal of Botany, 2011; 98 (9): 1389 DOI: 10.3732/ajb.1000522

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A semente deu fruto centuplicado

por papinto, em 17.09.11

«Saiu o semeador para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, foi pisada e as aves do céu comeram-na.  Outra caiu sobre a rocha e, depois de ter germinado, secou por falta de humidade. Outra caiu no meio de espinhos, e os espinhos, crescendo com ela, sufocaram-na. Uma outra caiu em boa terra e, uma vez nascida, deu fruto centuplicado.»

Lc 8, 4-8

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Manifesto pela floresta contra a crise

por papinto, em 16.09.11

Apelamos à resolução das causas profundas e estruturais que estão na base da degradação da floresta portuguesa

 

Público, 2011.09.16


Para sair do ciclo vicioso da recessão, endividamento externo, empobrecimento e aumento do desemprego, a sociedade portuguesa tem de crescer economicamente e valorizar o trabalho, consumir menos produtos importados, criar riqueza transaccionável com base nos recursos nacionais, transformar esses produtos e exportá-los para mercados que valorizem a qualidade. Vários estudos têm destacado o potencial dos recursos endógenos, como o turismo, o património cultural, o mar, os recursos geológicos, a agricultura e a floresta. 

Em Portugal, os espaços silvestres ocupam 64% do território, dos quais mais de metade estão arborizados (38%). Esta riqueza que herdámos e que temos vindo a utilizar, com base na transformação e exportação dos seus produtos (12% das exportações nacionais), permite pagar o que importamos para nos alimentarmos; cria e mantém mais de 140.000 postos de trabalho directos, remunera muitos milhares de proprietários e contribui em 3% para o PIB nacional. 

A floresta é uma das nossas principais riquezas! Cria emprego e desenvolve o interior do país, qualifica e organiza a força de trabalho que fornece as fileiras industriais da cortiça, do papel, dos aglomerados, da serração e do mobiliário. Estas indústrias não são deslocalizáveis e exportam produtos com elevadíssima taxa de valor acrescentado nacional. O território florestal suporta uma parte da pecuária, produz caça e pesca, e é fonte de energia renovável, fixadora de carbono, promotora da melhoria do solo, é salvaguarda de biodiversidade, regula o regime hídrico e constitui paisagens para lazer, recreio e turismo. É um valor nacional avaliado em muitos milhares de milhões de euros. É também história, cultura, memória, silêncio, bem-estar e futuro. 

Neste momento de crise, pode a floresta ajudar o País a reerguer-se, criando riqueza e emprego e contribuir para a prosperidade dos nossos filhos? Os signatários deste manifesto defendem que sim. Contudo, é imperioso que, de forma persistente e consistente no espaço e no tempo, seja promovida e valorizada a gestão activa dos recursos florestais. A percepção do valor da floresta vem de longe e sublinha o facto de os principais grupos económicos portugueses terem a sua origem na floresta. Mas, nos últimos 30 anos, as alterações sociais e as dinâmicas nos territórios florestais e rurais sucederam-se a um ritmo que ultrapassou a capacidade de gestão existente (conhecimento, pessoas, instituições). Somente parece ter havido capacidade de reagir aos problemas, atacando não as suas causas, mas os sintomas e as consequências. Por exemplo, sabendo que o problema dos incêndios só se resolve com a gestão profissional da floresta, o país tem reiteradamente insistido numa estratégia de combate ao fogo; o risco de incêndio agrava-se, há depleção do valor actual e da expectativa de rendimentos futuros dos territórios florestais. 

O país, sendo pobre, não tem o direito de olhar de soslaio para a sua floresta, pondo em causa o seu futuro e a sua soberania. 

A aprovação por unanimidade na Assembleia da República da Lei de Bases da Floresta constituiu um marco histórico. Pese, embora, este consenso alargado entre todas as forças políticas, as medidas, os instrumentos e os recursos financeiros sucessivamente disponibilizados não têm tido as necessárias consequências práticas, como se demonstra pela degradação da qualidade e quantidade do material lenhoso (revelado pelos inventários nacionais), o abandono dos espaços florestais (incluindo os públicos), os impactes dos incêndios e o descontrolo das pragas e doenças. Dos inúmeros e bem financiados planos e programas, quase todos têm demonstrado uma incapacidade crónica em concretizar as justas expectativas de um país com uma das mais altas produtividades florestais da Europa. 

