Domingo, 13 de Maio de 2012
Cortiça - do montado à rolha

Cortiça - do montado à rolha
Naturlink

 

 

Alexandra Fonseca Marques, Instituto Superior de Agronomia e Davide Freitas, Associação de Industriais Exportadores de Cortiça

Numa época em que se analisam estratégias de valorização da rolha de cortiça natural face à ameaça das rolhas sintéticas, convidamo-lo a fazer uma viagem pelo processo de transformação da cortiça, desde a sua extracção do sobreiro até à obtenção da rolha.

A principal utilização da cortiça é a produção de rolhas naturais. No entanto, do processo produtivo deste tipo de rolhas resultam vários sub-produtos, que alimentam as indústrias de granulados de cortiça, os quais são a base de inúmeras utilizações, desde a produção de rolhas aglomeradas, rolhas técnicas, rolhas de champanhe até ao fabrico de revestimentos de superfícies, placas isoladoras, juntas, solas de sandálias ou até mesmo na recolha de petróleo derramado. 


 
Classificação da cortiça

A classificação da cortiça está subjacente a todo o seu processo de transformação. Numa primeira fase, essa classificação baseia-se na qualidade e no calibre das pranchas, enquanto que numa fase posterior se centra na qualidade das rolhas.

A qualidade das pranchas é avaliada em 6 classes desde a 6ª até à 1ª, atendendo à porosidade, defeitos, aspecto da barriga e da costa (a costa é a parte mais escura e exterior da prancha) e ao relevo da costa. As pranchas de 1ª qualidade caracterizam-se por uma grande homogeneidade da barriga e costa, menor porosidade, e ausência de defeitos (Gil, 1998). De entre os defeitos da cortiça destacam-se a porosidade excessiva, densidade elevada, deficiência de elasticidade, permeabilidade das membranas celulares, marmoreado, esfoliação, enguiado e mancha amarela (Natividade, 1950).

As rolhas são igualmente qualificadas de acordo com padrões homogéneos definido-se classes que vão da 6.ª até à Extra, passando de modo crescente de qualidade pelas 5.ª, 4.ª, 3.ª, 2.ª, 1.ª e Superior.

O calibre traduz a espessura da prancha, a qual é medida em “linhas” (1linha=2,256 mm). A cortiça com 9 anos de crescimento tem normalmente entre 6 e 24 linhas (13.5 a 54 mm). As classes de calibre são apresentadas na tabela 1. Para a produção de rolhas de cortiça natural são utilizadas as variedades de marca e meia-marca, pelo que serão também estas as que têm maior valorização económica.

Para além das rolhas de cortiça natural são também produzidas no nosso país as rolhas aglomeradas, rolhas de discos e as rolhas técnicas (ou rolhas de champanhe, também designadas por rolhas 1+1, formadas por 2 discos de cortiça natural, das variedades delgada e delgadinha, colocados nos extremos com um corpo aglomerado).


 
 
 
Tabela 1 – Classificação das pranchas de cortiça de acordo com o calibre  

 


Processo produtivo da rolha

O processo de transformação da cortiça para a produção da rolha natural é sintetizado na figura 1. A cortiça é usualmente comercializada em arrobas (1@=15 Kg).

 
Figura 1 – Esquema do processo produtivo da rolha natural

 
 
Extracção da cortiça do sobreiro

A operação de descortiçamento consiste na extracção, normalmente manual, da cortiça dos sobreiros, sendo realizada entre os meses de Maio e Setembro, que correspondem ao seu período de maior crescimento.

A realização do descortiçamento encontra-se regulamentada pelo Decreto Lei N.º 169/2001, que estabelece medidas de protecção ao sobreiro e à azinheira. Segundo este, o primeiro descortiçamento (chamado desbóia) ocorre em sobreiros cujo perímetro do tronco, sobre a casca, medido a 1,30m do solo (pap) exceda os 70 cm e até uma altura máxima de duas vezes esse perímetro. Tal verifica-se por volta dos 18 a 27 anos. A cortiça removida nesta tiragem – cortiça virgem ou branca – é porosa, fendilhada e contorcida, pouco homogénea, pelo que se destina à trituração para a produção dos granulados.

Os descortiçamentos posteriores sucedem-se com um intervalo de pelo menos 9 anos. Assim, do segundo descortiçamento (em sobreiros com cerca de 36 anos), resulta a cortiça secundeira, cujas características morfológicas não são adequadas para a produção de rolhas, destinando-se igualmente à trituração. Neste segundo descortiçamento a altura máxima será de 2,5 vezes o pap.

