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"Nunca conseguiremos parar as importações. As pessoas hoje querem ter todo o tipo de fruta durante todo o ano", dizem os produtore

 

O país importou 33% da fruta que consumiu no período 2008/2009 a 2011/2012.

Não há produção suficiente de fruta para satisfazer o apetite dos portugueses, mas em 2011/2012 o grau de auto-suficiência foi o maior desde 2005/2006 e cresceu de 65,2% para 75,1%. De acordo com as Estatísticas Agrícolas de 2012, da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística, recentemente divulgadas, entre 2005 e 2012 a produção nacional conseguiu aumentar em 9,9 pontos percentuais a sua capacidade de abastecimento e atingiu, o ano passado, o melhor desempenho dos últimos sete anos.

"Não me surpreende nada. Ao contrário da actividade económica, a agricultura tem continuado a investir", diz Domingos dos Santos, presidente da Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutos e Hortícolas (FNOP), com 43 associados e que representa 70% do total das organizações e agrupamentos do sector hortofrutícola em Portugal. O sector, continua, tem aproveitado os fundos comunitários do Plano de Desenvolvimento Rural (Proder), o instrumento estratégico e financeiro de apoio ao desenvolvimento rural. E esta melhoria na capacidade de auto-suficiência é o resultado de investimentos feitos nos últimos anos.

"Temos aumentado a área de produção e a produtividade por hectare, com novas técnicas de produção, melhoria nos pomares e regas. Estes dados são fruto de um trabalho sustentado ao longo do tempo", continua, destacando a produção de pêssego, nectarina, pêras ou maçãs.

Nas Estatísticas Agrícolas, o INE sublinha que Portugal não é auto-suficiente em frutos e importou, em média, 33% do que consumiu entre 2008/2009 e 2011/2012. "A evolução da produção está muito dependente dos anos agrícolas", lê-se no documento.

Entre 2009 e 2010, a produção aumentou cerca de 12% devido ao crescimento dos chamados frutos frescos (excepto citrinos) que incluem desde ameixa a kiwi ou morangos. Na campanha seguinte, registou-se uma diminuição, mas em 2011/2012 aumentou 14,6%. Ainda assim, este acréscimo não foi suficiente para satisfazer as necessidades de consumo interno. Faltaram 25 pontos percentuais para conseguir a auto-suficiência.

"Nunca conseguiremos parar as importações. As pessoas hoje querem ter todo o tipo de fruta durante todo o ano. Nesta altura, por exemplo, já produzimos pouco morango", diz Domingos dos Santos. Ao mesmo tempo, à medida que aumenta a produção, também há crescimento nas exportações. "Há um volume muito aliciante na pêra-rocha (em média, são 100 mil toneladas exportadas)", continua, adiantando que estão a ser estudadas novas técnicas de conservação a frio para prolongar a validade desta fruta.

A crise tem mudado os padrões de consumo dos portugueses, que se deslocam mais vezes aos supermercados e compram menos quantidade de comida. Na fruta, Domingos dos Santos diz que não se nota uma diminuição das vendas, mas antes um comportamento mais racional e com menos desperdício. "Antes, o consumidor comprava dois quilos de pêras ou laranjas e deixava estragar três ou quatro peças em casa. Agora, vai mais vezes e compra menos de cada vez. Tudo o que compra é para consumir", resume.

Quanto ao grau de aprovisionamento de outros produtos agrícolas, há um caminho longo a percorrer. Na carne, os portugueses precisavam de 1113 mil toneladas para satisfazer a procura (2012) e, entre 2009 e 2012, a produção nacional atingiu apenas 73% dessa quantidade. Nos cereais, é conhecida a diminuta capacidade de produção, que apenas chega para 20,8% das necessidades. Na batata, apenas se produz 44% do consumo interno.

Contudo, há outros sectores onde o cenário é o oposto. No leite, Portugal foi excendentário em 2011 (105,3%, o último dado indicado pelo INE). No arroz em casca, a produção também ultrapassa as necessidades internas (103,4%) em 2012, mas no arroz branqueado fica nos 97% - cada português consome, em média, 16 quilos de arroz por ano. O vinho ultrapassa os 100% (104,2%).

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