Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014
Fim do trabalho

Fimdotrabalho.jpg

Van Gogh, The End of the Day (after Millet), November 1889. Oil on canvas, 72 x 94 cm. Menard Art Museum, Komaki.

 



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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014
“Intensificação sustentável”, Agricultura de precisão e o PDR2020

rbraga2.gifRicardo Braga

Agroportal, 2014.11.18

A nova PAC sugere a necessidade de produzir mais quantidade e qualidade reduzindo simultaneamente custos de produção e impactes ambientais.

A solução deste verdadeiro quebra-cabeças agronómico terá que passar forçosamente pela utilização mais eficiente e eficaz dos recursos e factores de produção.

Este aumento de eficiência e eficácia, por seu lado, terá que passar pela inovação tecnológica quer a nível de genótipos (biotecnologia/melhoramento) quer a nível de equipamentos (mecatrónica/automatização) quer ainda a nível de TICs - tecnologias de informação e comunicação.

A nível das TICs, os sistemas de informação para apoio à decisão baseados em sensores e outras fontes de dados (modelos, previsões meteo, preços, etc.) terão que ter cada vez mais peso na exploração agrícola fazendo com que a tomada de decisão seja cada vez menos um processo empírico para passar a ser um processo baseado em factos e em conhecimento.

A intensificação do uso de dados/informação e conhecimento (incorporado ou mais explicito) ao nível da gestão agrícola será então uma chave para o aparente paradoxo da “intensificação sustentável”.

A gestão da variabilidade espacial no seio das parcelas dos recursos e factores de produção levada a cabo nos últimos 20 anos demonstra que existe uma enorme oportunidade para melhorar a eficiência e eficácia dos sistemas agrícolas com a contemplação da componente espacial na gestão. Como exemplo, podem dar-se situações correntes de variação do simples para o quíntuplo da produtividade em culturas como o milho ou a vinha no espaço de escassos hectares. Continuar a gerir as parcelas agrícolas como se de unidades homogéneas se tratassem é cada vez mais uma ineficiência inaceitável. De facto, toda a escola agronómica clássica assume a homogeneidade no espaço das parcelas (dos solos, da cultura, das taxas de aplicação de factores, etc.) por questões de ordem prático-logística, embora conhecendo bem a sua existência. No entanto, hoje em dia, existindo técnicas para gerir essa variabilidade, designadas por Agricultura de Precisão, torna-se possível adequar no espaço (e tempo) a aplicação de factores de produção a cada uma das unidades homogéneas incluídas no seio de cada parcela de acordo com as suas necessidades ou potencial produtivo.

Deste modo, aplica-se, por exemplo, maior quantidade de um dado nutriente onde as necessidades são maiores e vice-versa. Ou, aplica-se maior volume de calda de um tratamento onde a vegetação apresenta maior densidade e vice-versa. É este tipo de actuação (3Rs) “the Right time, the Right amount and the Right place” que permite melhorar a eficiência e eficácia de utilização dos recursos e factores de produção e desse modo promover a “intensificação sustentável”. De facto existem casos práticos em que na globalidade da parcela se utiliza a mesma quantidade de factor ou até menor quantidade, ficando contudo melhor distribuído e, por tanto, resultando em incremento de produção final.

A implementação da agricultura de precisão não é trivial e faz-se segundo um procedimento sequencial e cíclico, que geralmente inclui 4 fases:

(1) avaliação e caracterização da variabilidade espacial;

(2) análise de dados e aplicação de conhecimento para identificação da(s) causa(s) da variabilidade;

(3) elaboração da carta de prescrição do factor de produtividade; e

(4) aplicação diferenciada de factor de produtividade.

A fase (1) incluiu levantamentos georreferenciados das parcelas, nomeadamente a monitorização da produtividade (através de um monitor de produtividade associado ao posicionamento geográfico), análises de solo, índices de vegetação da cultura entre outros.

Os dados colhidos em (1) são analisados em (2) e através do conhecimento agronómico são diagnosticadas a(s) causa(s) da variabilidade. Uma vez identificada(s) a(s) causa(s) da variabilidade, e apenas após essa condição estar satisfeita (aspecto fundamental para o sucesso da estratégia!), é elaborada a carta de prescrição em (3) e implementada em (4) através de equipamentos munidos com tecnologia de taxa variável (VRT – Variable Rate Technology).

O elemento central neste ciclo de actuação são os sistemas informação georreferenciada (conhecidos por Sistemas de Informação Geográfica) que permitem a análise multidisciplinar da variabilidade espacial assim como a criação de cartas de prescrição a serem utilizadas para comando das aplicações diferenciadas através da VRT e do posicionamento geográfico.