 
A partir do terceiro descortiçamento obtém-se a cortiça amadia ou de reprodução, que se destina primordialmente ao fabrico das rolhas. A altura de descortiçamento na 3ª tiragem e subsequentes é 3 vezes o pap. Seguem-se cerca de 10-15 ciclos de extracção de cortiça (periodicamente de 9 em 9 anos), geralmente até aos 150 ou 200 anos de idade do sobreiro (Natividade, 1950).

A comercialização da cortiça pode ser feita na árvore ou na pilha, sendo usual após o descortiçamento o empilhamento das pranchas de cortiça removidas. Estas pilhas podem atingir cerca de 50 m de comprimento. 

 

 

Preparação da cortiça

Após a extracção, a cortiça passa por um período de cerca de 6 meses de secagem ao ar, até perder o “verde”, que corresponde a manchas translúcidas devidas à humidade interna da cortiça.

Na fábrica, é sujeita à cozedura em água fervente durante cerca de 1 hora. Esta operação destina-se à desinfecção da cortiça, extracção de substâncias fenólicas (taninos), aumento da sua espessura, melhoria da qualidade e ainda ao aplanar e amaciar das pranchas, tornado-as mais flexíveis para os posteriores tratamentos. Segue-se um novo período de repouso (secagem ao ar) durante 2 a 4 semanas, após o qual se processa o traçamento e selecção das pranchas por classes de qualidade e calibre. O traçamento consiste na remoção dos bordos e fragmentação da prancha caso esta apresente diferentes classes de qualidade ou calibre.

O final do processamento da cortiça nas industrias preparadoras coincide com a constituição dos fardos, usando moldes ou gaiolas metálicas. Os fardos de calibre marca ou meia-marca destinam-se à industria rolheira, enquanto que os de delgada e delgadinha são adquiridos pelas industrias de discos e especialidades. 
 

Produção das rolhas de cortiça natural (transformação por simples corte ou talha)

Já nas instalações da industria rolheira segue-se a rabaneação, que é uma operação manual ou mecânica que consiste no corte das pranchas em tiras, ou rabanadas, a partir das quais se vão vazar as rolhas, numa operação subsequente, designada por brocagem. A espessura da rabanada vai condicionar o diâmetro das rolhas, sendo ainda importante referir que a rolha é brocada no sentido perpendicular ao comprimento da rabanada (sentido do crescimento da cortiça), de modo a que os canais lenticulares fiquem perpendiculares ao comprimento da rolha e portanto ao sentido de vedação (Gil, 1998). No caso da brocagem mecânica é necessária a posterior selecção das rolhas, afim de eliminar as “lenhas ou “cavacos”, ou seja, as rolhas que ficaram mal brocadas.

Seguem-se as operações de rectificação da rolha, nomeadamente o ponçamento, para a correcção do seu diâmetro e o topejamento destinado ao aprumo do comprimento de acordo com o pretendido. Os comprimentos mais usuais são 38, 45, 49 e 54 mm e o diâmetro de 24 mm, para um gargalo de garrafa de cerca de 18 mm. É ainda frequente a realização de operações de escolha das rolhas afim de as separar por classes de qualidade, de acordo com padrões homogéneos, segregando as rolhas com defeitos.

Posteriormente, as rolhas podem ser sujeitas a inúmeros tratamentos complementares, que se iniciam com as lavagens para eliminação de impurezas, o branqueamento com peróxido de hidrogénio e a secagem em estufa. Poderá procede-se a uma nova escolha manual e/ou mecânica das rolhas de acordo com os requisitos estabelecidos com os clientes. É ainda usual a aplicação do revestimento colorido e o tratamento com parafina ou silicone, para facilitar a sua introdução no gargalo das garrafas, assim como a marcação das rolhas, a tinta ou a fogo.

Antes de embalagem dos lotes, deverão ser realizados testes de qualidade e resistência das rolhas, afim de certificar que o lote produzido cumpre o acordado com o cliente.

Fotografias de José Romão

Os sub-produtos, nomeadamente aparas e refugos, são enviados para a industria granuladora, onde são produzidos granulados de diferentes pesos específicos e dimensões, consoante as utilizações pretendidas, através de uma sequência de operações que se inicia com a trituração, seguida da separação granulométrica e densimétrica e posterior ensilagem.

A indústria corticeira tem feito um esforço na normalização dos produtos e na certificação dos processos produtivos, nomeadamente através da certificação pelas ISO 9000 (Certificação da Qualidade), HACCP, e CIPR, Código Internacional das Práticas Rolheiras, criado pelo sector para assegurar as boas práticas no processo produtivo.

