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Diário de Notícias, 20090104

MÁRCIO ALVES CANDOSO

 

 
Colaboração. Há oito anos que a Unicer faz cerveja com recurso a cevada nacional. O negócio é típico da fileira entre agricultura e indústria que, diz quem sabe, é o futuro da lavoura. Começou com um produtor e hoje já ultrapassou os 300. A notícia é que dá dinheiro, reduz o risco e deixa toda a gente feliz

'Minis' garantem o pão a searas de riba e além-Tejo
 
Nem todas as histórias que versam sobre a agricultura portuguesa são laudas de choro e maldizer. No Alentejo e Ribatejo, há um núcleo superior a 300 homens do campo que vive há já algum tempo com desafogo na época da sementeira que, infelizmente, não é comum a muitos dos seus pares por esse País fora. São os cultivadores de cevada dística, uma espécie cerealífera que dá origem ao malte com que se faz a cerveja.

Cada vez que o leitor meter uma 'mini' à boca está a usar uma parcela das 40 270 toneladas de cevada adquiridas em Portugal pela Maltibérrica aos tais produtores agrícolas. A empresa de Poceirão (Palmela), participada a 51% pela Unicer e a 49% por um grupo internacional de origem francesa, vive agora o oitavo ano de uma ideia que vingou. "Do ponto de vista estratégico, trata-se de uma medida de sustentabilidade agro-alimentar e de gestão do risco", explicou ao DN Tiago Brandão, administrador-executivo da Maltibérica. É que a Unicer comprava todo o malte em Espanha e França, o que, devido às distâncias percorridas, ficava caríssimo no que diz respeito aos cuidados a ter com o transporte da matéria-prima. "A proximidade é um activo importante quando se está a falar de um produto natural", frisou o mesmo responsável.

No princípio era apenas um produtor, que entregou à Maltibérica 824 toneladas de cereal. Estava-se na campanha de 2000/2001. O processo foi crescendo exponencialmente muito por "culpa" da estratégia do grupo Unicer, que acorda com os agricultores "um preço mínimo garantido". Isso faz com que "muitas vezes, quando têm de tomar a decisão sobre o que hão-de semear para a campanha seguinte, eles prefiram a cevada dística, porque têm um acordo connosco", explicou Tiago Brandão.

Actualmente, mais de 75% das necessidades de cevada para a laboração em pleno da fábrica de transformação de malte são asseguradas por produtores portugueses. Só no último ano, a Maltibérica aumentou em 30% as suas compras de cevada nacional. Por outro lado, fez um "reforço das condições contratuais", passando a negociar a três anos, em lugar de uma vez por cada campanha, o que permite aos agricultores um melhor planeamento das culturas.

Segundo fonte da empresa, a Maltibérica deverá ter fechado o ano 2008 com um resultado líquido de 1,3 milhões de euros. O volume de negócios rondou os 20 milhões. A companhia emprega um pouco menos de uma vintena de trabalhadores.

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