O posicionamento geográfico, presente em qualquer das 4 fases é fornecido pelos Global Navigation Satalite Systems (GNSSs), em que o mais utilizado é o GPS – Global Positioning System. Além de estarem na base das 4 fases do ciclo da agricultura de precisão, os GNSSs permitem também a utilização de mais 3 importantes equipamentos/aplicações em agricultura de precisão:

(1) condução assistida - em que o operador é auxiliado por um dispositivo visual/sonoro de modo a reduzir sobreposições e falhas de aplicação de factores (adubos, semente, etc.);

(2) condução automática – em que o operador é substituído por um dispositivo mecânico/hidráulico com o mesmo objecto que em (1) mas com maior eficácia;

(3) ajuste automático da largura de trabalho (swath control) – em que a largura de trabalho em (alguns) distribuidores/semeadores é controlada troço a troço permitindo o ligar/desligar de forma independente de cada troço com vista à eliminação das sobreposições. Todos estes equipamentos, incluindo os monitores de produtividade e equipamentos de tecnologia de taxa variável podem ser instalados em máquinas existentes não sendo necessário adquirir modelos topo de gama para poder disfrutar das suas funcionalidades.

Face ao que foi dito nomeadamente em relação às vantagens da Agricultura de Precisão é difícil de compreender que a taxa de adopção seja ainda tão reduzida. É certo que a adopção não é igual para todas as aplicações / equipamentos, mas ainda assim, é no geral, reduzida. E esse facto pode justificar-se por uma série de razões, designadamente a limitada “experimentabilidade” da aplicação diferenciada de factores (é difícil experimentar sem investir nalguma componente); a difícil percepção dos ganhos (os ganhos potenciais são função da variabilidade das parcelas e suas causas); o limitado suporte técnico efectivo por parte dos vendedores de equipamentos; etc.

Todos estes aspectos, alguns mais reais que outros, contribuem para que a confiança para o investimento seja diminuída e para que surjam alguns mitos.

Neste contexto, fazia sentido um instrumento de apoio ao investimento que foi o que de facto veio a verificar-se com a publicação, no dia 11 de novembro, da portaria 230/2014 que estabelece o regime de aplicação da acção 3.2, «Investimento na exploração agrícola» do PDR2020 (http://www.pdr-2020.pt/files/portaria_230_2014_M32.pdf <http://www.pdr-2020.pt/files/portaria_230_2014_M32.pdf>).

No art. 2º - “Objectivos” – pode ler-se: “Reforçar a viabilidade e a competitividade das explorações agrícolas, promovendo a inovação, (…)”.

Contudo, é com o maior agrado que no art. 10º - “Critérios de seleção das candidaturas” - constatamos a inclusão da alínea e) “Candidatura com operações que visem o recurso a tecnologias de precisão.”

Na orientação técnica especifica (http://www.pdr-2020.pt/files/OTE_1_2014_M32.pdf <http://www.pdr-2020.pt/files/OTE_1_2014_M32.pdf> ) são mesmo elencados (ponto 2.2) com maior pormenor alguns dos investimentos materiais e imateriais reflectidos na medida. Estamos certos de que se trata de uma excelente oportunidade para que os empresários agrícolas passem a tirar completo partido das vantagens da Agricultura de Precisão e se tornem mais produtivos, rentáveis e sustentáveis.

As candidaturas decorrem até ao final do ano. Ao trabalho!

Ricardo Braga <mailto:ricardobraga@isa.utl.pt> Prof. do Instituto Superior de Agronomia <http://www.isa.ulisboa.pt/>

Mais informação online:

• Braga (2011). AGRICULTURA de PRECISÃO: adopção & principais obstáculos. AGROTEC .URL: http://goo.gl/aB6Gn <http://goo.gl/aB6Gn>

• Braga (2012). A Agricultura de precisão e a sustentabilidade dos sistemas de produção agrícola. Energia e Ambiente. URL: http://goo.gl/Ey2g0 <http://goo.gl/Ey2g0>

• Braga (2013). Entrevista: Agricultura de Precisão. AGROTEC. URL: http://goo.gl/FTESPS <http://goo.gl/FTESPS>

• GRUPO DE DISCUSSÃO LINKEDIN: AGRICULTURA DE PRECISÃO – PORTUGAL. URL: https://www.linkedin.com/manageGroupMembers?dispParts=&gid=6525490 <https://www.linkedin.com/manageGroupMembers?dispParts=&gid=6525490>

• REVISTA: AGROBÓTICA – como fascículo da AGROTEC. URL: http://agrotec.pt/ <http://agrotec.pt/>

• PDR2020: http://www.pdr-2020.pt/ <http://www.pdr-2020.pt/>



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Sábado, 15 de Novembro de 2014
Três universidades do Norte unidas numa só

DORA MOTA JN | 15.11.2014 - 00:01 Está lançada a Universidade do Norte, um consórcio entre as três academias públicas da região que vai gerir em conjunto os cursos, a investigação e o dinheiro. E nasce com forte disposição para influenciar políticas. Consórcio terá 56 mil alunos Chama-se UNorte e o seu universo tem 56 mil estudantes, 30 faculdades e um orçamento global de quase 340 milhões de euros. A aprovação do consórcio pelo Conselho Geral da Universidade do Porto praticamente encerra a sua criação, depois de os conselhos gerais das universidades do Minho e de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) terem já aprovado a nova entidade.



