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Comunicado

Carlos Matias Ramos 
Eleito Bastonário da Ordem dos Engenheiros

Já são conhecidos os resultados das candidaturas a Bastonário, Vice-Presidentes Nacionais, Presidentes das Regiões e Secções Regionais da Ordem dos Engenheiros.

Carlos Matias Ramos, engenheiro civil e presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) foi eleito Bastonário da Ordem dos Engenheiros para o Mandato de 2010/2013. Candidato pela Lista A, Carlos Matias Ramos venceu com 54,8% dos votos as outras duas Listas que se apresentaram ontem, 26 de Fevereiro, a eleições.

Fernando Silveira Ramos, candidato a Bastonário pela Lista B, angariou 35,04% dos votos e Luís Malheiro da Silva ultrapassou em pouco os 10% da votação total.

A acompanhar o novo Bastonário, que se propõe “Prestigiar a Engenharia e Enfrentar os Novos Desafios”, estão José Manuel Pereira Vieira, engenheiro civil e professor catedrático na Universidade do Minho, e Victor Gonçalves de Brito, engenheiro naval e contra almirante da Marinha de Guerra Portuguesa, que ocupam os lugares de vice-presidentes nacionais.

A Região Norte da Ordem dos Engenheiros elegeu para presidente Fernando de Almeida Santos, candidato pela Lista B. No Centro do país, foi eleito Octávio Borges Alexandrino, pela Lista A, enquanto que os Engenheiros do Sul votaram maioritariamente em Carlos Mineiro Aires, candidato pela Lista A. Também pertencentes à Lista A são os presidentes eleitos nos Açores e na Madeira, respectivamente Paulo Botelho Moniz e Armando Simões Ribeiro.

Dos cerca de 38.000 membros efectivos da Ordem dos Engenheiros, exerceram o seu direito de voto cerca de 6.500 engenheiros.

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DN 20100225por PATRÍCIA JESUS

Número de investigadores bolseiros bate recorde

Em 2009, a Fundação para a Ciência gastou mais de 146 milhões com bolsas

Há 10 310 bolseiros financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT): entre bolsas de doutoramento, mestrado e investigação, a Fundação gastou no último ano mais de 146 milhões - nunca tinha gastado tanto ou tido tantos bolseiros antes. Tal como nas faculdades, as mulheres já são a maioria dos bolseiros. A maior parte tem entre 25 e os 35 anos, embora a percentagem daqueles com mais de 35 tenha vindo a crescer.

É o caso de André Levy. Aos 37 anos, é bolseiro há nove e vai na segunda bolsa de pós-doutoramento. Quando se candidatou à segunda, já estava bem esclarecido sobre os problemas do sistema, nomeadamente a precariedade, mas foi a única forma de dar continuidade ao seu trabalho na área da biologia evolutiva e de ficar na mesma instituição, conta. Considera, no entanto, que os casos mais graves são os dos colegas que não têm o doutoramento e recebem bolsas de investigação a rondar os 745 euros, metade da sua.

É que muitas vezes as bolsas são a única saída para quem quer fazer investigação em Portugal, e depois de entrar no sistema é complicado sair, já que o mercado de emprego científico é muito pequeno, indica Luísa Mota, presidente da Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC).

A bióloga de 34 anos, bolseira há nove, está entre os que recebem 745 euros por mês. "Se é uma situação boa para um recém-licenciado que não encontra saídas, passados dez anos já não é admissível. Não estamos a falar de jovens de 22 anos, estamos a falar de adultos em precariedade total", realça. Isto porque os bolseiros não têm acesso à Segurança Social mas sim a um seguro social voluntário, explica. O que significa que não têm direito ao subsídio de desemprego, nem de férias e ao 13.º mês.

Por isso, apesar de ver com bons olhos este aumento de bolsas, alerta para a necessidade de investir na criação de emprego científico de forma a não criar bolseiros crónicos. Sobretudo porque há muitos a "assegurar necessidades permanentes das instituições porque são baratos e descartáveis". Além disso, alerta para o facto de ninguém saber ao certo o número total de bolseiros, já que, além dos financiados directamente pela FCT, há muitos que são contratados directamente por Projectos de Investigação e não entram nesta contabilidade.

Nos últimos anos, o principal investimento da FCT tem sido nas bolsas de doutoramento - estas correspondem a 76% do total, seguidas das de pós-doutoramento (18%). João Sentieiro, presidente da FCT, justifica a aposta dizendo que são estes apoios que contribuem para o desenvolvimento da "investigação científica tal como é entendido internacionalmente". Ainda há algumas bolsas de mestrado, mas correspondem "a subsídios de tese" mais antigos, já que actualmente são financiadas apenas bolsas relativas a projectos muito específicos, como o concurso para luso-venezuelanos, explica João Sentieiro. Quanto às bolsas de investigação, a FCT só é responsável por 95.

Para Ramôa Ribeiro, que liderou a FCT de 2002 a 2005, o rumo actual faz sentido num país em que o número de doutorados continua abaixo da média europeia. "Só em meados dos anos 90 começou a haver doutorados suficientes para abrir programas de pós- -doutoramento", lembra. Uma evolução visível nas candidaturas a bolsas de pós-doutoramento: há dez anos havia 309 candidaturas e em 2009 houve 1139.