Como nota final gostaríamos de destacar que está previsto que em 2005 sejam engarrafadas 25 biliões de garrafas, sendo que 15-17 biliões serão rolhadas com rolha de cortiça natural e 8 biliões com rolhas de cortiça aglomerada (Gil, 2002)

 

As rolhas de cortiça natural são a melhor forma de manter as características do seu vinho inalteráveis. Também, neste caso, o que é Natural é Bom.

 

Alexandra Fonseca Marques alexmarques@isa.utl.pt e Davide Freitasaiecortica@mail.telepac.pt.


Bibliografia citada

Gil, L.M. (1998). Cortiça: Produção, Tecnologia e Aplicação. INETI – Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial

Gil, L.M. (2002). A Rolha de Cortiça e a sua Relação com o Vinho. APFNA.

Natividade, J.V. (1959). Subericultura. Direcção Geral das Florestas.

 

Documentos Recomendados

Cortiça - Produtos Florestais

Beyond Cork—a wealth of resources for People and Nature



publicado por papinto às 22:11
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
Alentejo antigo



publicado por papinto às 23:45
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Os primeiros agricultores do Norte da Europa vieram do Sul
Públcio 2012-04-27  Ana Gerschenfeld

A expansão da agricultura pela Europa, há uns 10 mil anos, terá sido fruto da uma migração de ideias ou de pessoas? Um estudo hoje publicado sugere fortemente que foram os próprios agricultores, vindos do Sul, que levaram as práticas agrícolas até às latitudes mais nórdicas do continente europeu


Na Idade da Pedra, naquilo que é hoje a Suécia, a apenas 400 quilómetros de distância, coexistiam duas comunidades humanas totalmente diferentes. Na ilha de Gotland, uma povoação de caçadores-recolectores; na localidade de Gökhem, uma de agricultores. Os seus estilos de vida pouco tinham em comum: os primeiros caçavam renas e comiam bagas; os segundos cultivavam cereais e criavam animais domésticos. Os primeiros enterravam os mortos em túmulos muito simples; os segundos construíam antas para honrar a memória dos seus.

E as diferenças não acabam aí. Não eram apenas culturais, eram também genéticas, como mostra um estudo hoje publicado na revista Science por cientistas suecos e dinamarqueses. O que, de uma mesma penada, permite afirmar que a prática da agricultura, que permitiu o advento da civilização moderna, se espalhou pelo Norte da Europa via as migrações de grupos de agricultores vindos das regiões austrais do continente.

A agricultura surgiu no Médio Oriente há cerca de 11 mil anos e, 6000 anos mais tarde, já se tinha expandido para a maior parte da Europa continental. Mas como é que essa expansão se fez? Foi graças a ideias importadas por indivíduos que viajaram até ao Médio Oriente e trouxeram as novas técnicas de volta consigo? Ou graças a imigrantes vindos do berço da agricultura que, numa primeira fase, se instalaram no Sul da Europa e cujos descendentes foram penetrando cada vez mais no interior do continente - e cujos descendentes, por sua vez, migraram aos poucos cada vez mais para norte?

Pontus Skoglund e os seus colegas da Universidade de Uppsala, com investigadores do Instituto Karolinska e das universidades de Estocolmo e Copenhaga, analisaram milhares de marcadores genéticos no ADN extraído de quatro esqueletos com cerca de 5000 anos. Três deles pertenciam à comunidade de caçadores pré-históricos da ilha de Gotland e o quarto à comunidade agrícola de Gökhem. Apesar de terem analisado apenas um genoma de agricultor, todos os dados arqueológicos recolhidos e analisados em paralelo com o ADN mostram, segundo os cientistas, que este indivíduo era representativo do seu tempo e do seu grupo - e que foi sepultado perto do sítio onde nascera.

A seguir, quando os investigadores compararam esses perfis genéticos com os de centenas de europeus actuais, descobriram que o perfil genético dos esqueletos dos caçadores é semelhante ao das populações mais nórdicas do continente, enquanto o do esqueleto de agricultor é parecido com o das populações mediterrânicas de hoje.

"Ao compararmos os nossos dados [genéticos] com os das populações europeias modernas, descobrimos que os caçadores da Idade da Pedra eram sobretudo semelhantes aos finlandeses actuais e que o agricultor da Idade da Pedra era muito próximo das populações mediterrânicas actuais, por exemplo de Chipre", diz Skoglund num comunicado da Science. "Os nossos resultados sugerem que a agricultura foi disseminada pela Europa por uma migração das pessoas", frisa ainda, porque "se a expansão tivesse sido um processo apenas cultural, não estaríamos a ver, num agricultor do Norte, uma afinidade genética tão grande com populações do Sul". "Fomos capazes de mostrar que a variação genética presente nos europeus actuais foi fortemente afectada por agricultores imigrantes da Idade da Pedra, embora continue a existir um certo número de genes de caçador-recolector", acrescenta Anders Götherström, da equipa de Uppsala.