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Sexta-feira, 7 de Novembro de 2014
150 anos de exportação de ananás para Inglaterra

Açores - O arquipélago comemora 150 anos de exportação do ananás para Inglaterra

Palestras, provas gastronómicas, um concurso de produtores e uma exposição vão assinalar, na freguesia da Fajã de Baixo, Ponta Delgada, entre 12 e 15 de Novembro, os 150 anos do início da exportação do ananás dos Açores para Inglaterra.

Café Portugal/Lusa; Foto: Alive Taste | quarta-feira, 5 de Novembro de 2014

 

 

Fonte da Junta de Freguesia da Fajã de Baixo, na ilha de São Miguel, adiantou que durante quatro dias será levado a cabo um «vasto programa comemorativo» para assinalar a efeméride, numa localidade onde, apesar da pressão imobiliária dos últimos anos, a cultura do ananás ainda sobrevive.

 De acordo com registos históricos, foi precisamente a 12 de Novembro de 1864 que ocorreu o envio da primeira remessa do fruto rei, produzido na ilha de São Miguel, para a cidade de Londres, uma exportação que de significativa passou a residual ou inexistente com o passar dos anos.

Além da sessão solene de abertura no salão nobre da Junta de Freguesia e do lançamento de um selo comemorativo, decorrerá também a 12 de Novembro, a partir das 18h30, a inauguração de uma exposição, com a reprodução real de uma estufa, exibição de plantas, ananases, utensílios e vestuário utilizado pelos estufeiros.

A mesma fonte adiantou que o segundo dia será dedicado à vertente económica do ananás, estando prevista uma palestra, pelas 20h30 (21h30 em Lisboa), sobre o passado, presente e futuro, tendo como moderador o antigo presidente da junta de freguesia João Carlos Carreiro.

O programa comemorativo inclui, ainda, outra palestra sobre a vertente histórica do ananás, uma sessão de esclarecimento sobre nutrição, degustação de produtos, como licores e doces feitos com ananás, a presença de um chefe que irá preparar no local vários pratos e um concurso para premiar o melhor produtor de ananás.

Para o antigo autarca e estudioso do ananás João Carlos Macedo, que fará a palestra sobre a vertente histórica, mais do que falar em cultura do ananás deveria falar-se em economia do ananás, recordando que o fruto deu origem a empresas importantíssimas na região, como é o caso da Corretora, antigo Banco Micaelense, Carregadores Açorianos, entre outras.

O fruto rei nos Açores continua a ser cultivado de forma totalmente biológica em estufas, essencialmente nos concelhos de Ponta Delgada e Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, sendo que a produção anual é cada vez menor e atinge, actualmente, pouco mais de mil toneladas.

O presidente da Cooperativa Profrutos, Rui Pacheco, referiu, em Setembro, que a exportação do ananás dos Açores corresponde, presentemente, a «quantidades diminutas», sem precisar números.

Além do consumo interno, os principais mercados do ananás açoriano são o nacional e o designado «mercado da saudade», sobretudo Estados Unidos da América e Canadá, onde residem muitos emigrantes açorianos.

O ananás de São Miguel é originário da América do Sul e Central, tendo sido introduzido no arquipélago como planta ornamental em meados do século XIX, enquanto as primeiras explorações de caráter comercial surgiram em 1864.

A produção do ananás desde a toca até ao fruto pronto a colher leva cerca de dois anos.

No Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores (INOVA) estão em curso vários estudos para melhorar e reduzir custos de produção do fruto, que tem no abacaxi o seu principal rival comercial.

Entretanto está prevista para 2015 a conclusão do Centro de Interpretação do Ananás de São Miguel, que ficará localizado no edifício onde funcionou a Junta de Freguesia da Fajã de Baixo entre 1940 até 2014 e que antes tinha sido escola. O edifício construído foi construído no final dos anos 20 do século passado.