Para Ramôa Ribeiro, é uma pena que existam poucas bolsas de doutoramento em empresas: apenas 124. "É um número muito baixo e desmotivador, porque é uma iniciativa fundamental para integrar os doutorados no mercado de trabalho", conclui, acrescentando que as bolsas são uma "situação intermédia, não o futuro".

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O Instituto Superior de Agronomia, coordenador do projecto internacional Fire Paradox, vai propor hoje à Comissão Europeia que adopte uma directiva ligada ao fogo para que este seja utilizado como forma de prevenir e combater os incêndios florestais.

As conclusões do projecto Fire Paradox, investigação que aborda de forma integrada a temática do fogo florestal e coordenado pelo Instituto Superior de Agronomia (ISA), de Lisboa, vão ser hoje e sexta feira apresentadas em Freiburg, na Alemanha.

O projecto concluiu que "a utilização do fogo pode ser útil para a resolução do problema dos incêndios" e que deve ser adoptada uma directiva europeia ligada ao fogo, disse à agência Lusa Francisco Castro Rego, coordenador do Fire Paradox e docente no ISA.

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Público, 20100224

 

A Universidade de Lisboa (UL) deve apostar mais na formação e promover as competências pedagógicas dos seus professores, recomenda a European University Association (EUA), responsável pela avaliação externa desta e de outras instituições portuguesas de ensino superior.

O relatório, disponível na página de Internet da UL, elogia a instituição e a sua liderança, afirmando que a mesma tem boa reputação no país e no estrangeiro e "grandes possibilidades". Apesar de ser necessário esperar pelos resultados das mudanças que foram empreendidas pela equipa do reitor António Nóvoa, a agência de avaliação europeia acredita que a UL vai "na direcção certa".

Além dos relatórios de auto-avaliação, a equipa da EUA fez uma visita à instituição e esteve nas faculdades de Belas-Artes, Ciências e Medicina e no Instituto de Ciências Sociais. O relatório aponta algumas recomendações que a instituição poderá acatar, como a formação dos professores e o reforço do papel dos conselhos pedagógicos e dos estudantes nestes órgãos.

A UL ainda tem dificuldade em reconhecer os estudos feitos noutras uni- versidades estrangeiras, aponta o relatório, que recomenda ainda que a instituição se abra mais à sociedade civil, nomeadamente criando cursos de formação ao longo da vida, para adultos. É ainda necessário criar um gabinete de apoio ao emprego para recém-licenciados, diz o relatório.

Numa carta aos professores e alunos, o reitor António Nóvoa congratula-se com a avaliação e defende que "é urgente reflectir sobre estas propostas". Para já, a UL vai criar duas estruturas, já previstas nos seus estatutos, que têm como objectivo promover iniciativas conjuntas entre as várias faculdades e institutos: o Instituto de Investigação Interdisciplinar e o Centro de Recursos Comuns e Serviços Partilhados. O reitor quer ainda criar um Conselho de Garantia da Qualidade.

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Público 20100220 Helena Geraldes

 

O aliado da Câmara do Seixal para combater a praga da processionária-do-pinheiro tem penas coloridas, canta e mede entre 11 e 16 centímetros. Mas é eficaz no seu papel de predador natural. A população foi desafiada a instalar ninhos de chapim e a partir de hoje já serão 123.

No dia em que terminaram as inscrições para o projecto "O Chapim vem ao Seixal", a 31 de Janeiro, a autarquia tinha 34 pessoas que ofereciam as suas casas para a instalação de ninhos para as cinco espécies de chapim que vivem no concelho. "Infelizmente, nem todos os que se inscreveram moram nas zonas incluídas no projecto, ou seja, áreas de pinhal", lamentou Jorge Didelet, director do Departamento de Ambiente da Câmara do Seixal. Por isso, hoje serão instaladas apenas 15 caixas-ninho nas zonas da Verdizela, Foros de Amora e Belverde. "Contamos com um grande apoio da população", comentou ao PÚBLICO, referindo-se a um projecto que começou em 2008. Nesse ano foram distribuídos 62 ninhos, dos quais resultaram 173 ovos e 100 crias. No ano seguinte foram instalados 46 ninhos e este ano, outros 15.

A operação decorre numa altura em que a praga se torna mais visível, entre Janeiro e Março. Longas filas de lagartas (Thaumetopoea pityocampa Schiff) descem dos seus ninhos nos pinheiros em direcção ao solo, em busca de locais para se enterrarem. O fenómeno não é inócuo. Os pêlos urticantes destas lagartas causam alergias na pele, nos olhos e no aparelho respiratório, colocando problemas de saúde pública.

A estratégia de combate da autarquia, que começou apenas com tratamentos químicos, passou, em 2006, a contar com a ajuda dos chapins, predadores naturais daquela lagarta e que se alimentam de sementes e insectos. Segundo a câmara, um chapim come até um terço do seu peso, todos os dias. Numa primeira fase, os ninhos eram instalados nas escolas onde o problema era mais sentido. Agora, toda a população está envolvida. "Além de instalarmos os ninhos, damos orientações às pessoas sobre como acompanhar os ninhos, como devem ser observadas as aves e quais os cuidados de limpeza a ter", explicou o responsável. Em média, o chapim vive cerca de quatro anos e cada casal coloca, por ano, entre cinco a seis ovos.