O que tem faltado? Na maior parte do território florestal, com excepção da agro-silvo-pastorícia do Sul, as iniciativas dispersam-se e fragmentam-se na pequenez da propriedade e no individualismo da nossa matriz cultural. Sem cortar este nó górdio e desenhar medidas que transformem a estrutura da propriedade, será impossível promover a eficiência económica dos dinheiros públicos e privados, cada vez mais escassos, e assegurar a competitividade das fileiras florestais. 

Isto implica a necessidade de conduzir com urgência uma reestruturação fundiária sob o primado do interesse nacional, respeitando a propriedade privada. Esta reestruturação fundiária é decisiva, uma vez que mais de 90% das terras florestais são detidas por privados. Assim, o tema decisivo e prioritário da política florestal é a capacidade de assegurar que a propriedade florestal seja adequadamente gerida. 

Tendo a floresta um papel estruturante, quer no plano territorial, quer económico, ambiental e social, a sua má gestão (ou ausência dela) é mais do que um desperdício: é uma irracionalidade civilizacional, que acrescenta risco a quem quer gerir bem, e obriga a comunidade nacional a despender somas brutais de recursos financeiros cada vez mais raros. 

Neste manifesto defendemos a necessidade insubstituível de uma reforma fiscal inteligente e coerente que penalize essas situações e que estimule a gestão activa e profissional do recurso terra, premiando quem faz e quem assegura a perpetuidade das receitas. Focados na resolução das causas do problema, os estímulos devem visar a mobilização dos proprietários através do apoio técnico e profissional para gestão e venda agregada dos seus produtos (reforçando a via associativa), o desbloqueamento das ZIF (Zonas de Intervenção Florestal) e a disponibilização dos recursos do Fundo Florestal Permanente para alavancar financeiramente as iniciativas de gestão dos proprietários. A via fiscal deve estimular o mercado da terra (venda ou renda). De tudo isto resultará também a atracção do investimento e a constituição de poupança. 

Em síntese, lança-se o repto à governança do país (Parlamento, Governo e autarquias), para que se dedique, directamente pelo desenho das políticas públicas, e indirectamente pela indução das práticas de gestão e de engenharia, à resolução das causas profundas e estruturais que estão na base da degradação da floresta portuguesa. O futuro de Portugal passa por aqui!

Alberto de Castro, prof. Faculdade de Economia e Gestão/U.Católica Porto. Presidente AG Centro Pinus; Álvaro Amaroautarca. Antigo secretário de Estado da Agricultura e deputado; Américo M. S. Carvalho Mendes, prof. Faculdade de Economia e Gestão/U. Católica Porto. Presidente direcção Ass. Florestal do Vale do Sousa; António Alberto Gonçalves Ferreira, eng. agrónomo. Empresário agrícola e produtor florestal; António Alberto Monteiro Alves, Prof. emérito do ISA. Antigo vice-reitor UTL.; António Loureiro (*), Presidente Unimadeiras. Director da Assoc. Florestal Baixo Vouga e da ANEFA - Assoc. Nac. Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente; Armando Carvalho, eng. florestal; Francisco Avillez, Prof. emérito ISA. Coordenador científico da Agroges; Francisco Carvalho Guerra, prof. catedrático jubilado Universidade do Porto. Antigo presidente CR Porto/Univ. Católica. Presidente Forestis - Associação Florestal de Portugal; João Ferreira do Amaral, Prof. catedrático do ISEG aposentado. Presidente da Associação para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal - AIFF; João M. A. Soares (*), Antigo director-geral das Florestas e secretário de Estado das Florestas; João Santos Pereira (*), prof. catedrático IS Agronomia. Membro CNADS; João Soveral, eng. florestal. Antigo vice-presidente do Instituto Florestal; Jorge Sampaio, Antigo Presidente da República;Lucílio Martins, eng. florestal. Aposentado da DG Florestas; Luís Braga da Cruz, eng. civil. Prof. convidado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto; L. Valente de Oliveira, prof. aposentado U. Porto. Antigo Presidente CCRNorte. Antigo ministro da Educação e das Obras P. e Planeamento e Admin. Território; Luísa Schmidt, prof.ª ICS/Univ. Lisboa. Membro CNADS; Maria do Loreto Monteiro, prof.ª coordenadora aposentada. Presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências Florestais;Pedro Bingre, prof. Instituto Politécnico de Coimbra; Tiago Oliveira (*), mestre em Gestão de Recursos Naturais; Victor Louro (*), eng. florestal. Aposentado da DG Florestas. Antigo secretário de Estado da Estruturação Agrária e deputado. Os nomes assinalados com (*) correspondem ao grupo dinamizador da iniciativa