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Terça-feira, 4 de Novembro de 2014
O Challet em 1911

Challet.jpg

 



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Segunda-feira, 3 de Novembro de 2014
Montado contribuiu para a retenção de CO2

APCOR | Diário Económico 07 Out 2014

Instituto Superior de Agronomia revela que os montados de sobro portugueses podem absorver anualmente até 14,7 toneladas de dióxido de carbono.

Os montados de sobro portugueses podem absorver anualmente até 14,7 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por hectare, segundo investigações levadas a cabo pelo Instituto Superior de Agronomia, por uma equipa liderada por João Santos Pereira. Os dados, a serem publicados brevemente numa brochura da Associação Portuguesa da Cortiça (Apcor), referem, por exemplo, que um montado pouco denso (cerca de 30 por cento de cobertura por árvores) reteve em média 88 g de carbono por m2 e por ano (ou seja de 3,2 toneladas de CO2 por hectare e por ano). Mas o sequestro anual de carbono num montado em melhores condições de solo e clima, com gestão florestal certificada e com mais plantas (50 por cento de cobertura de árvores), quadruplicou para 400 g de carbono por m2 e por ano (ou seja 14,7 toneladas de CO2 por hectare e por ano). 

O presidente da Apcor, João Rui Ferreira, admite que o importante papel do sobreiro a esse nível "não surpreende", mas garante que esta é a primeira vez em que um estudo realizado por investigadores portugueses "permite demonstrar e quantificar essa capacidade de sequestro, bem como os factores que a podem influenciar".

Considerando que a certificação florestal, por um lado, e a maior densidade de sobreiros, por outro, têm um impacto positivo na retenção de CO2, João Rui Ferreira anunciou que "a Apcor continuará a apostar em formas de fazer crescer essas duas realidades".

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Apcor referiu ainda que "sendo o sobreiro uma espécie de crescimento lento, que pode atingir os 200 anos, e verificando-se uma menor incidência de incêndios em áreas de sobro comparativamente às de outras espécies, o carbono anualmente sequestrado pelos montados é armazenado por períodos de tempo muito longos."

E acrescentou: "a certificação florestal é um garante de que os montados são geridos de acordo com práticas que potenciam a preservação da biodiversidade, a conservação dos solos, a regulação hidrológica, a promoção de um património cultural único ao serviço das comunidades e dos turistas, e a defesa de um enorme valor social, que cria condições de trabalho em zonas de baixo investimento." Essa certificação também será, por isso, "um factor diferenciador dos produtos em cortiça face aos concorrentes".

"Desta forma, reforçará a cortiça enquanto marca global", concluiu o presidente da Apcor.

Um outro dado a assinalar é que a cortiça continua a reter CO2 depois de transformada.

"Enquanto produto vegetal, a cortiça trabalhada continuará a reter carbono (metade do seu peso seco, ou seja, aproximadamente 1,7g de carbono por rolha natural ou 6,2g de CO2) durante um período mais ou menos longo, de acordo com os esquemas de tratamento de resíduos de cada país ou região. Esta função só termina com a queima e a devolução de carbono à atmosfera em forma de CO2", pode ler-se no mesmo estudo.


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Domingo, 2 de Novembro de 2014
Os preços e os subsídios agrícolas

ARMANDO SEVINATE PINTO Público 02/11/2014 - 10:58

 

A viabilidade da actividade agrícola e a subsistência das famílias que trabalham no campo dependem de forma muito significativa dos preços e dos subsídios.

 

Os preços e os subsídios agrícolas sempre estiveram, e continuarão a estar, no centro das preocupações dos agricultores. É natural que assim seja. Deles depende a viabilidade das suas actividades e, quase sempre, os seus meios de subsistência e das suas famílias.

 

Como deles também depende a base do custo da alimentação e, por isso, o rendimento dos consumidores, é fácil depreender-se que se trata de um tema sob discussão pública permanente, com base em interesses antagónicos e em teorias divididas.

O caso português, antes e depois da adesão à CEE, é dos mais singulares dentro da União.

Quando Portugal pediu a adesão à CEE, em 1977, a maioria dos nossos preços agrícolas eram inferiores aos preços médios na Comunidade e os subsídios existentes eram, com algumas excepções, maioritariamente dirigidos aos consumidores, através do chamado “cabaz de compras”*.

Nove anos depois, quando aderimos, em 1986, os preços agrícolas em Portugal eram, quase todos, superiores, às vezes até muito superiores, aos da Comunidade. Não só porque se desmobilizaram alguns subsídios, mas também, a meu ver, principalmente, porque nessa altura a inflação interna subiu a níveis hoje impensáveis, superiores a 27%.

A entrada na CEE foi muito dolorosa para alguns sectores agrícolas, não só porque os seus preços foram progressivamente harmonizados com os preços europeus (reduzidos por tranches em função dos diferentes sistemas de transição), mas também porque a nossa entrada praticamente coincidiu com o início da descida dos preços europeus, visando a sua harmonização com os preços mundiais.