Mil anos lado a lado

Mattias Jakobsson, também da equipa sueca, salienta num podcast difundido no site da Science que isto significa "que houve agricultores que atravessaram o continente europeu ao longo de muitas gerações; foram pessoas [do Sul] que levaram para norte as técnicas da agricultura, misturando-se a seguir com as populações locais". Porém, essa mistura foi tudo menos imediata: os caçadores-recolectores e os agricultores "viveram lado a lado durante mais de mil anos antes de procriarem juntos", diz ainda Jakobsson.

Já agora, por que é que as populações europeias ancestrais de caçadores-recolectores acabaram por ser "absorvidas" geneticamente pelas populações de agricultores vindas do Sul? Por que é que, nos europeus actuais, apenas subsistem alguns genes dos caçadores-recolectores de outrora? "Porque, ao simplificar os ecossistemas a favor dos humanos, a agricultura permite uma densidade populacional maior, um potencial demográfico maior", explicou ao PÚBLICO João Zilhão, conhecido arqueólogo português actualmente a trabalhar na Universidade de Barcelona.

Na sua opinião, não é nada surpreendente, porém, que essa mistura genética tenha demorado tanto tempo na Escandinávia. "Mesmo hoje em dia, no século XXI", diz Zilhão, "há populações na Escandinávia a viver lado a lado, umas da agricultura e outras das renas. E no Norte da Escandinávia não há agricultores." O clima não o permite.

Mas, então, foram as técnicas da agricultura ou as pessoas que as praticavam que se espalharam pela Europa? Considerando serem essas "as duas posições extremas", Zilhão acredita num modelo migratório intermédio da expansão da agricultura. "Há 20 anos, propus um modelo para o Mediterrâneo Ocidental - o modelo da colonização pioneira."

Como não era possível explicar a rapidez da expansão da agricultura na Europa através de uma dispersão terrestre, a ideia de Zilhão foi que "pequenos grupos de agricultores pioneiros chegaram [à Europa do Sul] por via marítima, há 7000 a 8500 anos, criando enclaves por todo o Mediterrâneo". E que, ao longo de gerações, os descendentes dos descendentes daqueles pioneiros foram absorvendo as populações de caçadores cada vez mais para norte. "Actualmente, o meu modelo é consensual e tem sido proposto também para explicar a colonização das Ilhas Britânicas", salienta.

Mesmo assim, a partir dessa primeira expansão para o interior da Europa, a agricultura ainda demoraria séculos a chegar à Escandinávia e à Dinamarca, porque, "antes de poder haver comunidades de agricultores, foi preciso adaptar as variedades de sementes aos climas mais frios".

Seja como for, no caso da Escandinávia, também é possível que o fenómeno de expansão tenha sido algo diferente. Após muitos séculos de contactos e intercâmbios entre os dois tipos de comunidades, poderá ter havido, diz Zilhão, "uma crise ecológica, uma alteração da salinidade do Báltico, que terá levado os próprios caçadores-recolectores a optar pela agricultura - apesar de a vida do agricultor ser muito mais difícil do que a do caçador" (e ri-se). Este segundo modelo, dito adopcionista, "permanece viável para o Norte da Europa". "Mas não sei qual dos dois modelos será aplicável." Mesmo que ainda não haja respostas definitivas, uma coisa que se pode reter do novo estudo é que, também no caso da Escandinávia, "o contributo da migração foi fundamental", conclui Zilhão.



publicado por papinto às 20:47
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 26 de Abril de 2012
Visita de estudo de Agricultura II e Ecologia dos Sistemas Agro-Pecuários



publicado por papinto às 22:36
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Terça-feira, 24 de Abril de 2012
A protecção de plantas numa encruzilhada
Proteccaoplantasnumaencruzilhada


publicado por papinto às 10:36
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
A Beterraba sacarina: terá sentido relançar a sua cultura em Portugal?
BeterrabaAvillez


publicado por papinto às 17:02
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 9 de Abril de 2012
How to feed the world in 2050: actions in a changing climate


publicado por papinto às 15:43
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 4 de Abril de 2012
Filme do Colégio de Engenharia Agronómica da Ordem dos Engenheiros



publicado por papinto às 14:38
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Domingo, 1 de Abril de 2012
Portugal pode ter de deslocar populações devido à erosão costeira

Público, 01.04.2012
Jorge Talixa

"Em alguns sítios não temos outra solução a médio prazo que não seja deslocar populações", admite o secretário de Estado do Ambiente e do Ordenamento do Território, referindo-se ao crescente problema da erosão costeira em várias zonas do país e à progressiva elevação do nível do mar motivada pelas alterações climáticas.