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Energy Crops: Achieving a Balance

por papinto, em 14.09.11

ScienceDaily (Sep. 13, 2011) — There has been much debate about the net benefit of growing energy crops to reduce greenhouse gas emissions. While it is accepted that energy crops can displace fossil fuel imports, the emissions from the cultivation of energy crops were until now uncertain.


Teagasc has carried out a number of research projects to quantify the greenhouse gas emissions associated with these crops.

 

One of the surprising findings of the research was that the conversion of grassland to biomass, which was previously thought to lead to large soil carbon losses, in fact maintained or improved the carbon balance through higher annual carbon sequestration rates and lower than expected carbon losses from ploughing.

"Perennial biomass, such as miscanthus and short rotation willow coppice, can form part of a sustainable solution to Ireland's future energy requirement. At the same time this will offset part of the greenhouse gas emissions within the agricultural sector," explains Dr Gary Lanigan at Teagasc's Environment, Soil and Land Use Department at Johnstown Castle.

However, challenges remain, explains Dr Lanigan: "The government's target is to supply 12% of national heat demand through co-firing with renewable resources by 2020. But, it takes years for energy crops to mature and to reach maximum sequestration potential. Therefore, urgent policies are required to encourage large-scale adoption of these systems."

"To incentivise the growing of energy crops, financial mechanisms would need to be put in place to allow agriculture to benefit from the greenhouse gas reductions associated with fossil fuel displacement. "Perennial biomass crops are ideally placed to be incentivised through an initial Domestic Offsetting scheme," concludes Dr Lanigan.

 

Teagasc. "Energy crops: Achieving a balance." ScienceDaily, 13 Sep. 2011. Web. 14 Sep. 2011.

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Vacas

por papinto, em 13.09.11

Vacas

van Gogh

Auvers-sur-Oise, França: Julho, 1890

Musée des Beaux-Arts de Lille
Lille, França


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Alexandra Fonseca Marques, GEGREN – Instituto Superior de Agronomia

 

 Quando se fala no incremento das exportações portuguesas, damos-lhe a conhecer o produto onde Portugal é líder mundial – a cortiça. Como se caracteriza este sector? Qual a sua importância económica? Quais as principais utilizações derivadas da cortiça?

Evolução histórica da industria corticeira

As referências históricas à cortiça como produto de exportação para o Reino Unido e para a Flandres, remontam ao século XIV, utilizada principalmente na construção de flutuadores dos aparelhos de pesca. Durante este período, os povoamentos de sobreiro foram alvo de leis que proibiam o seu corte e restringiam a sua exploração, o que, no entanto, não impediu a redução drástica da área ocupada pela espécie no nosso País (Gil, 1998). No século XVIII, o aparecimento, em Portugal, da rolha de cortiça para o engarrafamento de vinhos e a publicação do primeiro compêndio de subericultura de Fragoso de Sequeira (Natividade, 1950), contribuíram para a valorização dos montados de sobro e da cortiça.

A indústria rolheira em Portugal surgiu em meados do século XIX, inicialmente com pequenas instalações dedicadas ao fabrico manual de rolhas cilíndricas, distribuídas especialmente no Sul do País. Após a 1ª Guerra Mundial, assistiu-se a um grande desenvolvimento da indústria corticeira, com um incremento que chegou aos 10.000 operários por volta de 1930, o que contribuiu para que Portugal assegurasse a liderança da produção mundial de cortiça (Oliveira, 1991, cit. por Gil, 1998). O processo de transformação industrial da cortiça ocorria essencialmente no estrangeiro, em países como os E.U.A., no entanto várias empresas detinham representações no nosso País como centrais de compra da matéria-prima (Gil, 1998).