Os preços agrícolas em Portugal reduziram-se brutalmente em alguns sectores mais envolvidos com o sistema de preços da PAC (cereais, oleaginosas, carne de bovino e ovino…), o mesmo não tendo acontecido em outros sectores em que os apoios sempre foram menos dependentes do sistema de preços (frutas e legumes, por exemplo).

De facto, quando aderimos, todo o sistema de apoio ao rendimento da Politica Agrícola Comum (PAC) consistia numa protecção aduaneira do mercado interno, relativamente ao mercado mundial, através de taxas variáveis, que tinham por efeito a formação de preços bastante elevados aos agricultores comunitários. Dizia-se então que os subsídios estavam implícitos nos preços.

Este sistema durou ainda aproximadamente cinco anos, uma vez que, só em 1992, se deu a primeira reforma da PAC. Com essa reforma, os preços europeus iriam progressivamente reduzir-se, ainda que de forma significativa.

Em compensação, apenas parcial, foi instituído um sistema de ajudas directas aos agricultores, calculadas com base nas perdas teóricas de cada um em função das suas produtividades e da queda dos respectivos preços.

Durante cerca de uma década, os preços europeus aproximaram-se, ou igualaram, os do mercado mundial e as ajudas aos agricultores mantiveram-se “ligadas” à produção, isto é, eram pagas em função da quantidade produzida, dos hectares utilizados, ou do número de animais em produção.

Até que, em 2003, com o apoio da esquerda europeia, de uma larga parte da opinião pública e de muitos académicos europeus de renome, a maioria das ajudas ao rendimento foram “desligadas” da produção, apesar de serem calculadas com base em registos históricos, de cada país e de cada agricultor.

Finalmente, uma década depois, em 2014, com a presente reforma da PAC, já aprovada mas ainda dependente de algumas decisões internas, manteve-se e acentuou-se o sistema da reforma de 2003, agora submetido a um processo progressivo de harmonização dos montantes das ajudas (actualmente diferentes para cada sector, agricultor e Estado-membro), que será total no plano nacional mas ainda parcial no plano comunitário.

Entretanto, os preços agrícolas já se formam livremente no mercado interno, com fortíssima influência dos preços mundiais (conceito, a meu ver, significativamente subjectivo, quanto à sua formação e significado) e associados às suas flutuações.

O mesmo acontece com os preços/custos dos factores de produção agrícola, ainda que, por variadíssimas razões, também nem sempre lógicas e justificadas, se mantenham diferenças muito importantes, dentro e fora da União Europeia, tal como também se verifica com os custos do trabalho.

O que penso eu de toda esta evolução? Penso que o resultado está à vista e não é muito animador, uma vez que os preços agrícolas nunca foram tão incertos (voláteis, como agora se diz).

Nunca escondi o meu apego ao regime europeu original e inúmeras vezes o tornei público, ainda que sem a mínima esperança de que este fosse recuperado. Era notável o seu efeito estabilizador, retirando aos agricultores algum risco da sua actividade que, pela sua própria natureza, já tem riscos que chegam e sobram.

Fui contra a linha de reformas iniciada em 1992, sendo nessa altura director na Comissão Europeia, quer pela perda de estabilidade do sistema de preços europeu, quer porque me pareceu que, essa reforma, seria a preparação da supressão total dos subsídios à agricultura.

Fui contra o “desligamento” das ajudas na reforma de 2003, exactamente quando era ministro da Agricultura. Bati-me contra essa solução e votei contra a reforma por falta de contrapartidas, mas estive sempre pouco acompanhado. Agora já não seria assim porque as evidências têm muita força.

Na minha opinião, o passo final, o da supressão das ajudas, só não foi ainda dado porque a crise alimentar de 2008/9, veio alterar muitos dos argumentos usados para a justificar essa opção. As opiniões públicas, e os políticos que as interpretam, deram conta do enorme risco que isso acarretaria.

Finalmente, embora subsistam alguns importantíssimos apoios aos agricultores, o mercado liberalizado está aí e, com ele, a volatilidade dos preços. Os preços flutuam como nunca antes tinha acontecido e o mercado mundial exibe as suas imperfeições. O nível de risco é cada vez maior, numa actividade, que pela sua própria natureza, já está rodeada de riscos.