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 Corticeira Amorim reforça investigação na fileira florestal

A Corticeira Amorim, através da sua subsidiária Amorim Cork Research, a Biocant - Associação de Transferência de Tecnologia e o Instituto Nacional de Recursos Biológicos vão iniciar um projecto de investigação científica intitulado "GenoSuber - Sequenciação do Genoma do Sobreiro (Quercus Suber), que tem como parceiros a Apcor - Associação Portuguesa de Cortiça e a Associação Industrial da Fileira Florestal.

O projecto, formalizado no passado dia 9 de Fevereiro nas instalações da Biocant, com a presença do Primeiro-ministro, José Sócrates, do Secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, Manuel Heitor e de representantes das entidades envolvidas, tem como objectivo principal o conhecimento do património genético do sobreiro, umas das espécies de árvores com maior interesse económico e social em Portugal, e abre um novo campo de investigação na fileira florestal, considerada fundamental, despoletando a possibilidade de investigações futuras.

A importância do sobreiro, base de uma indústria em que Portugal é líder mundial, - que se traduz numa quota de mercado internacional de 60% em produtos de cortiça, na manutenção de milhares de postos de trabalho e que representa 30% das exportações portuguesas de produtos florestais -, fundamenta por si só o desenvolvimento do projecto no nosso país.

A sequenciação do genoma do sobreiro, feita com o recurso a tecnologia de última geração, abrirá um campo de novas possibilidades para o sector da cortiça, na medida que permitirá delinear estratégias ao nível do melhoramento da espécie como o aumento de resistência a factores bióticos e abióticos, a promoção do crescimento rápido ou o aumento de produção de cortiça, com repercussões importantes a médio e longo prazo no sector produtivo e económico.

Alguns dos genes a procurar revestem-se de particular interesse para a indústria da cortiça, tanto ao nível das actuais aplicações, como para as que se encontram ainda em fase de desenvolvimento.

A actuação da CORTICEIRA AMORIM neste projecto reveste-se de grande importância na medida em que possibilitará, com base no know-how e na verticalidade do seu negócio, identificar as características com mais potencial e interesse em conhecer nos genes associados.

O GenoSuber vai decorrer no espaço temporal de 36 meses, em diferentes fases, estando planeadas quatro actividades: estudos preliminares, aquisição e desenvolvimento de novos conhecimentos e capacidade para o desenvolvimento, desenvolvimento e por fim promoção e divulgação dos resultados.

Fonte:  CV&A

AgroPortal, 20100218

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Há novos blocos de rega prontos a cultivar e água com fartura, mas a maioria dos agricultores alentejanos não dispõe de capacidade financeira nem de conhecimento técnico para transformar as terras de sequeiro em regadio. O ministro da Agricultura queixa-se do ensino, as escolas devolvem as críticas. Por Carlos Dias


Durante anos, pensou-se que o mais difícil no projecto Alqueva era fazer a obra. Feita a barragem, a dúvida passou a ser se alguma vez se encheria a albufeira. Atingido esse marco, a questão passou a ser: "E agora?" E agora, deveria vir o mais fácil, isto é, aproveitar os recursos e concretizar tudo o que se prometia, na agricultura, na energia e no turismo. Porém, o que parecia à mão de semear parece, afinal, mais difícil de vingar. O aproveitamento hídrico de Alqueva está longe de servir a agricultura como se pensava que aconteceria. Porque, enquanto a barragem foi enchendo, o país se esqueceu de preparar os recursos humanos para o abandono da agricultura de sequeiro e a mudança para a de regadio.

Alqueva deveria trazer uma nova forma de trabalhar a terra. O Governo admite que, não havendo em Portugal quem o faça, será necessário recorrer aos vizinhos espanhóis. Era previsível?

O ano 2000 dava os primeiros passos. A construção da Barragem de Alqueva decorria sem percalços dignos de registo. Milhares de pessoas vindas de automóvel e de autocarro deslocavam-se em romaria ao local das obras, sobretudo aos fins-de-semana, para confirmar como um mito se transformava em realidade.

O entusiasmo na comunidade alentejana era tanto que a Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas de Alqueva (EDIA) entendeu ser tempo de descer do céu à terra e despir o projecto dos seus contornos messiânicos. E no dia 3 de Fevereiro de 2000 apresentou a um conjunto de técnicos e especialistas na vila alentejana de Portel, os resultados de um estudo que mandara elaborar sobre a compatibilidade do ensino na região e o mercado de emprego nos empreendimentos directa e indirectamente ligados a Alqueva. O regresso à realidade não podia ser mais perturbador. O que até então era dito em surdina passou a ser assumido às claras: o Alentejo, por si só, não tinha condições para gerir o projecto de fins múltiplos. Nem os agricultores estavam tecnologicamente qualificados, nem as universidades alentejanas incentivavam formação em culturas regadas.

Tijolo no Algarve

O diagnóstico vai mais fundo nas questões estruturais e destaca os sinais "de uma região com pouca capacidade de iniciativa" marcada pelo analfabetismo e um crescimento demográfico negativo.