Actualmente, o nosso País mantém a liderança na produção de cortiça, apresentando uma produção média anual de cerca de 185 mil toneladas, que corresponde a 54% do total mundial, seguido da Espanha com 88 mil toneladas (26%) e da Itália com 20 mil (6%) (Anuário 2000, APCOR & AIEC). Portugal detém ainda a maior capacidade industrial e empresarial do mundo para a transformação da cortiça e exportação dos produtos derivados já transformados, contrariando a tendência de exportação da cortiça em prancha, que caracterizou o início da actividade corticeira em Portugal. Assim, o nosso País transforma cerca de 70% da produção mundial, incluindo uma percentagem substancial de cortiça originária de Espanha. A transformação média anual de cortiça ronda as 150 mil toneladas, das quais se exportam cerca de 120 mil toneladas.
 

Organização actual do sector industrial corticeiro

O desenvolvimento da indústria transformadora de cortiça em Portugal teve lugar em Silves, Évora e Azambuja, e posteriormente no distrito de Setúbal e de Aveiro onde se fixou especialmente a industria rolheira. Este último distrito é o que apresenta actualmente maior número de trabalhadores no sector, cerca de 11 mil, que constituem 73.33% dos 15 mil trabalhadores do sector a nível nacional. Seguido de Setúbal (com 2722 trabalhadores), Faro (com 546) e Évora (com 275). Os trabalhadores da indústria corticeira correspondem a 25% do volume total de emprego no sector florestal (Anuário 2000, APCOR & AIEC).

O processamento industrial da cortiça está dividido em 4 sub-sectores (figura 1), que comportam cerca de 1100 estabelecimentos fabris distribuídos por todo o país. O sub-sector preparador, localizado essencialmente na zona sul do país, comporta cerca de 50 unidades fabris de pequenas dimensões (até 20 operários). O sub-sector transformador é o mais representativo, com cerca de 92% dos estabelecimentos fabris, também com o predomínio de unidades de pequena e média dimensão (até 100 operários). O granulador e aglomerador comporta cerca de 30 estabelecimentos, com predomínio de unidades com média dimensão.


Figura 1 – As actividades da Indústria da Cortiça. Fonte: adaptado de (Gil, 1998)

 

Utilizações e Aplicações da cortiça

Desde a sua origem, a indústria da cortiça está associada à comercialização de vinhos, o que justifica que a rolha (actividade transformadora) seja a principal produção do sector (com cerca de 61% dos produtos fabricados). Ressalta-se ainda que, cerca de 80% da cortiça produzida mundialmente é transformada na Península Ibérica, cabendo mais de 50% a Portugal (Gouveia, 2001). Os desperdícios da produção de rolha constituem a matéria prima dos aglomerados (33%) e dos granulados (3%).

Os produtos derivados da cortiça têm várias utilizações, sintetizadas na figura 2. Ressalta-se que a cortiça natural é utilizada essencialmente na vedação de recipientes, pelo que as outras utilizações recorrem aos granulados e aglomerados puros ou compostos. O principal sector consumidor dos produtos de cortiça é o sector vinícola (cerca de 60%), seguido da construção civil (com 15%) e do sector automóvel (11%).

 
Figura 2 – Utilizações e Aplicações da Cortiça. Fonte: adaptado de (Gouveia, 2001)

Os produtos derivados da cortiça destinam-se, na sua grande maioria, aos mercados externos, registando-se volumes de exportação da ordem dos 90%, dos quais 75% são referentes às rolhas. A exportação destes produtos corresponde a cerca de 3% do total das exportações nacionais (Gouveia, 2001). Os principais mercados de exportação são a França, Alemanha, Espanha, Itália, Reino Unido, e mais recentemente, Austrália, África do Sul e EUA (Anuário 2000, APCOR & AIEC) (figura 3), que são grandes produtores de vinhos de qualidade.

 
Figura 3 – Volume de Exportações (em percentagem) de cortiça de Portugal para os principais países destino, para 1998 e 1999. Fonte: Anuário 2000 (APCOR & AIEC).

Assiste-se actualmente a uma reorganização de todo o sector, com vista a integrar medidas de controlo de qualidade da produção e dos sistemas produtivos, como o Código Internacional das Práticas Rolheiras – CIPR (C.E.Liège, 1997-1999), destinadas a fazer face ás exigências de certificação por parte das caves importadoras de rolhas e à “ameaça” desencadeada pelo aparecimento de produtos sintéticos alternativos. Estas medidas pretendem assegurar a competitividade e liderança do sector nos mercados internacionais.

 
Consumir produtos de cortiça assegura a preservação de um importante ecossistema e contribui para o fomento da indústria nacional.