A PAC continua a ser indispensável. Tem defeitos, mas muito menores do que os seus detractores querem fazer crer. O grande problema não é da PAC, mas da falta dela em matéria de preços e da sua substituição pelo mercado mundial de cujo bom funcionamento sempre duvidei. De facto, as suas variações não param de nos surpreender. Nas últimas duas campanhas, por exemplo, o preço do milho reduziu-se quase para metade

Finalmente, para que se perceba melhor a necessidade dos subsídios, de que tanta gente discorda, dou apenas mais um exemplo que deixo à reflexão dos leitores. Há 28 anos, quando entrámos na CEE, o preço do trigo aos produtores portugueses era de 55 Escudos por kg. Actualmente, o preço pago aos produtores anda em torno de 15 cêntimos por kg (30 escudos)! Se em vez de preços correntes, comparássemos preços reais, então teríamos que multiplicar os 55 Esc. por 3,86 (tendo em conta a evolução do Índice de Preços Implícito no PIB, desde 1986), o que daria mais de 212 Esc., isto é, sete vezes mais do que o preço actual!

Percebe-se agora melhor a justificação dos subsídios? Espero sinceramente que sim.

 

*Sistema de fixação administrativa dos preços do pão, do leite e de muitos outros produtos e factores de produção, subsidiados através do “Fundo de Abastecimento”

Engenheiro agrónomo (ISA)



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Sábado, 1 de Novembro de 2014
Edifício Principal do Instituto Superior de Agronomia em 1945

ISAem1943.jpg

 



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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014
As duas agriculturas

ARMANDO SEVINATE PINTO

Público 11/10/2014

Os dualismos e contrastes são frequentes na nossa agricultura. Já tenho mencionado alguns.

Foi o caso dos pequenos e dos grandes agricultores, cuja dimensão, física e económica, justifica diferentes medidas de política.

Poderia ter sido o caso do Norte e do Sul, do Atlântico e do Mediterrâneo, do litoral e do interior, ou dos idosos e dos jovens. Contudo, o dualismo e os contrastes mais significativos da agricultura portuguesa não são determinados pela dimensão, ou pela localização, das unidades produtivas, mas sim pela existência ou ausência de água.

A água estabelece, actualmente, uma fronteira de tal modo importante que legítima a possibilidade de se falar da existência de duas agriculturas. Passando por cima de rigores que não nos deixariam saltar directamente do branco para o preto, sem considerar as diferentes tonalidades do cinzento, há, de facto e cada vez mais claramente, duas agriculturas no nosso país: a de regadio e a de sequeiro.

A primeira, mais moderna, avançada, mais tecnológica, quase sempre competitiva e robusta, pratica-se apenas nos pouco mais de 500 mil hectares que beneficiam de regadio.

A segunda, mais triste, mais penosa, mais ingrata e exposta, menos esperançosa, pratica-se nos restantes cerca de 3 milhões e 200 mil hectares que completam os 3 milhões e 700 mil hectares da nossa Superfície Agrícola Utilizada (SAU).

Estas duas agriculturas determinam sistemas de produção que nem sempre estão separados.

Em muitos casos, coexistem no interior de cerca de metade das nossas 300 mil explorações, que dispõem, em diferentes proporções, de terras e culturas de regadio e de sequeiro. Infelizmente, salvo poucas excepções, só o regadio é visitado, mostrado, festejado e exportado.

Só o regadio contribui para a imagem positiva que os portugueses têm actualmente da sua agricultura.

Salvo excepções, só o regadio vai à feira, à televisão, entusiasma os avanços tecnológicos, as empresas de serviços, os investigadores, os técnicos e os investidores. E, na realidade, Portugal tem feito nesta área avanços notáveis que marcam definitivamente os anos que já temos de integração europeia. Foi a água que modernizou as vinhas e os olivais, os pomares e a horticultura, protegida ou não por estufas, mas sempre regada. Foi a água que deu um formidável impulso modernizador ao nosso milho.

É a água que põe à disposição dos agricultores muitas dezenas de opções de culturas alternativas, que lhes permitem seguir as preferências dos mercados e as necessidades do país, sendo competitivos, ainda que trabalhando com maiores custos, muito maiores consumos de factores de produção, e, por isso, com muito maior risco face aos imponderáveis do mercado e do tempo.

Entretanto, as terras e as culturas de sequeiro, que se estendem por 86% da SAU, continuam a viver a um ritmo muito menos acelerado, menos mediático e infelizmente, mais problemático.

É certo que neste sector também existem bons exemplos. Houve agricultores que reagiram favoravelmente às alterações de enquadramento que foram inviabilizando algumas das utilizações tradicionais das terras de sequeiro, sobretudo nas de qualidade inferior, que, infelizmente, ocupam pelo menos dois terços da totalidade da área agrícola de sequeiro.