A alternativa que o estudo propunha apontava para a necessidade de capitais externos, já que um dos principais estrangulamentos regionais era, precisamente, a reduzida dimensão da estrutura empresarial e a sua deficiente capacidade de iniciativa, encarada como constrangimento estrutural. Um exemplo: os cerca de 100 milhões que a EDIA desembolsou pela expropriação de terras para a instalação do empreendimento "não foram reutilizados na região". Boa parte deste dinheiro foi aplicado "em tijolo no Algarve" revelou, em 2000, Adérito Serrão, então administrador daquela empresa.

Uma década passou e quando a albufeira de Alqueva atinge, pela primeira vez, o enchimento pleno, volta a ser questionada a capacidade da região para potenciar o projecto que envolve um investimento previsto de 2363 milhões de euros, dos quais já se executaram, até ao final de 2008, cerca de 1431 milhões de euros.

No Estudo dos Impactes Previsíveis do Projecto de Fins Múltiplos do Alqueva na Configuração dos Recursos Humanos do Alentejo, também divulgado pela EDIA, em Maio de 2009, as conclusões parecem tiradas a papel químico do documento publicado em 2000. Persiste um "forte peso" dos trabalhadores agrícolas idosos, e com "baixas" qualificações escolares e técnicas. Outros constangimentos: "escassez de recursos humanos", a "continuidade" da actividade produtiva agrícola "concentrada num reduzido número de culturas" de sequeiro, que se desenvolve em terrenos com pouca água e com culturas específicas.

Aponta-se ainda a "debilidade" do sistema de comercialização regional e a "fraca" competitividade do tecido empresarial agrícola, em contraste com a "forte presença de capital estrangeiro", que pode levar a que "grande parte do valor acrescentado e dos efeitos multiplicadores das actividades seja apropriada fora da região". Persiste ainda o êxodo populacional para outras regiões, nomeadamente Lisboa e Algarve, "em especial dos mais jovens que efectuaram formação e que possuem uma qualificação média".

Ministro critica ensino

O ministro da Agricultura, António Serrano, não contorna esta realidade e numa recente visita a Beja reconheceu que "falta investigação" nas instituições de ensino da região, admitindo que estas não estão preparadas para ajudar a desenvolver as potencialidades oferecidas pelo regadio de Alqueva. O governante considera não ser necessário trazer da vizinha Espanha o conhecimento necessário para produzir novas culturas em Alqueva, mas não descarta essa possibilidade, se não vir outra alternativa.

E, procurando deixar claro até onde vai o seu propósito de inverter o actual estado de coisas, António Serrano anunciou que o Centro Operativo de Tecnologia e Regadio (COTR), criado em 1999 para formar e apoiar os agricultores na gestão dos novos sistemas de rega, e que estava prestes a entrar em falência por escassez de meios e de trabalho, vai ficar sob gestão da EDIA.

Isaurindo de Oliveira, que foi director técnico do COTR até muito recentemente, reage à decisão do ministro da Agricultura com cepticismo. "Ainda vamos estar muitos anos na mesma situação", sentencia. A situação do centro operativo "não se resolve por decreto, mas com ideias", prossegue, referindo que no panorama actual das práticas de regadio "não existem pessoas com formação". Daí que entregar a agricultores sem formação o regadio de Alqueva "é a mesma coisa que dar um Ferrari a quem anda de burro", compara Isaurindo de Oliveira, sublinhando que levar a informação e, sobretudo, mudar práticas "leva muito tempo". Quem fez sequeiro não está preparado para, "de repente, fazer regadio", apesar de no Alentejo já estarem instalados há décadas 120 mil hectares de regadio a que se vão juntar mais 110 mil proporcionados por Alqueva. Ora esta imensa área para regar obriga a "consumos brutais de energia", já que o sistema fornece água bombeada sob pressão.

É precisamente o factor custo final da água, para além da falta de conhecimentos, que está a deixar relutantes os agricultores, receosos com os encargos incomportáveis com o consumo da água.

O Ministério da Agricultura garantiu ao PÚBLICO que ainda este mês será anunciado o valor do metro cúbico de água vinda de Alqueva. Vai ter um custo concorrencial (político) em relação ao que é pago pelos agricultores espanhóis da Estremadura e Andaluzia, um dos instrumentos que o ministro apresenta para viabilizar a componente agrícola do empreendimento.

Escolas devolvem críticas

A apreciação negativa que o ministro da Agricultura faz do papel das instituições de ensino na formação de quadros técnicos para o regadio merece reparos de Vito Carioca, presidente do Instituto Politécnico de Beja. "As afirmações do ministro não são as mais contextualizadas", diz, imputando ao Governo "a falta de uma estratégia, de um projecto determinado, consistente". Alqueva implica uma estrutura e um investimento na investigação e na formação que "o poder central não fez", conclui Vito Carioca.

Carlos Mattamouros Resende, ex-presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica, organismo entretanto extinto, critica a tutela por não ter "acautelado a formação e preparação" dos agricultores.

Este especialista criou um centro de competências, para desenvolver campos experimentais nas explorações e, desta forma, definir as culturas mais competitivas e economicamente viáveis e com boa colocação no mercado.

