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 Publicado em 19 de Dezembro de 2012.

greensavers.sapo.pt

 

A quantidade de terra usada para cultivo em todo o mundo está no seu auge e uma área com duas vezes o tamanho de França pode voltar à natureza em 2060, devido à maior produtividade dos solos e a um crescimento mais lento da população.

Um relatório divulgado esta semana diz que a humanidade alcançou o pico das culturas agrícolas. Isto entra em conflito com estudos da ONU que adiantam que serão necessárias mais terras cultiváveis nas próximas décadas, de modo a evitar o aumento da fome e dos preços, à medida que a população mundial cresce além dos sete mil milhões.

Este novo estudo calcula que a utilização de mais culturas para biocombustíveis e um maior consumo de carne em economias emergentes, como a China ou a Índia – exigindo mais terras cultiváveis para alimentar o gado –, não irão compensar a queda do pico causado por uma melhor produtividade.

Se isto se confirmar, a terra libertada a partir das colheitas será 10% da que está actualmente em uso – o equivalente a 2,5 vezes a área total de França ou mais do que todo o território arável agora cultivado na China.

“Acreditamos que a humanidade atingiu o pico das suas culturas e que as muitas terras estão prontas para voltar à natureza”, explicou Jesse Ausubel, director do Programa para o Meio Ambiente Humano, da Universidade Rockefeller, em Nova Iorque. “Felizmente, a causa não é o esgotamento da terra arável, como muitos temiam, mas sim a moderação da população e os gostos dos agricultores”, escreveu ele.

O relatório, fornecido à Reuters por Ausubel, projecta que cerca de 150 milhões de hectares possam ser restabelecidos para as suas condições naturais, como florestas, em 2060. Esta previsão é equivalente a 1,5 vezes a área do Egipto.

O estudo avança que a terra arável mundial e as áreas de cultivo permanente subiram de 1.370 mil milhões de hectares em 1961 para 1.53 mil milhões em 2009. E prevê uma queda para 1.38 mil milhões de hectares em 2060.

O estudo de Ausubel admite fazer muitas suposições – a produtividade agrícola crescente, o abrandamento do crescimento populacional, o aumento relativamente lento no uso de plantas para produzir biocombustíveis, o aumento moderado no consumo de carne – que podem distorcer o resultado obtido se estiverem erradas.

Também não foram tidas em conta as grandes mudanças climáticas que os estudos da ONU dizem que poderiam interromper a produção agrícola, como o aumento das temperaturas, as chuvas menos previsíveis, mais inundações, secas, desertificação e as ondas de calor.

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