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Portugal produziu, este ano, cerca de 1,2 milhões de toneladas de tomate, registando uma produtividade recorde da ordem das 92 toneladas por hectare, segundo dados divulgados pela Associação dos Industriais de Tomate (AIT).

 

A associação adianta que este índice de produção por hectare será o segundo melhor do Mundo, superado apenas pelo do estado norte-americano da Califórnia. Ainda assim, nem tudo são rosas para os operadores do tomate e a AIT diz temer que a próxima reforma da política agrícola comum (PAC) venha a pôr em causa o crescimento do sector e até gerar uma queda de 40 por cento na área cultivada. Isto porque as propostas divulgadas prevêem uma redução de 2100 para 179 euros da ajuda comunitária por hectare de tomate.

«Se a proposta para a nova PAC for aprovada tal como está, temo que muitos produtores se afastem e que possamos assistir a uma redução da produção na ordem dos 40 por cento, o que porá em causa a viabilidade económica das explorações agrícolas. Uma redução tão forte da actividade porá mesmo em causa a viabilidade de algumas unidades industriais em Portugal», afirma Miguel Cambezes, secretário-geral da AIT, reconhecendo que a campanha recentemente concluída no início de Outubro «correu muito acima das expectativas».

O dirigente da AIT acrescenta que a ministra Assunção Cristas já prometeu aos representantes do sector que vai lutar pelos interesses portugueses» na discussão desta matéria em sede de reforma da PAC, mas a AIT receia que uma alteração drástica como a que foi proposta leve muitos produtores a abandonarem o cultivo do tomate e conduza «ao desmantelamento de um dos sectores mais exportadores da agro-indústria nacional».

De acordo com a AIT, cerca de 95 por cento desta produção já transformada acaba por seguir para exportação e representa um volume de negócios anual da ordem dos 250 milhões de euros, com um valor acrescentado bruto (VAB) de 80 por cento.

A indústria transformadora de tomate, a mais desenvolvida nas zonas de regadio do Ribatejo, exporta para 42 países e Portugal é, segundo a Associação de Industriais, o quinto maior exportador mundial, num sector que, diz a mesma fonte, será responsável por 6.500 postos de trabalho, directos e indirectos.

Assunção Cristas visitou, há um ano, no início do seu mandato, explorações agrícolas de tomate da lezíria de Vila Franca de Xira, realçando o esforço de modernização de muitos agricultores e os investimentos que têm feito com apoios do Programa de Desenvolvimento Rural (Proder).

Ainda de acordo com a AIT, na última década foram investidos cerca de 60 milhões de euros na modernização das fábricas portuguesas de transformação de tomate.

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