Em 2003, o Ministério da Agricultura definiu um novo modelo agrícola para a zona de intervenção de Alqueva, que previa o cultivo de 44 produtos agrícolas e, destes, apenas seis - grão-de-bico, amêndoa, citrinos, uva de mesa, olival e sementes forrageiras - eram considerados estratégicos. Foi ainda seleccionado um conjunto de produtos especiais como a carne de bovino, leite de cabra e ovelha, vinho, tomate seco e ameixa.

Por agora, prosseguem os ensaios com culturas para a produção de biocombustíveis: milho, colza, soja e girassol. Confrontado com as críticas à indefinição que paira sobre a componente agrícola de Alqueva, o Ministério da Agricultura garante que o projecto vai ser sujeito a uma "reponderação" que passa pela elaboração de um novo estudo que será "oportunamente divulgado".

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ScienceDaily (Feb. 12, 2010) — Yields from some of the most important crops begin to decline sharply when average temperatures exceed about 30 degrees Celsius, or 86 Fahrenheit. Projections are that by the end of this century much of the tropics and subtropics will regularly see growing season temperatures above that level, hotter than the hottest summers now on record.

 

An international panel of scientists writing in the Feb. 12 edition of the journal Science is urging world leaders to dramatically alter their notions about sustainable agriculture to prevent a major starvation catastrophe by the end of this century among the more than 3 billion people who live relatively close to the equator.

Specifically they urge world leaders to "get beyond popular biases against the use of agricultural biotechnology," particularly crops genetically modified to produce greater yields in harsher conditions, and to base the regulations of such crops on the best available science.

"You're looking at a 20 percent to 30 percent decline in production yields in the next 50 years for major crops between the latitudes of southern California or southern Europe to South Africa," said David Battisti, a University of Washington atmospheric sciences professor.

He is a coauthor of a Perspectives article in Science that urges food production experts, scientists and world leaders to begin thinking in dramatically different ways to meet food needs in a significantly warmer world. Lead author is Nina Federoff, science and technology adviser to Secretary of State Hillary Rodham Clinton.

"I grow increasingly concerned that we have not yet understood what it will take to feed a growing population on a warming planet," said Federoff, who also is a biology professor at Pennsylvania State University.

The challenge is becoming more difficult, the scientists said, because the world's population is likely to have increased more than 30 percent, to 9 billion people, by 2050.

Even without climate change, feeding all of these people will require doubling the grain production in the tropics, Battisti said, but a warmer climate will reduce yields because the temperature will be too high to achieve the most efficient photosynthesis. That factor, combined with less rainfall in major food-producing regions and increasing pressure from pests and pathogens, is likely to cut major food crop yields a minimum of 20 percent to 30 percent.

The authors advocate developing systems that have the potential to decrease the land, energy and fresh water needed for agriculture and at the same time reducing the pollution associated with agricultural chemicals and animal waste.

Battisti noted that the so-called green revolution in agriculture produced a 2 percent increase in yields per year for 20 years, primarily through development of new grain varieties and use of fertilizer and irrigation. But there is little, if any, new land available for farming, and such yield increases cannot be sustained without further innovation. In addition, there already are 1 billion people, mostly in the tropics, who do not have enough food for a healthy life.

"We're really asking for yield gains comparable to those at the peak of the green revolution, but sustained for an unprecedented length of time, 40 years, and at a time when climate change is acting against us," he said.

A major obstacle is that many of the institutions involved do not work together closely enough to succeed and, despite years of safe production and consumption, there is continued resistance to crops such as corn and soybeans that have been genetically modified to be insect resistant and tolerant of herbicides.

"There has to be a lot of creative thinking, a greater blending of biotechnology and agriculture and better coordination between private and public research efforts throughout the world for us to keep pace with the increasing demand for food," Battisti said. "We need to be thinking about the long-term demands for food and the environmental and social ramifications of how we will produce it."

The Science article represents the views of the authors and stems from a workshop they presented for the State Department last September in Washington, D.C.

Other authors are Roger Beachy of the U.S. Agriculture Department; Peter Cooper of the India-based International Crops Research Institute for the Semi-Arid Tropics; David Fischhoff of Monsanto Co.; Carl Hodges of The Seawater Foundation; Vic Knauf of Arcadia Biosciences; David Lobell of Stanford University; Barbara Mazur of the DuPont Experimental Station; David Molden of the Sri Lanka-based International Water Management Institute; Matthew Reynolds of the Mexico City-based International Maize and Wheat Improvement Center; Pamela Ronald of the University of California, Davis, and the Joint Bioenergy Institute; Mark Rosegrant of the International Food Policy Research Institute; Pedro Sanchez of Columbia University; Avigad Vonshak of Ben-Gurion University in Israel; and Jian-Kang Zhu of the King Abdullah University of Science and Technology in Saudi Arabia and the University of California, Riverside.

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Story Source:

Adapted from materials provided by University of Washington.