Ao longo dos últimos anos, foram-se sucessivamente abrindo e fechando oportunidades na agricultura de sequeiro, correspondentes a descontinuidades de orientação política. Abriram-se oportunidades de florestação, sobretudo para espécies de crescimento lento, designadamente para quercíneas (sobreiros, azinheiras e carvalhos) que, sem os fortes apoios públicos disponíveis, se tornariam inviáveis; criaram-se oportunidades no contexto das medidas agro-ambientais, cuja aplicação a estas áreas é particularmente justificada. Infelizmente, responsáveis do passado, de vistas perturbadas, conseguiram anular e/ou reduzir drasticamente o seu impacto; abriram-se oportunidades de expansão do efectivo pecuário (designadamente com o muito expressivo aumento do número de quotas/prémios europeus para as vacas produtoras de carne). Este acréscimo foi bem aproveitado por muitos agricultores que converteram em pastagens permanentes muitas terras antes dedicadas a culturas aráveis, como os cereais, que se foram tornando inviáveis.

Curioso, e a registar para a História, é o facto de muitos dos nossos “sociólogos da agricultura” terem sido muito críticos dos apoios a culturas aráveis de sequeiro e agora continuarem a sê-lo das pastagens permanentes, que contabilizam, erradamente, no abandono agrícola! Passando por cima de muitos episódios deste tipo, que a História se encarregará de corrigir, é para mim cada vez mais evidente que este enorme território problemático poderia e deveria ser melhor acompanhado, com mais atenção política, com medidas apropriadas à sua sustentabilidade produtiva.

Seria mais do que justificado que assim acontecesse, quer porque o país precisa de produzir mais, quer porque os agricultores, para continuarem a sê-lo, precisam de condições mínimas de viabilidade, quer ainda, porque as regiões rurais, sobretudo as do interior, para sobreviverem, económica, social e ambientalmente, precisam de um tecido produtivo viável e durável.

O que ninguém precisa é de soluções passageiras e de alterações permanentes. As soluções existem mas exigem determinação e clarividência para a integração e execução de medidas de efeito múltiplo, que erradiquem as doenças letais que devoram as nossas florestas; que melhorem as nossas pastagens; que enriqueçam e protejam os nossos solos (designadamente contra a erosão); que travem a redução acentuada dos cereais de sequeiro e/ou o nosso efectivo ovino.

Tudo isto é possível. Não é preciso inventar nada. Basta ligar vontades, ciência, política e alguns meios materiais.

Infelizmente, se nada for feito, o futuro punirá certamente uma grande parte dos agricultores portugueses, mas também a consciência dos que, menos atentos, não se deram conta do que poderia vir a acontecer. E não me venham dizer que não se pode, porque a UE não deixa. Se não se pudesse, já não haveria vinha nas encostas do Reno, na Alemanha, agricultura de montanha na maior parte da Europa ou agricultores na Finlândia.

Eng.º Agrónomo (ISA)



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Sábado, 20 de Setembro de 2014
A importância das estatísticas agrícolas

ARMANDO SEVINATE PINTO Público | 20/09/2014 - 20:45

 

Embora gostasse de estar enganado, estou convencido de que há muitos alunos de escolas superiores de agricultura que chegam ao fim dos seus cursos sem nunca terem visto de perto um exemplar das estatísticas agrícolas. No entanto, o Instituo Nacional de Estatística (INE) publica-as com regularidade e, actualmente, com bastante oportunidade. Se tal for o caso, isso só pode ser explicado pelo facto de o mesmo ter acontecido com alguns dos seus professores.

Saber de que recursos naturais dispomos, de que forma são utilizados, por quem e por quantos, com que estruturas, o que se produz, com que custos e a que preços, o que consumimos, o que importamos e/ou exportamos e muitas outras informações estatísticas, deveria fazer parte da cultura geral de todos e ser objecto de estudo por parte daqueles que têm mais obrigações de o fazer. Bem sei que, em muitos casos, as estatísticas resultam de encadeamentos de estimativas, de operações complexas, de conceitos em permanente alteração e que, em alguns casos, têm de ser utilizadas com cuidados particulares, evitando-se querer conferir rigor analítico a resultados cujas bases são obrigatoriamente imprecisas.

Utilizarei apenas um exemplo para ilustrar a importância destas informações, através de uma breve análise das estatísticas do comércio externo de produtos alimentares de base agrícola.

Diz o Governo, e eu concordo, que, nesta área, o equilíbrio em valor entre aquilo que importamos e exportamos deve constituir um objectivo central da sua política agrícola. Dito de outra forma, sermos auto-suficientes em valor, o que é muito diferente de sermos auto-aprovisionados (conceito quantitativo, totalmente diferente, que só pode ser calculado sector a sector).

É de facto um bom objectivo! Mas será alcançável? De que maneira? Com que instrumentos de política? Exportando mais? Importando menos? Consumindo menos? Que produtos?

