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Público, 25.01.2009, Alexandra Campos
 

Primeiro-ministro José Sócrates garante que crise não vai afectar investimento na ciência


Foi um fórum inteiramente dedicado a sublinhar os "impressionantes" resultados alcançados nos últimos anos no domínio da ciência em Portugal. O primeiro-ministro e o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior bateram na mesma tecla, sublinhando que Portugal tem hoje cinco investigadores a tempo inteiro por cada mil pessoas a trabalhar, perto já da média da União Europeia (5,5 por mil). Notaram também que a despesa na ciência já ultrapassou um por cento do Produto Interno Bruto (foi 1,18 por cento em 2007).
"O atraso científico está superado", considerou, triunfante, o ministro Mariano Gago. Mas defendeu que, depois de o número de investigadores na população activa ter duplicado em apenas dez anos, é preciso agora enfrentar os novos problemas.
Problemas que têm a ver com o desenvolvimento e a competição a nível internacional e que obrigam a que se passe a privilegiar o financiamento de grandes infra-estruturas e consórcios e de projectos estratégicos de investigação: "Vamos ter de mudar de escala".
No encerramento do fórum Novas Fronteiras da Ciência e do Conhecimento, na Alfândega do Porto, perante uma sala repleta de socialistas, José Sócrates destacou outra prova desta "impressionante" evolução - a passagem de Portugal do 22.º para o 17.º lugar de um ranking de países com capacidade inovadora: "Mas o mais importante é que mudamos de escalão. Abandonámos o grupo dos países catching up [a recuperar do atraso] e passamos a integrar o conjunto dos países moderadamente inovadores".
Jean-Pierre Contzen, que presidiu à Comissão Internacional da Reforma dos Laboratórios de Estado em Portugal, também sublinhou o avanço português neste domínio: "Portugal fez tanto quanto a Rússia e a China e mais do que a Índia". Contzen lembrou contudo que é necessário agora rever as necessidades de infra-estruturas científicas do país, e avisou que o Governo não deve cortar na despesa em investigação e desenvolvimento devido à crise. Um apelo a que Sócrates se mostrou sensível. "Quem não investe em ciência fica para trás." O primeiro-ministro assegurou que Portugal vai continuar a apostar no desenvolvimento científico, apesar da crise. "Não podemos abandonar a visão de médio e longo prazo."
 

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