Journal Reference:

  1. N. V. Fedoroff, D. S. Battisti, R. N. Beachy, P. J. M. Cooper, D. A. Fischhoff, C. N. Hodges, V. C. Knauf, D. Lobell, B. J. Mazur, D. Molden, M. P. Reynolds, P. C. Ronald, M. W. Rosegrant, P. A. Sanchez, A. Vonshak, J.-K. Zhu. Radically Rethinking Agriculture for the 21st Century. Science, 12 February 2010: Vol. 327. no. 5967, pp. 833 - 834 DOI: 10.1126/science.1186834

 

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In : SNESUP

Aos nossos « Amis, bien que collègues »,
como já se diz no mundo francófono, e não quereríamos traduzir
 numa universidade de competição feroz e injusta.

 

Este estudo não se baseia em bibliografia adequada, nem se apoia em estatísticas, nem estudos de campo, validados e verificados. Não é educativamente correcto e, como facilmente se verá, nem sequer é escrito em « eduquês ». É outrossim, e apenas, fruto em escrita apressada (as avaliações de centenas e centenas de estudantes em curso, em todos os ciclos, não dão tempo para mais - mesmo já quase não se dormindo e já se tendo prescindido há muito de viver) de observação participante durante já bastantes anos de experiência em dedicação nem sempre legalmente « exclusiva », mas na verdade total, vivencial, à Universidade. Escrita apressada, mas ideias de há muito amadurecendo e tornando-se-nos muito perigosamente claras. Claríssimas.

A sua única vantagem será esta : falar livremente, coisa que pode vir a não ser possível a breve trecho para muitos, por medo das novas avaliações (porque avaliações sempre as houve), que apressadamente e sem tempo para ouvir os interessados (nem para eles ponderarem) se estão a preparar. Sinal então de que não temos medo ? Não. Sinal de que o temos, sem dúvida, mas convicto de que, no nosso caso, continua a não valer a pena fingir... Não somos capaz. Porque a Universidade se nos tornou segunda natureza... e não poderíamos mentir, calar, nem afivelar uma máscara para salvar um emprego (ou uma nota), sacrificando a dignidade. Porque, segundo uma velha tradição, um doutor é uma testemunha da verdade... Do que ele pensa ser a verdade. E disso deve dar testemunho.

Temos dito, e repetimos. Nisto de critérios de avaliação, todos, de todo o tipo, e sobretudo na Universidade, o problema é, antes de mais : quem guarda os guardas ? Como podem colegas julgar colegas, com imparcialidade ? E como podem os estudantes, que são inegavelmente parte interessada (e por vezes magoada, a clamar vingança por se crerem injustiçados, ou, pelo contrário, com simpatia por terem sido bafejados pela « sorte »), julgar com conhecimento, competência e imparcialidade ? Para mais, muitas vezes, utilizando inquéritos complexos, nem sempre objectivos, e a que podem responder tanto assíduos como faltosos, quer com aproveitamento quer sem ele, etc., etc.

Pode pensar-se que a solução para a obtenção da objectividade está em que os avaliadores sejam muito estritamente vinculados por normas rígidas e minuciosas. Nunca pior erro. Quanto mais complexa e pormenorizados forem os critérios, mais possibilidades de fuga e de manipulação. Sobretudo se se tratar de critérios que exigem aos docentes mais habilidades, ditas « competências »... na verdade, distraindo-os das suas evidentes e elementares funções - ensinar e investigar.  Sempre um docente que desagrade pessoalmente ao avaliador terá um currículo com um (naturalmente vários) calcanhares de Aquiles, que servirão para, agigantados, se dizer que ele nada vale. Sempre um docente que se quer beneficiar terá esta ou aquela virtude para, agigantada também, se dizer que é um génio...

Ao definirem grelhas de critérios, as entidades por tal responsáveis têm, normalmente, duas tendências contrárias : ou se enquistam num modelo ideal muito concreto de professor / investigador, normalmente decalcado num tipo de carreira concreto, de uma área concreta (não se imagina os preconceitos que há em cada área !) ; ou então procuram uma abrangência enorme, procurando fazer caber nos critérios tudo o que os professores /investigadores, de todas as áreas de que tenham conhecimento podem fazer.

Em ambos os casos, os critérios resultantes são empobrecidos e podem resultar em muito grandes injustiças, mesmo arbitrariedades.

Evidentemente que avaliar um músico por patentes, um economista por exposições, um escultor por concertos, ou coisas menos evidentemente descabidas, mas quase (por exemplo : a mania do apoio à comunidade ou dos serviços é muito frequente - mas há áreas em que a comunidade confia nos serviços universitários e outras em que prefere os serviços públicos ou privados não universitários), é muito errado e produz necessariamente prémio para actividades marginais e castigo para quem trabalha na sua área, no mainstream da sua área.

Já se sabe que nem todos podem ter patentes, nem todos podem ter apoio ou serviços à comunidade, nem todos, mesmo, devem ter trabalho de gestão, e não está provado que todos devam ser obrigados a fazer programas televisivos, ou a  elaborar manuais, ou sequer que devam ter popularidade junto dos estudantes. Este último ponto é relevante, e perigosa a condescendência, por receio que se presuma logo impopularidade, melhor, anti-pedagogia. Mas a verdade é que nos inquéritos pedagógicos os interessandos docentes deveriam ter participação, e tudo deveria ser muito bem ponderado. Há inquéritos que requerem coisas objectivas, que passam a ser avaliadas subjectivamente (como quando se pergunta pela assiduidade dos docentes), e outros inquéritos que valorizam (presume-se) factores psicológicos do docente que podem até desagradar aos discentes (como quando se pergunta se os docentes dão as aulas « com entusiasmo » : saltam e riem de contentamento na pista, perdão, no « estrado » ?).  É um poder excessivo dar a apenas alguns a elaboração desses inquéritos, e mesmo transferir isso para « especialistas » é muito perigoso, porque todos, todos mesmo, transportam consigo os conceitos e preconceitos da sua própria área, o que não deixa de ocorrer com os « especialistas » em causa.