Alexandra Fonseca Marques (alexmarques@isa.utl.pt)


Bibliografia consultada

APCOR e AIEC (2000). Anuário da Indústria Corticeira Portuguesa 2000.

Gill, L.M. (1998). Cortiça: Produção, Tecnologia e Aplicação. INETI – Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial.

Gouveia, M. (2001). Cortiça: uma indústria tradicional virada para o futuro. Diário Económico 18/6/2001.

Natividade, J.V. (1950). Subericultura. Minist. Econ. – Dir. Ger. Serv. Flor. e Aquícolas. Porto

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Para além da dívida

por papinto, em 01.09.11

PÚBLICO 2011-09-01 Pedro Lomba


Governar não é cortar despesas a eito apenas porque se tem que cortar despesas, nem subir impostos porque se tem de subir impostos, mesmo sob o alto patrocínio da troika. Nenhum Governo pode esquecer isto. Governar é ter a visão de fazer escolhas, enfrentar interesses e alterar paulatinamente a cultura de um país. Dou um pequeno exemplo.

A América pode estar em declínio. Na sua influência e economia; na sua capacidade para ultrapassar uma depressão duradoura; no seu sistema político capturado. Mas há um foco de poder tipicamente americano que resiste: as universidades. As universidades americanas continuam prósperas e dinâmicas. Não sofreram com a depressão destes anos. E provavelmente nunca atraíram tanta gente como hoje.

Esta contradição entre um país que experimenta os sinais de uma crise duradoura - e com dificuldades em sair - e um ensino superior que não foi atingido é um dos temas explorados por Fareed Zakaria, o editor da Time, na nova edição do seu livro O Futuro Pós-Americano. A tese desse livro é conhecida. Zakaria, como outros, escreve sobre a ascensão do resto, isto é, daqueles países não-ocidentais que adoptaram o capitalismo ocidental como política económica e desafiaram o poderio americano.

Ao identificar onde reside hoje esse poder, Zakaria refere a educação universitária como a melhor indústria dos Estados Unidos. E cita números: 8 das 10 melhores universidades do mundo estão nos Estados Unidos; 38 das 50 melhores também estão nos Estados Unidos. Comparados com as novas potências, China e Índia, que têm universidades pobres e sem conhecimento, é na América que se formam os melhores engenheiros do mundo e é a América que os doutorados chineses e indianos procuram. Prevê-se que, num futuro próximo, metade dos estudantes de doutoramento em universidades americanas venha do estrangeiro.

As universidades americanas são extremamente bem governadas. Conscientes do seu papel económico, abriram-se ao mundo. Em Singapura, a Universidade de Nova Iorque abriu um campus que replica o que tem na cidade americana. Há outros casos. Vejam como cativam alunos da América do Sul: brasileiros, chilenos ou argentinos. E esses alunos respondem viajando para os Estados Unidos. Tudo em coerência com um país que, ao contrário da Europa, não está a envelhecer.

Oque tem isto a ver connosco? Muito. Nos últimos 30 anos, as universidades portuguesas adaptaram-se à democratização do ensino. Tornaram-se, e bem, serviços sociais. Como instituições, permaneceram espaços corporativos, fechados e proteccionistas.

O que isto significa, mesmo abusando de alguma generalidade, é que a universidade portuguesa não foi pensada para oferecer um serviço económico num mercado global e competitivo. Podia ser. Numa intervenção recente na Fundação Casa de Mateus, o meu amigo e universitário Miguel Poiares Maduro propôs que o ensino superior poderia ser precisamente um domínio essencial para a atracção de investimento estrangeiro e para promoção de comércio externo. Poiares Maduro oferecia algumas razões que podem ser sintetizadas em duas: a mobilidade académica na União Europeia e o aparecimento de um mercado europeu de educação. Espreitem o que andam a fazer universidades em estados como a Dinamarca ou a Suécia.

Infelizmente, para essa defesa séria no ensino superior e para o seu aproveitamento económico não podemos esperar que a mudança comece nas próprias universidades. Como não podemos esperar que os hospitais ou outras corporações se reformem a si próprias. Precisam de intervenção externa, precisam de um Governo corajoso a criar regras. Repito: mesmo num país semifalido, a governação não se pode resumir a uma conversa sobre impostos, despesas e buracos. As universidades, em quem ninguém acredita, poderiam ser bem mais úteis a Portugal. Jurista

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