Só a análise rigorosa do comércio externo nos poderá ajudar a ser precisos na identificação de alguns elementos de resposta a estas questões.

 

No quadro simples que se apresenta, constam os valores globais de importação e de exportação de produtos alimentares de origem agrícola, em 2013 e, para ambos os casos, os quatro primeiros grupos de produtos, em valor, destacando-se, em cada grupo, os dois primeiros produtos, por ordem de importância.

Apesar de se tratar de um exercício rudimentar, da sua análise resulta um “mar” de conclusões preliminares, ainda que com certezas misturadas com muitas dúvidas, que só o recurso a análises complementares pode esclarecer.

A primeira conclusão é de que o nosso “calcanhar de Aquiles” se situa na área das carnes, sobretudo de bovino e de suíno, a que se seguem os cereais, sobretudo o milho e o trigo, as oleaginosas, sobretudo a soja e o girassol, e o leite e lacticínios, sobretudo os queijos, os iogurtes e outras preparações de tipo semelhante.

A segunda conclusão resulta do aprofundamento da primeira e diz-nos que o sector das carnes e do leite, associado a uma parte dos cereais e oleaginosas, necessário para a alimentação pecuária, poderá “valer” entre dois terços e três quartos do nosso défice comercial alimentar de base agrícola (cerca de 3 mil milhões de euros).

A terceira conclusão é de que somos fortes em várias produções, mas não o suficiente para compensar as fraquezas. É o caso das bebidas (vinhos e cervejas), das gorduras (óleos incluindo azeite, que equilibram as importações neste capítulo), das preparações de hortícolas (tomates e conservas de outras hortícolas) e das frutas (maças, peras e citrinos). A quarta conclusão é de que somos fortes na maioria dos produtos oriundos do regadio e fracos em produtos que têm mais a ver com produções não regadas.

Quanto às dúvidas, a primeira e mais importante, é se, no sector alimentar, poderemos alguma vez ser auto-suficientes em valor. Embora, à partida, ache que sim, para o confirmar é necessário avaliar os nossos recursos e ver se poderemos produzir em condições de competitividade relativamente aos países de onde importamos a carne, os cereais, as oleaginosas e os lacticínios.

Os resultados deste tipo de análise variam com o tempo e com um grande número de factores, entre os quais, além das questões técnicas de que resultam as produtividades físicas, da quantidade e do custo dos consumos intermédios, as taxas de câmbio também são por vezes determinantes.

Esse tipo de exame implica a determinação das razões que permitem aos exportadores estarem em condições de conquistar os nossos mercados e, também, de que maneira poderíamos fazer face às eventuais desigualdades que lhes são favoráveis.

Simultaneamente, teríamos de analisar a maneira de reforçar as nossas exportações para compensar as importações. Tratando-se basicamente de bebidas e de hortofrutícolas, será que poderemos ir além do que já vamos, sabendo que se trata de produções que necessitam de água para rega?

Naturalmente, teríamos igualmente de analisar até que ponto poderíamos produzir competitivamente quantidades superiores de muitos dos produtos que, por si só, não se traduzem em grandes valores e, por isso, não aparecem no quadro anterior, mas que em conjunto têm bastante importância.

Entre dúvidas e conclusões, creio que chegaríamos facilmente àquela que considero dever estar entre as grandes questões agrícolas do nosso tempo e à qual urge dar resposta. O que poderemos fazer com praticamente todo o território nacional, de sequeiro e sem condições de vir a ser regado?

Como poderemos, ou até se queremos, viabilizar a actividade agrícola e a produção em mais de três quartos da nossa superfície agrícola?

Finalmente, pode-se sempre pôr a questão de saber se podemos consumir menos, sobretudo certos produtos que não temos em quantidade suficiente.

Em primeiro lugar, penso que, com a ajuda das grandes superfícies se poderia fazer uma significativa economia.

Em segundo lugar, sem querer tirar protagonismo à minha amiga Isabel Jonet (presidente do Banco Alimentar), que se envolveu na célebre polémica dos bifes, também pergunto se poderíamos consumir menos bifes, sobretudo dos importados.

É que, se o INE não cometeu nenhum erro, os residentes em Portugal consomem, per capita, 105 kg de carne por ano, o que dá a excessiva média de 289 gr por dia. Sabendo que muita gente nem condições tem para comprar carne, isso quer dizer que muitos outros passam o dia a comer carne.

Não será demais? Se as contas estão certas, não terei dúvidas em assegurar que sim.

É manifestamente demais e só pode fazer mal à saúde. Estão a ver a importância das estatísticas?

Engenheiro Agrónomo (ISA)

 



publicado por papinto às 22:10
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