Mas nem só é errado avaliar com base em preconceitos sobre o que deveriam todos fazer. O erro simétrico é não privilegiar um grupo de competências e actividades mais próprio de uma área - normalmente as privilegiadas são as científicas puras e duras, ou as de consequências económicas e tecnológicas, com claro prejuízo das ciências sociais não económicas, das letras e do direito e afins, só contando muitas vezes nas artes (plásticas, dramáticas, musicais) o que tem visibilidade pública e económica. Assim, o erro será então colocar tudo, todos os itens que ocorrerem - obrigando os docentes / investigadores a uma dispersão de actividades que fará que só muito raros espíritos de grande flexibilidade (e sorte) possam ter cotação em todos os itens, ou mesmo numa boa parte deles. O que tornará a avaliação infernal se for anual...

Avaliar professores / investigadores é pior que pesar oiro. Muito mais delicado. E não se tem balança de Minerva que o faça. O risco é o nariz do colega desagradar e, com base numa muito complexa tabela, sempre encontrar forma de o penalizar, privilegiando o amigo. Pensada lei, pensada malícia - já diziam os antigos. Pensamos que, quanto mais complexa for a grelha, mais fácil será subverter o valor e a qualidade real e julgar pro domo.

Deve partir-se de um princípio garantístico de desconfiança ante a avaliação. Devem criar-se mecanismos de recurso da mesma, para entidades o mais distantes possível dos avaliadores. Devem criar-se formas de assegurar que a avaliação seja feita por pessoas competentes e da área específica dos avaliados, e com posição hierárquica superior, além de insuspeitos de favoritismo, relativamente a qualquer dos competidores. Porque de competição se trata. E feroz.

Na sua primeira avaliação, pelo menos, cada docente deveria poder apresentar, se quisesse, um texto sem limite de páginas, em que expusesse o seu perfil, em que comentásse a sua própria carreira, em que justificasse a classificação a que se julgasse com direito. E esse texto, com o currículo, serviria de uma avaliação contraditória pública, caso não houvesse coincidência entre a nota esperada e a atribuída.

Cremos, quanto ao estabelecimento de uma tabela ou grelha em concreto que ela teria que ser estabelecida para cada sub-área do conhecimento (não bastará certamente a área em geral, mas, tendencialmente ao menos, por disciplinas... Um juslaboralista não pode certamente julgar bem um especialista em direito marítimo ; provavelmente um especialista em marketing não julgará de forma conveniente um contabilista ; um helenista não poderá ser juiz de um germanista ; um medievalista não poderá pesar bem o trabalho de um arquéologo da pré-história, um fitólogo não será capaz de avaliar bem um entomologista, um cardiologista um psiquiatra, etc.).

Por outro lado, é perigoso fiarmo-nos no critério da publicação em revistas. Por muito que custe ao educativamente correcto, pelo menos em áreas em que as bibliografias falam muito eloquentemente da orientação metodológica e até ideológica, como as de letras, humanidades, o direito, etc., mesmo com blind referees pode haver escolhas e recusas por afinidades mais ou menos electivas que não são científicas. É absolutamente humano. Mais ainda : há escolhas com preconceitos por áreas culturais, e que poderão até prejudicar muito a investigação. Se só contam revistas de ambiente anglófono, que poderão fazer, por exemplo, a filosofia continental, as culturas e literaturas não anglófonas, e os direitos nacionais ? Os juristas não podem escrever em inglês e publicar em revistas estrangeiras artigos sobre direito português. Ninguém quer saber disso, e contudo parece que tal tem interesse para o País, ou não terá?

Do mesmo modo, os convites para júris dependem de ser estar ou não « no circuito ». Ou o rol das citações que alguém tenha da sua obra por outros colegas.  Não se pode avaliar excessivamente coisas que dependem não tanto da qualidade intrínseca, mas da popularidade (inquéritos dos alunos) ou da rede de contactos e simpatias (júris, publicações em revistas, citações). E não se deve contabilizar excessivamente o que depende de vocação não docente ou de investigação, como é a gestão académica em todas as suas vertentes. A não ser que o docente tenha optado por ser sobretudo gestor.