Pedro Afonso de Paulo explica que Portugal não tem dinheiro para fazer paredes de betão semelhantes às que foram feitas na Holanda para funcionarem como diques e protegerem as populações da invasão da água do mar. Nesta altura, cerca de 30 por cento da costa portuguesa está sujeita a "muito forte erosão", acrescenta.

Por esta razão, o governante defende que será preciso tomar medidas para "proibir terminantemente a construção" em muitas áreas costeiras. "Dificilmente teremos meios e técnicas" que permitam suster este avanço das águas originado pelas alterações climáticas, justifica.

Pedro Afonso de Paulo participou, quinta-feira à noite, num colóquio sobre ambiente e ordenamento do território organizado pela comissão concelhia de Vila Franca de Xira do PSD. Em resposta a um dos participantes, previu que Portugal vai cumprir sem grandes dificuldades as metas de redução das emissões poluentes estabelecidas no Protocolo de Quioto.

"Infelizmente vamos cumprir as metas sem esforço", observou, frisando que a "desindustrialização" vivida pelo País durante muito tempo e a mais recente crise económica fizeram com que as emissões tenham baixado bastante.

"Temos menos indústria e, com a crise económica, não só as empresas emitem menos como as pessoas utilizam menos os carros", salientou, vincando, todavia, que cerca de 80 por cento das nossas emissões de CO2, ao contrário do que se pensa, têm origem na energia consumida nas casas dos portugueses e nos carros em circulação e não estão relacionadas com as fábricas e com a actividade económica.

"Acreditamos numa indústria que pode estar presente e não ser muito poluente. Infelizmente não somos um país muito industrializado, não produzimos tanto quanto poderíamos produzir", lamentou. "As estimativas todas dizem que vamos cumprir as metas de Quioto, o que também é importante", acrescentou o governante.

Pedro Afonso de Paulo disse, ainda, que o Governo apresentará em Abril um plano para o uso eficiente da água e um roteiro do baixo carbono. Estão a decorrer os processos de revisão da Lei de Bases do Ordenamento do Território e do Solo e do regime da Reserva Ecológica Nacional. Mas, também em resposta a alguns dos participantes no colóquio, o governante considerou muito difícil e oneroso aprofundar as políticas de reutilização de águas tratadas, porque exigiriam redes próprias, separadas, para o transporte destas águas para os meios urbanos, o que implicaria investimentos nesta altura incomportáveis.

Pedro Aguiar Pinto, professor do Instituto Superior de Agronomia, defendeu que as variações do clima em Portugal têm séculos e que, em média, até chove um pouco mais por ano em Lisboa do que em Londres. "Portugal tem uma preocupação, que é a grandíssima variabilidade do seu clima. Mas não devemos ter uma visão catastrófica", argumentou, considerando depois que há que desdramatizar esta questão. "Desdramatizar não é ignorar o risco. Mas é preciso não dramatizar e a agricultura tem uma grande capacidade de adaptação a novas situações", concluiu.

 



publicado por papinto às 23:44
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sábado, 31 de Março de 2012
Filme do colégio de Engenharia Florestal da Ordem dos Engenheiros


publicado por papinto às 20:53
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Agronomia - "petit-nom" de uma escola herdeira de uma tradição centenária de Engenharia nas Ciências Agrárias, que procura hoje um justo equilíbrio entre o ensino, a investigação e uma prática de ligação com a sociedade.

Tapada da Ajuda

Jardim Botânico

Quem é quem no ISA

Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


Documentos de referência

RJIES

Estatutos da UTL

Estatutos do ISA

Estratégia do ISA

ECDU (DL448/79)

Alter. ECDU (DL205/2009)

Alter. ECDU (Lei 8/2010)

Lei de bases do sistema educativo

Relatórios e planos de actividades

Guia do estudante

É bom ter à mão...

Ensino e Investigação em Ciências Agrárias

aqui...

Ciência e técnica
Links de interesse técnico-científico Enquadramentos legais
Páginas de gente do ISA

Luís Fontes

Conceição Colaço

Francisco Moreira

pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
tags

todas as tags

arquivos
Eleições 2009

O ISA com a participação de todos