O critério do número de teses, por exemplo, é outro artificial e altamente falível. Há escolas em que há poucas teses, e há outras em que são multidão. Há mesmo casas que recusam teses e outras que não. Há critérios de qualidade que levam docentes a recusarem orientações, e poderá haver demagogia na aceitação de tudo o que vier á rede, e pior : pode haver (e diz-se que já vai havendo) formas de alguns se insinuarem e posicionarem como grandes monopolistas ou oligopolistas das teses. Em certos casos, orientar teses em demasia (pensamos - nas áreas que conhecemos - que mais que 6 ou 7 por ano é desastroso para a necessária assistência : o dia tem 24 horas, e tem que se fazer muito mais coisas além dessas orientações) pode ser sinal negativo, e não positivo. Cremos que se poderia encontrar um limite mínimo (umas duas teses por ano parece razoável), mas não bonificar ninguém para além da meia dúzia de teses por ano. Será que se pretende realmente qualidade ou apenas um critério de industrialização?

Cremos, assim, que a melhor solução seria que cada docente / investigador definisse previamente o seu próprio perfil, dentro de uma meia dúzia de tipos (professor-pedagogo, professor-investigador, professor-gestor, professor-de interface com a cimunidade, com tipos mistos também), sendo que qualquer dos tipos em causa poderia ter o máximo da avaliação, com critérios diferentes.

Assim, não se iria penalizar um professor pedagogo por ter pouca investigação. Definido um mínimo (porque todos têm que investigar), o que se avaliaria, isso sim, seria a sua capacidade de dar boas aulas e de fazer boa divulgação... Já o professor gestor não seria incomodado por ser menos pedagogo, ou por não fazer tanta investigação. Teria também que ter mínimos (senão seria só gestor). Mas o que interessaria seria a avaliação do seu desempenho (aí sim, por inquérito secreto a docentes, funcionários e estudantes, combinado, quando fosse o caso, com informação do seu superior hierárquico).

No caso do professor investigador o que mais contaria seria a publicação de livros, ou registo de patentes, ou outra forma adequada à sua área. Com o maior cuidado para não se beneficiar um bafejado pela sorte política ou por ter um círculo alargado de relações. Os editores não costumam querer perder dinheiro - esse costuma ser um bom critério (até de impacto, pela aquisição dos livros ; reedições seriam bom sinal). Não contariam, pois, as edições de autor, salvo casos excepcionais.

Há sempre casos excepcionais. A avaliação deveria ser  feita com tempo (o ideal seria fosse feita de três em três anos - ou mais: num ano vê-se pouco o fruto do trabalho de longo curso do ensino, da investigação e até da gestão e do apoio à comunidade), com base num muito breve relatório de cada um para tal efeito, e à nota dada poderia haver réplica - como aflorámos já. E, evidentemente, o ónus de não dar nota máxima seria dos avaliadores, que a cada um deveriam apontar as deficiências curriculares, as quais poderiam ser rebatidas na réplica, a apreciar por um órgão de recurso. Avaliação deve ser (não é isso que se diz para a avaliação dos estudantes ?) pedagógica e não contribuir para frustrar os avaliados, mas para os incentivar. De há muito que reivindicamos ao menos os mesmos direitos dos estudantes.

Sobretudo não seria permitido que se objectassem minudências. A avaliação tem como suporte tópicos, mas é sobre uma pessoa, normalmente uma pessoa que sacrifica a sua vida à Universidade, e que não pode estar dependente do capricho do avaliador. O qual, no limite, pode ser até um concorrente seu... e julgar, afinal, em causa própria.

Se num ano o professor não publicou nada, tem de ser ver o seu historial. Pode ser que esteja a preparar obra que não leve apenas um ano a realizar. Se há dez anos que não regista uma patente, será que se tem de entender que é uma nulidade ? Haverá sempre inspiração para um músico criar novas peças todos os anos ? E um professor de desporto, com mais idade, terá de bater os records olímpicos à beira da reforma ? Há factores imensos a ter em consideração. Não se vai pedir a um recém-admitido o mesmo que se pede a alguém no auge da carreira (e esse auge é diverso para as várias pessoas)... Devem, assim, estabelecer-se factores de correcção plurianual e de compensação entre critérios. Com o maior cuidado.

Quem decobrir a cura para a SIDA ou o câncer está desculpado de ter mau génio e de os alunos não gostarem dele ou dela. Quem escrever o romance do século pode nunca ter pertencido a nenhum órgão de gestão. Quem gere uma Faculdade com superavit (mas sem avareza) pode não escrever senão um artigo de dois em dois anos, ou expor um quadro de três em três. Quem é adorado pelos alunos como grande comunicador pode não descobrir a pólvora de novo.

Haja avaliadores com bom senso, e capacidade para aplicar critérios muito vastos. Quanto mais critérios se impuserem, mais avaliadores virão desculpar-se dizendo que tinham as mãos atadas e deram as notas que não queriam. E mais professores injustiçados virão dizer que foram preteridos pelo colega ao lado, por causa dos seus lindos olhos...

Avaliar é muito importante, porque seria uma forma de introduzir mais justiça na Universidade. Mas só se for mesmo para introduzir justiça. E, como dizia Santo Agostinho, só é possível haver justiça com pessoas justas. Tememos que a nossa sociedade e a nossa Universidade, cada vez mais egoístas e competitivas, cada vez mais amorais, não tenham ainda aprendido o necessário distanciamento e imparcialidade.

Paulo Ferreira da Cunha

 

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O Professor António Mexia, Docente do ISA, foi um dos poucos portugueses que, em 2010, foi incluido na publicação americana Who’s Who in the World.

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